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    FOTOS: LAUREMI FOCHETTO_2007

chegada

Eterno retorno

O Campeonato Brasileiro de Ioiô reúne aspirina, salsicha, Chapolim, cogumelo e prenuncia a gloriosa volta à moda do pião

Vanessa Barbara | Edição 9, Junho 2007

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O atleta entra em campo com uma blusa de moletom e a bermuda até os joelhos, mascando chicletes. A torcida prende a respiração. Ele tem espinhas no rosto e um piercing no queixo. Pendurado na gola da camiseta, um par de fones de ouvido. O esportista respira fundo, estala os dedos e se concentra. Jurados prontos? Competidor pronto? Soam os primeiros acordes de um hip hop da banda Fort Minor. Os juízes se inclinam para frente. O atleta efetua o equivalente a um mortal triplo carpado, mas com uma corda de ioiô, e leva a torcida ao delírio.

Maestria, irritação e acidentes aéreos marcaram a sexta edição do Campeonato Brasileiro de Ioiô, num fim de semana de maio, num cinema no Conjunto Nacional, em São Paulo. O certame contou com mais de 50 competidores, todos de boné. (Dois usavam chapéus e o campeão jogou de capuz.) Nenhum dos favoritos tinha mais de 21 anos, e vários não tinham idade sequer para se esponsabilizar judicialmente pelas manobras mais arriscadas. No corredor, um menino de 4 anos arrastava os destroços de um ioiô quebrado, lançando dúvidas sobre a pacatice desse esporte universal – que no idioma tagalo¹ quer dizer “volte aqui”.

No Brasil, a febre surgiu em três etapas. Primeiro em 1982, depois em 1995 e finalmente em 2000, com a popularização do ioiô da Coca-Cola, fabricado pela Russell. Os integrantes da nova geração são unânimes em atribuir seu início de carreira à marca de refrigerantes, que no passado distribuiu ioiôs e imprimiu nas tampinhas diversas instruções de manobras.

 

Mas o ioiô existe antes disso. “Ele foi inventado no império chinês”, afirma Pedro Rosa, de 13 anos, “e era de pedra.” Na verdade, ninguém sabe onde e quando ele foi criado, embora seja considerado o brinquedo mais antigo do mundo, depois da boneca. Sua invenção é atribuída ora aos chineses, ora aos gregos. No Museu de Atenas pode-se apreciar uma cerâmica de 2 500 anos que mostra um jovem brincando com um ioiô. No século XVI, soldados filipinos chegaram a usá-lo como arma.

Hoje, os melhores jogadores são os japoneses, seguidos pelos americanos. Outras potências são a Alemanha e Cingapura. Com cerca de 2 mil filiados à Associação Brasileira de Ioiô, a ABI, o Brasil vem ganhando notoriedade. Uma das estrelas nacionais é Rafael Matsunaga, que foi campeão mundial em 2004. Ele é programador de computadores, mora em São Paulo e atende pelo codinome de Red. Matsunaga é um dos únicos onze mestres mundiais de ioiô.

Quase todos os que participaram do Campeonato Brasileiro se conhecem e freqüentam o fórum online da ABI. Eles aprenderam suas manobras baixando vídeos na rede, onde há toneladas de clips com as melhores performances. Só o site da Associação Brasileira hospeda 50 GB de material. “Yoyo is a small world“, concorda o americano Paul Yath, de 24 anos, o atual campeão mundial, que se apresentou pouco antes da premiação.

 

As duas principais categorias do concurso nacional, que valeram uma vaga para o mundial, foram a 1A e a Open. O esporte possui cinco variações, que consistem em intrincados truques com a corda, que quase terminam em um grande nó. A divisão 2A é a mais clássica, praticada com dois ioiôs e manobras de loops (voltas e voltas). A triple A exige dois ioiôs e manobras de cordas – ou seja, é uma mistura das duas primeiras. A quarta variante é conhecida como offstring, pois é praticada sem prender o ioiô à cordinha. A quinta é executada sem prender o ioiô ao dedo, colocando-se um contrapeso no lugar. No Brasil, a categoria Open foi criada para englobar todas as outras, menos a 1A.

O Brasil tem se destacado na 1A e 5A. Nas demais, a prática é ainda incipiente e perigosa. Durante o aquecimento, um ioiô desgovernado (de tamanho grande) atingiu a repórter de piauí. O agressor, Ricardo Tatebe, aka Yuki, de 21 anos, pediu desculpas e negou que praticasse um estilo ofensivo. O fato de vitimar uma assistente leiga não pesou na opinião dos jurados, que conferiram a Yuki o quinto lugar na categoria Open.

Para a trilha sonora das apresentações freestyle, cada atleta trouxe um CD – em geral, gravado por eles mesmos, a partir de músicas em formato MP3. A grande maioria das canções tocadas não saiu do universo rap/ hip hop/ música eletrônica, e poucas eram do gênero hardcore, emocore e rock (em japonês). Um dos competidores usou o tema da Pantera cor-de-rosa, o outro, da série Os Simpsons, e um terceiro, do jogo de videogame Super Mario. Apenas quatro músicas eram nacionais: duas do Planet Hemp, uma dos Raimundos e outra do Castelo Rá-Tim-Bum.

 

 

Durante o torneio, o americano Paul Yath aproveitou para vender dezenas de unidades de seu ioiô Milk. “It’s a funny yoyo“, justifica o fabricante. O artefato vem em uma embalagem de leite e custa 50 dólares, mas “não é uma fonte recomendável de vitaminas e minerais”, segundo o rótulo. Já o veterano Mark McBride levou seu ioiô de magnésio no valor de 400 dólares, desenvolvido pela Duncan com partes de um carro de Fórmula-1. No Brasil, o único ioiô de alumínio é fabricado artesanalmente pela Yoyojoca, e sai por 139 reais. O mais barato do mercado, feito de plástico resistente e rolamento blindado, é da marca Vulto. Custa 20 reais.

Antes de se apresentar, os atletas escolhem um ioiô e enfileiram uns dez outros na beirada do palco. Na fase preliminar, o jogador tem apenas um minuto para efetuar as manobras que quiser. Dez concorrentes se classificam para a final, com três minutos de freestyle por atleta. Entre os juízes, além de Matsunaga, presidente da ABI, e o campeão Paul Yath, estavam o grafiteiro Titifreak e o veterano Hitokiri. Debaixo da mesa, eles manipulavam dois marcadores, um em cada mão, conforme o competidor acumulava pontos e penalidades. Para a comissão julgadora, o maior pecado é enrolar a corda com a mão ou largar o artefato no ar, em um zupt mortífero. Dois competidores quebraram o ioiô e arrebentaram a cordinha em plena apresentação. “Sempre rola de puxar muito forte e voltar na cara”, confessa José Lucas Dechen, de 16 anos, que veio de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo.

Dechen é um dos jogadores que unem a experiência do ioiô à prática do pião, atualmente apelidado de spin top. A novidade é a junção das manobras do ioiô com o equilíbrio de um pião de rolamento – semelhante ao velho pião de madeira, mas cuja ponta não gira, só o topo. Os praticantes sustentam o pião sobre a palma da mão, enrolam a corda nos braços e fazem o objeto correr. As manobras de ioiô inevitavelmente geram novas técnicas de spin top, e os ioiozeiros passam a se dedicar a ambas as modalidades, como se o pião pertencesse a uma suposta categoria 6A. Mais uma vez, centenas de moleques de 16 anos – que jogam Second Life e baixam filmes pela internet – resgatam um velho brinquedo, mais antiquado impossível. São atletas que têm apelidos como Aspirina, Salsicha, Olívia Palito, Chapolim e “Cogumelo” (“seu fungo ordinário!”, gritou alguém da platéia quando ele se apresentou). O mais respeitado deles é o “Marechal”, carioca de 26 anos apontado como favorito, mas que amargou o vice-campeonato da categoria 1A. O veterano Luiz Ricardo do Nascimento acabou errando uma manobra nos últimos segundos da apresentação e atirou o ioiô na platéia, irritado. Ficou a apenas quatro pontos do primeiro colocado.

A despeito da quantidade e da diversidade dos competidores, o vencedor de ambas as categorias foi o mesmo: Danilo Packer, jundiaiense de 19 anos, que no ano passado também levou o troféu das modalidades 1A e Open. Alto e ligeiro, adepto de correntes e calças largas, Packer estuda design gráfico e pratica ioiô há seis anos. Na modalidade Open, ele abriu quase trinta pontos de vantagem sobre o segundo colocado, mesmo depois de se apresentar com capuz e ouvir da platéia que aquilo não era boxe. Packer não precisou competir com luvas de lã e nem com um ioiô de ouro 24 quilates, ao contrário do que se viu nos bastidores do evento. Segundo ele, “o bom jogador é que faz o ioiô”.

1 Ioiô é cultura: tagalo é língua malaia, falada nas Filipinas.

Vanessa Barbara
Vanessa Barbara

Escritora e jornalista, é colaboradora do New York Times e da New York Review of Books. Publicou o romance Noites de Alface (Alfaguara) e Mamãe Está Cansada (Companhia das Letrinhas). ). É autora do periódico digital A Hortaliça na plataforma Substack.

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