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A saga da glória eterna

    No Monumental, em Buenos Aires: “Eu não sabia que seria tão feliz com um título do Botafogo e que abraçaria tanta gente. Parecia que erámos todos iguais, sem diferença de classe ou cor” CRÉDITO: ACERVO PESSOAL

diário

A saga da glória eterna

Um torcedor conta sua viagem de ônibus até Buenos Aires para assistir ao triunfo do Botafogo

Sandro Aurélio Jr. | Edição 220, Janeiro 2025

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26 DE NOVEMBRO, TERÇA-FEIRA_Acordei de sonhos bem tranquilos, proporcionados pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, pois hoje é o meu primeiro dia de férias. Amo os direitos trabalhistas, e o descanso remunerado é um dos meus favoritos. Durante a pandemia escrevi para a piauí um diário sobre o meu trabalho no Rio de Janeiro (Tem cloroquina?, piauí_164, maio de 2020). Apesar de formado em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, eu trabalhava na época como balconista em uma farmácia da Zona Sul. Mas mudei de profissão: hoje sou analista de dados em uma grande agência de publicidade.

Recentemente as redes sociais foram tomadas por postagens contra a escala 6×1 de trabalho. Achei uma excelente iniciativa. Eu vivi a diferença que é trabalhar seis dias por semana, como na farmácia, e trabalhar apenas cinco dias (folgando no sábado e domingo), como no meu emprego atual, ao lado de uma equipe incrível e em um local muito agradável.

Gosto de pensar que a melhora da minha situação material foi acompanhada pela ascensão do Botafogo – e vice-versa. Anos atrás, encontraram apenas 33 reais na conta bancária do clube. Na minha não havia nem isso, na mesma época. Agora, o Mais Tradicional desfruta de uma condição financeira jamais imaginada – e eu também, salvadas as proporções. Não caí nas graças de um bilionário, como caiu o Botafogo, mas, com meu novo emprego, passei a ter acesso a experiências e lugares que até pouco tempo atrás seriam inatingíveis para mim.

 

Uma dessas experiências será assistir ao Botafogo em uma final da Copa Libertadores da América. E fora do Brasil! Quando meu time passou pelo Palmeiras, eu senti que a final em Buenos Aires viria. Como um louco, comecei a pesquisar uma maneira de chegar à Argentina que coubesse no meu orçamento. Se eu fosse totalmente racional, nem pensaria em viajar, porque decidi reformar minha casa no ano passado e já precisei tomar cinco empréstimos para finalizar as obras. Mas a paixão pelo Glorioso falou mais alto. Sou viciado no Botafogo.

Gosto muito do meu emprego, dos companheiros com os quais trabalho e de tudo que faço. Minha única dificuldade é o deslocamento. Em um dia tranquilo, a viagem de Nova Iguaçu, onde eu moro, até a Barra da Tijuca, onde fica a agência de publicidade, demora duas horas. Em dias ruins, três horas. Meu objetivo é reformar a casa em que moro, alugá-la e me mudar para mais perto do trabalho.

A casa hoje tem dois níveis. Antigamente, era um imóvel com apenas um piso, no qual morava minha avó materna, Nely, paraense e dona de casa que teve doze filhos, oito dos quais estão vivos. Meu avô materno, Raimundo, era carteiro. Antes de vir para Nova Iguaçu, a família morou no bairro Santa Cruz e em vários lugares da Baixada Fluminense. Em 1984, minha mãe e alguns de seus irmãos conseguiram um financiamento para comprar a casa própria para a família no bairro Santa Eugênia, em Nova Iguaçu. Foi uma grande vitória para todos eles, mas meu avô não pôde morar lá: morreu, coincidentemente, no mesmo dia da mudança, de ataque cardíaco. Depois que meus pais se casaram, eles construíram outro andar na casa, um recurso comum nas periferias brasileiras.

 

Não cheguei a conhecer Raimundo, porque nasci em 1991. Também não conheci meu avô paterno, Jorge Aurelio Alvarado. Minha avó Nely morreu quando eu tinha 7 anos, e ainda me recordo um pouco dela, costurando em sua casa, quietinha. Era uma senhora de quem todos gostavam.

Guardo mais lembranças da minha avó paterna, Carmen, pois convivemos por mais tempo, apesar de ela morar em Piúma, no Espírito Santo: eu sempre passava as férias escolares lá. Meu avô paterno, nascido no Peru, era trapezista e dono de um circo. Teve três filhos com minha avó, que não suportou a vida nômade do marido e foi viver com os filhos em Piúma. Jorge morreu em 2017. Minha avó, Carmen, de quem sinto saudades todos os dias, faleceu em 2009, quando eu tinha 18 anos.

Minha mãe, Nelizete Dolzany, se aposentou em 2022, depois de trabalhar por muitos anos como agente administrativa em um posto de saúde na Pavuna, na Zona Norte do Rio. Meu pai, Sandro Aurélio (eu sou o Júnior), foi professor de português, mas em dado momento de sua vida resolveu se dedicar inteiramente ao bar que tinha no Centro de Nova Iguaçu. Ele trabalhava de segunda a segunda, e o único momento de lazer que se permitia era assistir aos jogos do Botafogo no Maracanã.

 

Quando eu era criança, ia para a escola antes de meu pai acordar e dormia antes de ele voltar para casa. Com isso, o Botafogo se tornou a nossa maior conexão. Eu tinha 4 anos quando ele me levou pela primeira vez ao estádio. Fomos ver o Glorioso na semifinal contra o Cruzeiro, no Campeonato Brasileiro, em 1995. O jogo terminou em empate (0 a 0), mas saímos campeões do torneio. Eu não me lembro de nada disso – da ida ao estádio, da euforia com a vitória e tudo mais. Foi meu pai quem me contou. Em 2012, ele vendeu o bar e se mudou para um sítio em Guapimirim, no interior do Rio.

A partir da adolescência, passei a ir sozinho aos jogos. A emoção de ver meu time ao vivo era sempre incrível, apesar dos maus resultados em campo. Enfrentei três rebaixamentos, mas estive presente nos jogos da série B nas três vezes. Quando o Botafogo voltou à série A em 2003, pela primeira vez eu vi meu pai chorando. Torcer para um time de futebol é algo que molda o caráter da pessoa. Torcer para o Botafogo molda de uma maneira muito especial.

De volta ao tempo presente, pensando na Libertadores em Buenos Aires, concluí que não poderia perder a final do meu time por nada desse mundo. Continuei a fazer meus planos.

A maneira menos onerosa de viajar seria de ônibus, em uma das caravanas que estavam sendo organizadas. Os preços variavam entre 900 reais e 1,7 mil reais. Os ônibus mais baratos eram das caravanas de torcidas organizadas, mas essas eu nem cogitei. Chamou minha atenção a caravana que previa uma parada de um dos ônibus em Nova Iguaçu, o que tornava o embarque mais fácil para mim. Entrei em contato com o organizador, que me explicou o itinerário. Fechei com ele, pagando 200 reais de sinal e parcelando os outros 1,5 mil reais (com juros, em dez vezes de 165 reais).

A empresa de turismo que organiza a caravana é da Região dos Lagos, onde as primeiras pessoas embarcarão. Serão, na verdade, cinco ônibus, que seguirão juntos até Buenos Aires. Cada um tem o nome de um ídolo histórico do Botafogo: Nilton Santos, Didi, Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas. Eu vou no Garrincha. A partida é amanhã.

 

27 DE NOVEMBRO, QUARTA-FEIRA_Logo cedo arrumei minha mala. Coloquei três camisetas normais e três “mantos sagrados”. Passei o dia com Gabriela, minha namorada, e Nina Simone, minha cachorrinha, pois sabia que ficaria longe delas por um tempo. Gabriela é uma menina-mulher da pele preta que namoro desde fevereiro de 2023, e Nina é uma cadelinha de 3 anos que adotei no ano passado e tem as cores do Botafogo e das teclas do piano que a Nina Simone tocava tão lindamente.

Por causa das muitas horas que perco enfrentando o trânsito no Rio de Janeiro, odeio andar de ônibus. A raiva que sinto de grandes deslocamentos sempre é tema das minhas conversas com a psicóloga, que atende online, e com a psiquiatra, cujo consultório é em Copacabana, a duas horas da minha casa. Confesso que por causa da minha ignorância sempre vi com preconceito a medicalização de alguém que está enfrentando uma crise pessoal. Achava que eu mesmo nunca iria precisar de remédio para enfrentar uma situação difícil da vida. Foi assim até o ano passado, quando, com a obra da casa atrasada e meu dinheiro sendo sugado por ela, eu simplesmente parei de dormir. Deitava a cabeça no travesseiro – e nada. Atravessava a noite e a madrugada de olhos bem abertos.

O embarque em Nova Iguaçu estava previsto para a meia-noite e meia, no Posto 13, na Rodovia Presidente Dutra. Ao chegar ao posto, vi um grupo de cerca de dez homens parados em frente ao Burger King, e perguntei se eram da caravana. Eram. Seria mais fácil reconhecer os botafoguenses se eles estivessem com as camisas do Glorioso, porém o manto sagrado estava vetado pela caravana. Os organizadores da viagem disseram que seria mais fácil passar na fronteira se fôssemos considerados uma mera caravana turística.

O Garrincha chegou apenas à 1h15. Entrei com mais quatro pessoas no ônibus semileito e fui para a minha poltrona, a 39, encostada na janela. Na poltrona 38, estava Ewerton Mello, um militar da Marinha de 40 anos, gente boa, que iria encarar ao meu lado aquela aventura de cerca de 3 mil km e quase cem horas de viagem, ida e volta.

 

28 DE NOVEMBRO, QUINTA-FEIRA_Depois que o ônibus deixou o Posto 13, eu apaguei e só fui acordar em uma parada na cidade de Registro, em São Paulo, às dez e meia da manhã. Foi quando reparei nas outras pessoas no ônibus – e elas repararam em mim. Começamos todos a nos conhecer. Com os dois motoristas, Sidney e Amaral, e o guia, Rodolfo, somos 45 viajantes – 36 homens e 11 mulheres. A idade das pessoas vai dos 17 aos 66 anos, e suas profissões são as mais variadas: advogado, barman, engenheiro civil, estudante, músico, bancário, operador de caixa, doméstica, professor, funcionário público, autônomos etc. No ônibus há outros dois militares das Forças Armadas, além do Ewerton, e um policial militar.

A maioria das mulheres está acompanhada de familiares, menos duas, Thais Ribeiro e Beatriz Amorim. Servidora pública de 28 anos, Beatriz foi presenteada com o ingresso do jogo por seu chefe, depois que ele desistiu de ir a Buenos Aires. Ela ganhou o ingresso, mas não tinha dinheiro para a viagem. Um dia antes de embarcar, fez uma vaquinha online e em três horas conseguiu arrecadar a quantia necessária.

Seguindo pela Rodovia Régis Bittencourt, passamos por várias cidades do interior paulista: Jacupiranga, Cajati… Ao chegarmos perto de um município chamado Barra do Turvo, reparei que estávamos para entrar no estado do Paraná, embora continuássemos na Régis Bittencourt, que parecia não ter fim. Pesquisando na internet, descobri que a rodovia tem 496 km de São Paulo até Curitiba e é apenas um trecho da gigantesca BR-116, que começa em Fortaleza e desce, com diferentes nomes, até Jaguarão, no Rio Grande do Sul, bem na fronteira com o Uruguai, cobrindo um total de 4 714 km do Brasil. Mundo, mundo, vasto mundo…

Era uma da tarde quando chegamos em Curitiba. Paramos para o almoço. Chovia e fazia bastante frio. De volta ao ônibus, caí no sono novamente. Quando abri os olhos, por volta das quatro da tarde, vi que passávamos pela cidade de Fazenda Rio Grande, no Paraná. Uma hora e quarenta minutos depois, entramos em Santa Catarina.

Engatei uma conversa com meu vizinho de poltrona, o Ewerton, que é casado e pai de uma menina. Ele, como eu, mora em Nova Iguaçu, e também está de férias. Nossa conversa ia e vinha, com momentos de silêncio, até que às 18h30, começamos a ouvir acordes de um banjo. Fiquei animado.

Quem tocava era Thiago Jardim, de 37 anos, um músico profissional. Ele começou com alguns pagodes famosos, o que entusiasmou a metade da frente do ônibus, que também começou a entoar sambas de Jorge Aragão, Belo, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e outros. Quando o Thiago puxou os primeiros acordes do hino do Botafogo, composto pelo grande Lamartine Babo, o ônibus inteiro explodiu. A metade da frente, a metade de trás, todos cantaram a plenos pulmões:

Botafogo, Botafogo
Campeão desde 1907
Foste herói em cada jogo
Botafogo, por isso é que tu és
E hás de ser nosso imenso prazer
Tradições aos milhões tens também
Tu és o glorioso, não podes perder
Perder pra ninguém.

Às oito da noite, deixamos a longa BR-116 e passamos por Lebon Régis, em Santa Catarina. O guia Rodolfo avisou que pararíamos dali a meia hora para o banho. A parada, porém, aconteceu só às 22h30, na cidade de Barracão, já no Rio Grande do Sul. Eu estava prestes a realizar mais uma experiência inédita proporcionada por essa aventura: tomar uma chuveirada em um posto de combustível.

Esperei na fila do banheiro durante 40 minutos. Eram muitos botafoguenses, mas apenas três chuveiros. Fiquei surpreso que vários deles tomavam banho descalços, apesar do chão não ser nada convidativo. A água estava quentinha, mas fui rápido: em pouco mais de 3 minutos já estava me secando.

Na área externa, o pessoal do posto nos olhava com curiosidade. Era um clima pacífico e alegre. Uma menina de uns 9 anos segurava uma cachorrinha. Conversei com a mãe dela, que contou que a cadelinha se chamava Mel. Mostrei para ela a foto da Nina Simone. O orgulho de pai e mãe de pet é uma coisa bonita.

De repente, apareceu um rapaz com um timbal de madeira. Thiago se juntou a ele com seu banjo, iniciando uma roda de samba. Estavam todos muito entusiasmados. Duas horas e meia depois, voltamos para o ônibus e caímos no sono.

 

29 DE NOVEMBRO, SEXTA-FEIRA_Às 7h30, fizemos uma parada perto da cidade de São Miguel das Missões. O guia Rodolfo explicou que aquela seria a última, antes de alcançarmos Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, dali a cinco horas. Era ainda um bom trecho de estrada, mas, mesmo assim, a notícia animou os viajantes. Até que, por volta de 9h30, alguém avisou que o vaso do banheiro estava entupido. Foi preciso parar o ônibus por vinte minutos, para que os motoristas fizessem a limpeza. Ninguém se responsabilizou pelo entupimento.

Ao meio-dia, passamos por uma ponte muito estreita, caindo aos pedaços. Havia ônibus à frente e atrás. Temi que a ponte não aguentasse tanto peso. O motorista seguiu muito lentamente por ela, mas de vez em quando o veículo dava um solavanco. A cada balanço, os passageiros gritavam, assustados. Foi um alívio quando alcançamos o outro lado.

Chegamos em Uruguaiana às 13 horas. Rodolfo nos avisou que, enquanto ele resolvia os trâmites burocráticos da fronteira, era melhor que a gente fosse almoçar. Em uma rua, havia um rodízio, mas com preço alto para mim: 90 reais com bufê liberado. Preferi comprar um salgado e um refrigerante (os dois por menos de 10 reais) em uma lanchonete. A cidade tinha um duty-free, mas os preços me pareceram iguais aos de qualquer loja. Mesmo assim, Rodolfo comprou uma caixinha de som preta para animar o restante da viagem.

Fazia muito calor e havia uma fila enorme de ônibus aguardando para atravessar a fronteira. O nosso só foi liberado às 15 horas pelos guardas da fronteira brasileira. Vinte minutos depois, paramos de novo, agora no lado argentino. O Garrincha foi levado para um pátio enorme, onde já aguardavam os outros ônibus. O guia falou que os policiais argentinos iriam fazer uma revista no veículo e que não podia haver bebida alcoólica. “Quanto a drogas ilícitas, nem preciso comentar, né?”, ele disse. Ficamos à espera da revista – que não aconteceu.

Às 16h50, dois policiais vieram conversar com os motoristas do ônibus. Nossa ansiedade aumentou, parados ali, no pátio argentino.

Por volta de 17h20, tomei a liberdade de conversar com um policial argentino. Ele me explicou que seríamos escoltados até Buenos Aires. Fiquei muito tenso. Isso significava que chegaríamos bem mais tarde do que o previsto. A estimativa inicial era que entraríamos em Buenos Aires no início da noite, e foi pensando nisso que eu reservei pela internet um quarto na capital argentina a partir de hoje (sexta) até amanhã. Custaria 165 reais.

À tarde, quando ainda estávamos em Uruguaiana, a responsável pelo quarto me mandou uma mensagem dizendo que iria cobrar uma taxa extra de 30 dólares, ou 30 505 pesos (uns 180 reais). Perguntei por quê. Ela me respondeu, enviando um áudio que tive dificuldade de entender. Mas concluí que o motivo era a alta procura por quartos em Buenos Aires. E deduzi que ela queria maximizar o lucro. Não fiquei surpreso. Procura e demanda é a lei mais antiga do capitalismo, e eu já imaginava que os hermanos não iriam deixar de lucrar com tanta gente chegando na cidade.

Tentei regatear com a mulher e ofereci 20 dólares. Ela contrapropôs 26 dólares, ou 26 438 pesos, equivalente a 154 reais. Eu estava sonhando com uma cama e um chuveiro, depois de mais de trinta horas dentro de um ônibus, e acabei aceitando. Falei que chegaria por volta de 23 horas, o que já era um cálculo pessimista em relação à previsão inicial. A mulher disse que eu deveria pagar a taxa extra assim que chegasse, em uma lojinha 24 horas em frente à casa onde eu me hospedaria. Quando percebi, parado na fronteira, que o ônibus atrasaria, achei melhor avisar a mulher que eu chegaria depois do horário previsto. Ela respondeu que estava tudo bem.

O longo tempo de espera deixou claro para nós que a polícia argentina estava a fim de esculachar com os torcedores brasileiros, deixando todos dentro dos ônibus parados por longo período. Às 17h30, chegou a notícia de que tinham nos liberado. Foram duas horas de espera.

Todo mundo estava exausto, sem energia para conversar. Alguns assistiam a vídeos, outros ouviam música com seus fones. Boa parte das pessoas dormia. Um homem de uns 50 anos roncava tão alto que dava a impressão que estava passando mal. Abri meu Spotify, cliquei no álbum Caju, da maravilhosa Liniker, e ouvi do início ao fim. Estava cansado e com fome. Minha última refeição de verdade tinha acontecido mais de trinta horas atrás.

Eu não tinha internet em solo argentino e, por isso, antes mesmo de atravessar a fronteira, enviei mensagens para meu pai, minha mãe e Gabriela, avisando que estaria off pelas próximas horas.

Reparei que o Sol não estava se pondo no horário que eu estava acostumado. Já passava das 19 horas e ainda estava claro. Só anoiteceu de fato às oito da noite. Com o céu quase escuro, eu apaguei. Acordei quando chegávamos em Buenos Aires. Olhei no celular e não pude acreditar: eram 3h20.

A polícia argentina tinha reservado um espaço para os ônibus do Botafogo em local próximo do Lago de Regatas, no bairro Belgrano. Às 3h40, desci do ônibus e coloquei meus pés pela primeira vez em terra estrangeira. Como estava exausto, não consegui sentir grande entusiasmo naquele momento. Mas reparei no local, que me encantou: era um imenso parque, muito arborizado, rodeado de bonitas casas e prédios baixos, que pareciam ser de classe média alta. Havia inúmeros ônibus, quase uma centena.

Muitos botafoguenses não tinham onde ficar e resolveram permanecer ali mesmo, no Lago de Regatas, até o horário do jogo. Perguntei quem poderia rapidamente compartilhar a internet para eu chamar um Uber que me levasse até minha locação, no bairro de San Telmo, a 11 km dali. Consegui logo com uma pessoa e pedi o Uber. O carro estava a 11 minutos de distância. Esperei, esperei, cansado da viagem. Pareceu um tempo infinito.

O carro finalmente chegou e me joguei esgotado no banco. Mas o motorista engrenou uma conversa, querendo saber o motivo da minha ida a Buenos Aires. Em um portunhol acabrunhado, contei que era a final da Libertadores. O motorista não se lembrava do jogo. Ele torcia para o Racing e foi bem simpático durante toda a corrida, que custou 15 709 pesos (na minha fatura do cartão de crédito, veio o valor de 102 reais).

Pela janela, apesar de ser de madrugada, pude admirar um pouco da cidade de Buenos Aires. As ruas estavam desertas, mas muito iluminadas. A beleza dos prédios me chamou a atenção: eles lembravam alguns edifícios antigos do Centro do Rio de que gosto muito. A diferença é que em Buenos Aires pareciam ocupados, com moradores prestes a acordar para um novo dia. No Centro do Rio, tenho sempre a impressão de que os prédios estão vazios. No Uber, meio acordado, meio sonolento, eu ainda estava em parte no Brasil, em parte em outro lugar.

Quando cheguei ao endereço da locação, na Rua Estados Unidos, meu coração se encheu de alegria, apesar do cansaço. Fui à lojinha que a proprietária havia me indicado e expliquei a situação, mostrando a minha troca de mensagens com a responsável pela locação. Eram 4h20. O homem da loja, Wladimir, então me pediu os 26 dólares. Coloquei a mão no bolso da bermuda para tirar a carteira, mas… onde estava a carteira? Fiquei desesperado. Abri minha mochila, tirei tudo de lá, procurei na bolsa onde estavam minhas roupas. Nada. Comecei a ter uma crise de ansiedade.

Wladimir percebeu meu nervosismo e tentou me acalmar. Nisso, chegaram duas moças e um rapaz de cerca de 20 anos, que pediram três panchos, uma espécie de cachorro-quente. Os jovens perceberam que eu estava nervoso e lhes contei o que estava acontecendo. Eles sugeriram que eu fizesse uma transferência bancária ou um Pix. Tentei, mas não consegui. Por que não fiquei com meus camaradas botafoguenses que não tinham onde se alojar e permaneceram no Lago de Regatas?

Por fim, tive um pensamento salvador: meu cartão de crédito estava cadastrado na carteira do Google e eu poderia usá-lo para o pagamento. Wladimir pegou a maquininha e me disse que 26 dólares era o equivalente a 32 175 pesos (208,77 reais na minha fatura), muito mais que os 26 438 pesos (154 reais, na cotação oficial). Completamente alucinado por um chuveiro e uma cama, eu paguei, mesmo sabendo que aquilo era uma exploração.

Passado o desespero de perder a carteira e ainda pagar a taxa extra, veio outro desafio: falar com a mulher da locação. Wladimir ligou várias vezes, sem sucesso. Já estávamos desistindo, quando, depois de mais de vinte tentativas, ela finalmente atendeu. Da conversa dos dois só entendi uma palavra: “Desastre.” Assim que a ligação terminou, ela me mandou uma mensagem no WhatsApp com todas as informações para entrar na casa. Eram quase cinco da manhã.

A casa era, na verdade, um casarão pintado de verde (a minha favorita) que foi transformado em habitação para aluguel de seus oito quartos, em três andares. Meu quarto era o de número 6, no segundo andar, e instantaneamente me lembrei do maior lateral esquerdo de todos os tempos, Nilton Santos – o que me assegurou que todas aquelas atribulações terminariam em final feliz. Abri a porta e fiquei encantado. Era um quarto pequeno, mas muito aconchegante. Corri para o chuveiro.

Depois do banho, abri a janela, que dava para uma varandinha, de onde era possível ver uma rua de San Telmo. Eram cinco e meia da manhã. O dia dava os primeiros sinais de que iria clarear. Em frente à lojinha do Wladimir, mais jovens paravam para comprar bebidas e panchos. Os prédios em volta eram bonitos e quase todos de arquitetura antiga. Fiquei olhando a rua, as pessoas, as habitações – e de repente me dei conta, completamente, que estava fora do Brasil. Fiquei emocionado e deixei cair algumas lágrimas. Para alguém como eu, que veio de onde eu vim, uma viagem ao exterior não é coisa simples. É mesmo algo impensável. Estar ali, naquela janela, vendo o amanhecer em Buenos Aires, me deu a sensação de uma vitória pessoal.

Fui me deitar às 6 horas e coloquei o celular para despertar às 9h30.

 

30 DE NOVEMBRO, SÁBADO_A adrenalina era tanta que acordei antes do despertador tocar. Às 9 horas, eu já estava de pé. Tomei outro banho, bem longo, e resolvi desfrutar um pouco do bairro San Telmo, um dos mais antigos de Buenos Aires e possivelmente um dos locais onde nasceu o tango. Antes, mandei mensagens para meus pais e Gabriela, com vídeos e fotos de onde eu estava. Queria compartilhar tudo com eles. Em seguida, mandei uma mensagem para o guia Rodolfo, falando sobre minha carteira. Ele disse que ninguém tinha encontrado nada, que o ônibus estava fechado desde que chegamos e que só abriria novamente ao meio-dia.

Eu andava pela rua sorrindo, vestido com minha camisa listrada do Botafogo do ano passado. Sou fã do design de todas as camisas lançadas pela nova fornecedora do time. Estou esperando lançarem a coleção 2025, para que a coleção 2024 entre em promoção. Prometi que, caso o Glorioso ganhe, eu vou comprar a do número do jogador que fizer o gol do título.

Passei por diversos botafoguenses nos poucos minutos de caminhada. Pude perceber em pouco tempo que estávamos em maior número que os atleticanos de Minas Gerais. Parei em um café que ficava a menos de 100 metros da casa onde eu estava, pedi um expresso, uma medialuna e três empanadas. Minha conta ficou em 9 dólares. Duas empanadas eu levei para o quarto e guardei em uma bolsa térmica que trouxe comigo: vou levá-las para o Brasil, assim compartilho um pouco da Argentina com minha namorada. Queria muito que ela estivesse ao meu lado nessa viagem, mas entendi que, para alguém que não é tão fã de futebol, seria muito perrengue.

Quando estava voltando para minha locação, fui parado por dois argentinos bem animados que disseram estar torcendo para o Botafogo. Um deles, depois de falar sobre sua simpatia pelos botafoguenses, me pediu dinheiro. Tive a impressão de que boa parte das pessoas em Buenos Aires iria me explorar o quanto pudesse. Mas eu sou cria da Baixada Fluminense e reconheço malandragem de longe (por outro lado, entendo aquela esperteza: a Argentina vive uma grave crise social, com um gigantesco número de pobres, por causa dos cortes de benefícios do governo Javier Milei). Falei para eles que não podia ajudar naquele momento.

Era pouco mais de 11 horas, e eu tinha de me apressar. No grupo de WhatsApp da viagem, avisaram que as pessoas com bagagem deviam levá-las para os ônibus, porque iriam fechar logo o bagageiro.

Aproveitei o wi-fi do quarto para chamar um Uber, que me levou de volta para o Lago de Regatas. A viagem custou 12 655 pesos (82 reais na minha fatura). O motorista era um senhor de cerca de 60 anos, que me contou nunca ter visto tantos brasileiros em Buenos Aires. Ele também era muito fã de futebol e estava encantado com a nossa camisa. Pedi para ele passar bem devagar pelo obelisco da Avenida 9 de Julho, no Centro de Buenos Aires, um dos pontos turísticos da capital. Naquele momento, eu lamentei não ter conseguido acordar mais cedo para passear pela cidade. Encantado com o lugar, já comecei a fazer planos para juntar dinheiro e voltar, da próxima vez de avião, acompanhado da Gabriela e com mais tempo. Ao me deixar no Lago de Regatas, o simpático motorista desejou boa sorte ao Botafogo.

Assim que cheguei, a primeira coisa que fiz foi procurar minha carteira. Ela estava exatamente embaixo do meu assento. Com meus dólares, meus documentos e meus cartões. Que alívio!

Deixei minha mala no bagageiro e fui conversar um pouco com o motorista Amaral. Ele desabafou comigo. Falou que estava muito cansado e que não via a hora de ir para o hotel repousar, à tarde. “O ônibus é uma máquina, mas quem está dirigindo não é, não”, ele disse.

Encontrei três companheiros do ônibus: a servidora pública Beatriz, Carlos e Silene. Carlos é historiador e fã do rapper Don L, assim como eu. Silene (que viaja no ônibus Nilton Santos) é aposentada, uma senhora gente finíssima e completamente fanática pelo Botafogo. Procuramos um lugar para almoçar. A garçonete riu muito da maneira como eu me comunicava com ela e quando pedi o prato mais barato do local. Era um frango com batata-frita, sem arroz, mas que me deixou satisfeito. Custou 9,2 mil pesos, uns 60 reais. Meus colegas botafoguenses pediram outros pratos, mas que não variavam tanto de preço.

De lá, fomos de Uber até perto das barreiras policiais no estádio Monumental de Núñez. Havia um mar de botafoguenses, e meu coração começou a bater forte. Aquilo estava realmente acontecendo. Fomos em direção ao estádio. Passamos sem problema pela revista policial (que inclusive é mais branda que a dos estádios brasileiros) e às 16 horas estávamos na entrada. A torcida, muito empolgada, cantava forte, mesmo faltando ainda bastante tempo para o início do jogo.

Nosso grupo se posicionou atrás do escanteio esquerdo, no setor 3C, cujo ingresso custou 60 mil pesos (345 reais na minha fatura). Quando me dei conta de que estava prestes a assistir ao jogo mais importante da história de 120 anos do Botafogo, não aguentei e chorei. Não era só eu: havia muitos outros chorando sem parar no estádio.

Assim que a partida começou, às 17 horas, mas antes mesmo que o Botafogo pegasse na bola, Gregore chutou a cabeça de um jogador do Atlético. Foi expulso aos 40 segundos de jogo. Nem o mais pessimista dos torcedores esperaria algo assim. Futebol é um esporte de espaço e tempo, e jogar com um craque a menos é uma desvantagem enorme. Nós jogaríamos com apenas dez em campo. A torcida, sentindo que se fazia necessária, empurrou e cantou mais alto ainda. Equilibramos o jogo. Até parecia que não estávamos com um homem a menos.

Quando Luiz Henrique, nosso Pantera Negra de mais de 100 milhões de reais (cada centavo gasto na contratação desse craque valeu a pena), acertou aquele chute e marcou o primeiro gol, o Monumental veio abaixo. Euforia total. Um gol com um homem a menos. Heroico.

Cinco minutos depois, uma confusão digna dos Trapalhões nos ofertou um pênalti, após a decisão do var. Quem cobrou foi nosso camisa 13, Alex Telles, que marcou o segundo gol. O roteiro não poderia ser mais cinematográfico. No segundo minuto do segundo tempo, mais um susto. Deixamos Vargas sozinho na área, que marcou de cabeça: 2 a 1. Teríamos mais 50 minutos de pleno sufoco. Eu havia enfrentado estoicamente cinquenta horas de ônibus apenas para ver este jogo. Agora, em plena partida, eu contava histericamente os milésimos de segundo que faltavam para ela terminar.

Cada minuto que passava, eu celebrava. No último lance do jogo, Júnior Santos, um jogador que se profissionalizou apenas aos 23 anos e que é um exemplo de superação, nos presenteou com o gol do título. Foi o milagre final – e a maior catarse que já experimentei. Explodi em um choro novamente. Outra vez, não foi só eu: milhares choravam ao meu redor. Há coisas que só acontecem com o Botafogo. Ser campeão da Libertadores jogando a final com um homem a menos durante a partida inteira é uma delas.

Assim que a partida acabou, tentei ligar várias vezes para o meu pai, mas não consegui. Gravei vídeos para ele daquela festa monumental no Monumental de Buenos Aires. Naquele momento, eu só queria abraçar o Sandrão, que me levou pela primeira vez a um jogo do Glorioso. Como eu amo meu pai, como eu amo o Botafogo! Minha mãe, que sempre apoiou todas as loucuras da minha vida, também não saía da minha mente. Tenho o privilégio de torcer para o melhor time das Américas e de ter os melhores pais do mundo. Pensando bem, a vida foi generosa comigo.

A comemoração se espalhou entre os botafoguenses. Eu não sabia que seria tão feliz com um título do Botafogo e que abraçaria tanta gente numa tarde só. Parecia que erámos todos iguais, sem diferença de classe ou de cor.

Voltamos ao Lago de Regatas, onde a festa prosseguiu. Bebemos e comemoramos. Até que a polícia argentina expulsou todos os ônibus das caravanas alvinegras do local, nos obrigando a sair antes do previsto. Era meia-noite. Os passageiros estavam todos contentes, mas esgotados pelo melhor cansaço do mundo.

Dentro do ônibus, de volta à poltrona 39, coloquei o fone de ouvido e dei play em uma das minhas canções favoritas desde a adolescência, Stab, do Planet Hemp. Essa música tem um verso que virou parte da faixa na arquibancada do Estádio Nilton Santos, no Rio: “Nossa vitória não será por acidente.” Como não foi.

Fechei os olhos. Parecia que eu estava no Paraíso, flutuando entre nuvens brancas, cercado de anjos alvinegros e iluminado por raios divinos, igualzinho a uma daquelas figuras que ilustram os livretos das Testemunhas de Jeová.

Dormi sorrindo.

 

1º DE DEZEMBRO, DOMINGO_Chegamos na fronteira argentina às oito da manhã. Esperamos por umas três horas até que a polícia liberasse nosso ônibus. O senhor na minha frente continuava a roncar. Às onze, entramos em território brasileiro. Em meia hora, estávamos na cidade de Uruguaiana e fizemos uma parada.

Meu sentimento de campeão me fez agir sem pensar, como ocorre com um torcedor em estado de euforia, e almocei na churrascaria local. Gastei 100 reais no almoço, mas comi feito um campeão. O restaurante estava tomado por botafoguenses. Em dado momento, eles começaram a entoar o hino do nosso time e várias músicas da torcida.

Às 13h30, deixamos Uruguaiana. Pouco tempo depois, alguém entupiu o vaso outra vez com papel higiênico. O guia Rodolfo ficou realmente bolado, assim como muitos passageiros. Ninguém assumiu a culpa. O cheiro de urina se espalhou pelo ônibus, mais forte ainda para quem estava sentado perto do banheiro, como eu. Para aliviar um pouco, fiquei cheirando minha manta, que ainda tinha um pouco do aroma da minha namorada, Gabriela. A servidora pública Beatriz percebeu que eu estava incomodado com o cheiro e me deu alguns lenços umedecidos aromatizados. Ela é mais uma escolhida: sua família é toda flamenguista, mas Beatriz se tornou uma alvinegra apaixonada. Foi o próprio guia, Rodolfo, quem limpou o banheiro.

Apesar disso, a volta para o Rio de Janeiro foi bem mais leve, em todos os sentidos, e mais etílica. Algumas pessoas bebiam uísque, outras, cerveja. Senti vontade de beber também, mas o medo de passar mal foi maior. Alguém havia postado no YouTube o jogo completo. Colocaram um celular no centro do ônibus e todos começamos a assistir a partida de novo. Vibramos a cada lance, como se não soubéssemos o que aconteceria. Comecei a ouvir as promessas de meus companheiros de viagem. Carlos disse que iria parar de fumar. Ewerton contou que, em homenagem ao Botafogo, faria sua primeira tatuagem. Eu prometi platinar meu cabelo. Muitos ali comentaram como o time era importante em suas vidas, na de seus familiares e principalmente na de seus pais.

Paramos novamente no posto da cidade gaúcha de Barracão para tomarmos banho. Ao desembarcarmos, os funcionários do local celebraram conosco.

 

2 DE DEZEMBRO, SEGUNDA-FEIRA_Às sete da manhã, chegamos em Curitiba e estacionamos em um posto, mas a polícia paranaense não nos deixou descer do ônibus. Fomos para o posto seguinte. Tomamos café e, depois, continuamos a viagem, rumo a São Paulo.

As pessoas estavam felizes, mas muito exaustas daquela viagem interminável. À medida que o ônibus se aproximava do Rio, minha vontade de rever Gabriela e Nina Simone só aumentava. Eu queria sentar no meu sofá de mola ensacada, tomar banho no meu banheiro, deitar na minha cama e poder, finalmente, relaxar.

Perto das 21h30, o ônibus me deixou no mesmo posto da Dutra, em Nova Iguaçu. Me despedi calorosamente dos meus companheiros de viagem, peguei minha mala e chamei um Uber. Depois de quatro dias, lá estava eu de volta à minha casa, agora campeão, tomado por uma paz e uma alegria incríveis.

Ao chegar, fui coberto de beijos humanos e caninos, da Gabriela e da Nina Simone. Tentei comer as empanadas com a minha namorada, mas, como era de se esperar, elas já não estavam muito apetitosas, depois da longa viagem. Pedi então uma pizza, abri um vinho e celebrei a vitória com meus dois amores. Depois, fiz uma longa ligação para contar a meu pai, lá em Guapimirim, como foi a viagem, o jogo, tudo. Valeu a pena viver cada segundo dessa saga e poder testemunhar o maior momento da história do Botafogo. Que a glória do Glorioso seja eterna.

Sandro Aurélio Jr.

É formado em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e trabalha como analista de creative data na agência Artplan

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