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Um tributo a Vidas Secas

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Um tributo a Vidas Secas

O livro Árido reúne contos de escritores nacionais contemporâneos sobre os sofrimentos, inquietações e angústias dos retirantes do século XXI

| 28 jan 2025_11h00
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Clássico da literatura nacional, Vidas Secas já inspirou filmes, novelas, pinturas, peças teatrais, ensaios e cursos acadêmicos. Publicado em 1938, o livro de Graciliano Ramos segue influenciando novos autores dispostos a explorar as experiências da família de Fabiano e Sinhá Vitória descritas na obra. É o caso de Árido: histórias de outras vidas secas, publicado em outubro passado pela editora Rocco.

Em cinco contos de escritores nacionais contemporâneos, o livro apresenta histórias que se passam nos dias atuais, mas dialogam com o Brasil complexo e opressor narrado por Graciliano Ramos há quase nove décadas. Os escolhidos foram Ana Paula Lisboa, Cristhiano Aguiar, Fabiane Guimarães, José Falero e Tanto Tupiassu (pseudônimo de Fernando Gurjão Sampaio), que adaptaram o texto original às suas respectivas regiões.

As narrativas escancaram os sofrimentos, inquietações e angústias dos retirantes do século XXI. Em Sítio Ruim, de Cristhiano Aguiar, Emanuel está se descobrindo enquanto mulher trans. Em Chuva Lenta, Tanto Tupiassu descreve a aflição e o desespero ao ver uma casa ribeirinha sendo invadida e levada pelas águas. Já Fabiane Guimarães, no primeiro conto do livro, mostra como o avanço tecnológico pode ajudar a deteriorar as relações humanas.

Árido expõe um Brasil moderno, mas ao mesmo tempo atrelado a estruturas arcaicas. Um país marcado pela violência, pobreza e desigualdade, as mesmas mazelas presentes na vida de Fabiano e Sinhá Vitória. Assim, o novo livro, além de um tributo, é também um alerta.