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O campo dos abandonados

    Campo de refugiados em Kalemie concentra famílias que fugiram da invasão do grupo rebelde M23 com o apoio do exército de Ruanda Imagens: Pedro Borges/ Alma Preta

questões sociais

O campo dos abandonados

Na República Democrática do Congo, pessoas deslocadas por conflitos armados aguardam uma ajuda que não chega

Pedro Borges, de Kalemie | 24 fev 2026_13h28
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Em uma área de Kalemie, a capital da província de Tanganyika, na República Democrática do Congo (RDC) vivem 1.627 famílias. Elas não são de lá. Foram obrigadas a sair de suas cidades de origem por causa de conflitos armados e a se refugiar em um campo de deslocados que foi montado em uma região ressequida do país, com escassa vegetação, ao qual se tem acesso depois de seguir por um caminho de terra batida, de difícil acesso, repleto de buracos.

O local fica a aproximadamente 400 km de Uvira, cidade tomada no dia 10 de dezembro de 2025 pelo Movimento 23 de Março (M23), grupo rebelde apoiado por Ruanda, que já conquistou Goma, a capital do Kivu do Norte, e, em fevereiro do ano passado, avançou sobre Bukavu, a capital do Kivu do Sul, onde fica Uvira, no Leste da RDC, região que vive conflitos armados desde 1996, nos quais já morreram mais de 5 milhões de pessoas, segundo a ONU.

No Tanganyika, como é chamado o campo de deslocados de Kalemie, os deslocados sofrem com a falta de apoio humanitário. Não existe nenhum impedimento de ordem militar para a chegada de alimentos ou de assistência – mas a ajuda não vem. “Estamos completamente abandonados. É isso, em poucas palavras”, diz Christian Tulinabo, de 45 anos.

Ele é natural de Bukavu, no Kivu do Sul, onde trabalhava como funcionário de ONGs que prestam serviços humanitários. Hoje é o secretário do acampamento, responsável por escrever relatórios sobre as atividades realizadas no local e receber visitantes. “Estamos aqui para sobreviver. Encontrar comida é difícil. Nunca recebemos uma visita que nos fornecesse uma refeição”, afirma Tulinabo, na tenda do comitê responsável pelo campo. Seus óculos de design moderno não conseguem ocultar o olhar triste e compenetrado.

Em suaíli, língua mais falada no Leste da RDC do que o francês oficial, Rebecca se comunicava de maneira ressabiada, sem querer compartilhar muitas informações sobre sua vida, nem mesmo o sobrenome (na RDC, por indicar a que família a pessoa pertence, o sobrenome facilita a localização dos parentes). “Esperamos que uma ONG nos dê comida. Já estamos aqui há cinco meses, quase sem nada para comer”, diz ela, preocupada com o essencial. Na casa dos 42 anos, está vestida com um gorro preto, apesar do calor, que chegava a 25°C naquele dia 18 de junho, quando estive no campo de deslocados de Tanganyika.

Rebecca conta ter decidido abandonar sua casa em Goma depois de um ataque no qual morreram uma de suas irmãs e um vizinho. As ruas da cidade ficaram cobertas de cadáveres e sangue. Ela veio para o campo com os dois filhos pequenos, em idade pré-escolar. Outros dois filhos que não tinham documentos de identidade ficaram em Goma, sob os cuidados do pai, que sempre manda notícias sobre as crianças. “Mal podemos esperar o dia de voltar”, diz ela. A primeira condição para isso é que o M23 se afaste de Goma.

Alima Sikamadi Yoel tem 54 anos, mas parece ter vivido mais. Com a expressão imóvel e abatida, ela também deixou Goma debaixo de um ataque de bombas. “O triste é que mataram nossas crianças, muitas, muitas, muitas crianças”, ela conta. Sua expectativa é que os políticos da RDC e de Ruanda cheguem a um acordo para que a paz volte a sua cidade natal. “Se Deus estiver com os políticos, se eles discutirem e acertarem as coisas, poderemos voltar para casa e procurar as crianças, que estão espalhadas.”

Não são muitos os que compartilham da esperança de Yoel. A comerciante Zigire Antoinette, de 43 anos, que vive no campo de deslocados com os quatro filhos, diz: “Eu não confio muito nos políticos do Congo porque, quando precisam do povo, eles vêm até nós. Depois de eleitos, só se interessam por suas próprias famílias. Não se lembram mais das pessoas que os elegeram.” Outros temem as astúcias de países vizinhos, como Ruanda, em articulação com o M23. Ela se recorda que o grupo já atacou a RDC em 2012 e acredita que, agora, o M23 está ainda mais decidido a tomar o país, de olho junto com Ruanda na exploração dos minerais congoleses. “A cada dia que passa, com os massacres que a gente vê, dia após dia, não temos mais confiança nos ruandeses”, diz Antoinette.

No campo de deslocados, a chegada de um serviço do governo congolês gera certa aglomeração na área central do lugar, onde pequenos comércios foram instalados de improviso. Perto de uma árvore, um pastor evangélico congolês oferece uma palavra de acolhimento. Naquele dia, uma criança havia morrido de malária. O pastor conforta um grupo de 25 pessoas, que ora fixam o olhar nele, ora miram o serviço de assistência.

O funcionário público Emmanuel Guy Dadeje, da Comissão Nacional de Refugiados, órgão do Ministério do Interior e Segurança da RDC, promete aos deslocados: “Vamos promover o acesso à água. Outros promoverão o acesso à educação e à saúde. E vamos construir uma vila. Chamaremos de vila de retorno ou de reintegração.” Um relatório da província de Tanganyika afirma que 65% das famílias deslocadas bebem água de poços artesanais não tratados ou do Lago Tanganyika, não muito distante dali.

Em Kalemie, a ONU ocupa um espaço que parece o de uma escola pública. Depois da guarita, o terreno é dividido em casas e escritórios. Na entrada de uma dessas casas, em uma varanda, pessoas com o uniforme das Nações Unidas se confraternizam, antes de cortar um bolo de chocolate. Parece uma festinha de aniversário, mas na verdade é de despedida.

Alguns funcionários que trabalhavam no campo de Tanganyika foram demitidos por causa de cortes no orçamento da organização, depois que o governo americano suspendeu sua contribuição milionária para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). A qualidade do apoio dado pela agência foi duramente afetada. Ao fundo da casa, depois de um pequeno quintal, o local onde antes era uma porta agora estava remendado com cimento. A porta dava para uma área de atendimento da ONU que foi devolvida ao proprietário, porque falta dinheiro para o aluguel. Além de não conseguir entregar alimentos, a ONU não consegue garantir lona para cobrir as tendas dos refugiados, feitas de madeira e palha, com aproximadamente 5 m² cada.

A estimativa é que existam 122 milhões de deslocados e refugiados no mundo. Em 2024, com um orçamento de 10,7 bilhões de dólares, a Acnur apoiou 36,4 milhões de pessoas. Quarenta por cento desse orçamento foi doação dos Estados Unidos. As coisas mudaram com a posse de Donald Trump, que tem reduzido os recursos de fundos e agências bilaterais. Principalmente o destinado à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês), que apoia projetos de ajuda humanitária em todo o mundo. Relatório divulgado em 18 de julho de 2025 pela agência da ONU apontou que a entidade deixaria de apoiar 11,6 milhões de pessoas.

Os cortes impactam a vida na RDC. “Com a decisão dos Estados Unidos, agências financiadas pelos Estados Unidos estão fechadas, como a Usaid e a Oxfam”, diz Dadeje. Em nota divulgada em fevereiro de 2025, a Oxfam criticou os cortes do governo americano. A organização internacional de ajuda humanitária afirmou que a Usaid era a principal doadora na RDC e que uma série de projetos depende do seu apoio. “Sem ela, as agências serão forçadas a tomar decisões terríveis de triagem, incluindo quem sobreviverá e quem poderá morrer desnecessariamente. A saúde de até 1 milhão de pessoas pode estar em risco devido ao impacto dessa decisão no trabalho das agências humanitárias na RDC”, diz a nota.

A chefe da delegação da Acnur de Kalemie, Cathie Danielle Monni, conta que houve um corte de 80% no orçamento do escritório. Antes, a divisão conseguia atender cinco áreas de deslocados. Hoje atende apenas três. “A gente sabe que não será possível fazer neste ano o mesmo que fizemos no ano passado”, diz ela. Na semana em que estive no campo de deslocados, crescia a esperança de que alguma ajuda viesse da Turquia e da Hungria. Também estavam em andamento diálogos com a Bélgica, a Suécia e o Japão para obter algum apoio. “Estamos enfrentando uma situação muito dramática”, afirma Monni.

Apesar disso, naquela mesma semana, a equipe da ONU no local havia recebido 4 mil lonas. Parece muito, mas não é. Toda a província de Tanganyika tem cerca de 395 mil pessoas na condição de deslocados ou refugiados – um número um pouco maior que a população de Rio Branco, capital do Acre. Além do campo de Kalemie, há outros na província em Kiyambi e Mbulula, para citar alguns exemplos. Desde a tomada de Goma e Bukavu pelo grupo M23, Kalemie recebeu entre 45 e 50 mil pessoas. Não há estimativa exata, mas a população da cidade é de cerca de 400 mil habitantes.

Muitas crianças vivem no campo de refugiados de Kalemie. Elas ficam vulneráveis à falta de infraestrutura do local

 

Conflitos armados atormentam a vida dos congoleses há muitas décadas. Eles não temem falar sobre isso, mas é possível notar sua expressão de cansaço com essa tragédia que parece não ter fim. A história da República Democrática do Congo é marcada pela violência desde o século XIX, quando o país chegou a ser uma propriedade pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica. Isso ocorreu depois da chamada Conferência de Berlim (1884-85), na qual as nações europeias repartiram entre si o território dos africanos com o objetivo de levar adiante a exploração colonial. Em 1908, o território no coração da África deixou de ser uma propriedade do rei e tornou-se colônia do Estado belga.

A colonização belga, que explorou sobretudo a borracha e o marfim, foi uma das empreitadas mais sádicas da história. Os congoleses, além de serem escravizados, eram torturados de maneira implacável e mortos sem piedade. Estima-se que os belgas mataram cerca de 10 milhões de pessoas – até que, em 1960, Patrice Lumumba foi vitorioso no movimento de independência do país que liderou.

A aproximação de Lumumba, na condição de primeiro-ministro, com a União Soviética incomodou americanos e europeus, tanto mais que estavam todos de olho na grande riqueza mineral da RDC. A Bélgica passou a estimular movimentos separatistas, em especial na província de Katanga, a mais rica em minérios, e a pressionar pela queda de Lumumba. Em 2 de dezembro de 1960, ele foi preso pelas forças de Moïse Tshombe, apoiado pelos belgas. Em 17 de janeiro de 1961, foi fuzilado, e teve seu corpo esquartejado e jogado numa solução com ácido, como revelou em 2000 o policial belga Gerard Soete, que integrou a operação de assassinato do primeiro-ministro. Em 2022, as autoridades belgas entregaram tudo que havia sobrado de Lumumba aos seus familiares – um dente revestido de ouro que havia resistido ao ácido e fora guardado por Soete.

O poder passou para as mãos de Mobutu Sese Seko, chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Lumumba, que também ajudara a depor o primeiro-ministro. Alinhado com os Estados Unidos, Mobutu governou de 1971 a 1997. Em 1994, em Ruanda, país vizinho da RDC, a rivalidade entre tutsis e hutus levou a um dos maiores genocídios de todos os tempos. Em cem dias, cerca de 800 mil pessoas foram mortas, sendo a maioria de tutsis, massacrados pelos hutus. Milhares de tutsis se refugiram na RDC, que abriu suas fronteiras aos perseguidos depois da pressão internacional. Não foram apenas os tutsis que fugiram para o país vizinho. Grupos armados hutus fizeram a mesma coisa, buscando escapar da justiça, depois da retomada do poder pelos tutsis em Ruanda.

Descontente com a falta de interesse de Mobutu em combater os algozes hutus escondidos no país, Ruanda encontrou em Laurent-Désiré Kabila, rival do presidente, um aliado estratégico. Com a ajuda do governo ruandês, Kabila iniciou em 1996 uma investida militar contra a capital Kinshasa. A Primeira Guerra do Congo, como ficou conhecida, acabou em 1997, com a derrota de Mobutu. Estima-se que 200 mil pessoas foram mortas no conflito.

Ruanda, contudo, não queria só derrubar Mobutu, mas influenciar o governo de Kabila. Mas Kabila não cedeu às pressões. As discordâncias impulsionaram a Segunda Guerra do Congo, também conhecida como a Guerra Mundial Africana, ocorrida entre 1998 e 2003. Contra os parceiros Uganda, Ruanda e Burundi, o governo de Kabila contou com a ajuda de Angola, Zimbábue, Namíbia, Sudão, Chade e Líbia. Cerca de 5 milhões de pessoas perderam a vida nessa guerra.

Kabila foi morto em 2001 por um dos seus guarda-costas. Um governo de transição foi criado, com o suporte da ONU. As eleições deram a vitória a Joseph Kabila, filho de Laurent-Désiré Kabila, que assumiu o governo da RDC em 2005.

Depois do fim da Segunda Guerra do Congo e com a eleição de Joseph Kabila, persistiram as tensões na parte Leste do país – que faz fronteira com Ruanda e Uganda. Os conflitos deixaram de acontecer entre exércitos e passaram a ocorrer entre grupos armados e milícias locais. A ONU estima que existam mais de cem grupos armados na região. O principal é o M23, que atua ali há longo tempo. O nome do grupo faz referência a um acordo de paz assinado em 2009, no dia 23 de março, que tinha como objetivo a inserção de pessoas de minorias étnicas, como os tutsis, vítimas do genocídio em Ruanda, na sociedade congolesa.

Os rebeldes entenderam que o acordo de paz fracassou, que as promessas do governo congolês foram descumpridas, e decidiram ocupar Goma, a capital do Kivu do Norte, em novembro de 2012. Permaneceram na cidade apenas por pouco mais de uma semana, mas desde então não deixaram de atuar na região. Representantes do governo congolês alegam que o M23 age com o apoio de Ruanda. “Os ruandeses vêm atacar a República Democrática do Congo para poder saquear o país, no sentido de explorar suas riquezas minerais bastante importantes”, me disse Benoît-Labre Mibanga NgalaMulume Wa Badidike, que foi embaixador da RDC no Brasil até agosto de 2025, quando assumiu Rosette Mossi Nyamale.

No meio científico, a República Democrática do Congo é conhecida como uma “anomalia geológica”, em razão da sua vasta diversidade mineral. Essa riqueza está concentrada, sobretudo, na parte Leste do país, próximo da chamada região dos Grandes Lagos, na divisa com Uganda, Ruanda, Burundi, Tanzânia e Zâmbia. Essa área, que tem vulcões ativos e outros já adormecidos, possui um subsolo extremamente rico.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), que pesquisa recursos minerais e energéticos em vários países, fez em 2024 uma listagem dos principais produtores dos chamados minerais críticos, necessários para os setores de tecnologia e militar, como é o caso do lítio e do cobalto, entre outros. A RDC, por exemplo, foi responsável pela extração de 76% do cobalto do mundo e 42% do tântalo. O USGS ainda destaca as reservas de estanho do país (com 120 mil toneladas), as de cobre (com 80 milhões de toneladas), de diamantes (150 milhões de quilates) e outras pedras preciosas (150 mil toneladas).

O governo da RDC acusa Ruanda de explorar ilicitamente os minérios do país e vendê-los no mercado internacional. “Existe mineração ilegal, exploração ilícita de madeira e até mesmo de produtos agrícolas”, diz Roberto Parente, embaixador brasileiro na RDC. “Milícias e grupos armados têm interesse em ganhar dinheiro com a exploração mineral.”

Os minérios da RDC são importantes para empresas de tecnologia. No início de 2025, o país acusou a Apple de empregar em seus produtos minérios extraviados de maneira ilegal. A Tesla, empresa de Elon Musk, uma das principais desenvolvedoras de carros elétricos, também foi acusada de se aproveitar dos minerais congoleses.

Não à toa, no dia 4 de dezembro passado, Donald Trump recebeu na Casa Branca, Felix Tshisekedi, presidente da RDC, e Paul Kagame, presidente de Ruanda, para a assinatura de um novo acordo de paz, durante uma cerimônia em que os dois mandatários africanos não apertaram as mãos ou mantiveram contato visual. O tratado se soma a outros. Em 27 de junho de 2025, foi assinado um que previa a retirada das tropas de Ruanda do Leste da RDC em noventa dias, o que não aconteceu, segundo as Nações Unidas. Na fileira de papéis assinados, ainda existe uma declaração de princípios por parte do governo da RDC e do M23, mediada pelo Catar. Nenhum dos documentos foi capaz de frear o conflito no Leste da RDC.

 

No campo de deslocados de Tanganyika, em sua tenda ao lado dos quatro filhos, a comerciante Zigire Antoinette conta que está sem comer há dois dias e meio. Ela tenta obter algum dinheiro para comprar alimentos, oferecendo-se para lavar roupas por 1 mil francos congoleses (cerca de 2,30 reais). 

Dados da província de Tanganyika afirmam que 90% dos deslocados estão sem qualquer renda. Alguns vão até o Lago Tanganyika para pegar areia e vender para a construção civil, um setor que está aquecido na cidade de Kalemie, sobretudo depois de 2024, quando uma enchente destruiu várias casas próximas do lago. O dinheiro que os refugiados obtêm por dia não ultrapassa 2 mil francos congoleses (cerca de 5 reais por dia), em média.

É a mesma quantia que Antoinette busca garantir diariamente para comprar comida, como farinha de milho e verduras. Outro recurso é se dirigir às montanhas e às florestas para caçar animais. Mas sair de sua cabana é sempre uma opção arriscada para uma mulher. Ela pode ser atacada ou estuprada. Não há dados sobre o que ocorre em Kalemie. Mas em Goma e nos vilarejos próximos, 10 mil mulheres foram vítimas de violência sexual entre janeiro e abril de 2025, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras.

Uma solução contra a fome encontrada pelos moradores do campo de deslocados foi a criação de uma pequena área para agricultura, com o plantio de mandioca, uma das bases da alimentação congolesa. Com a mandioca, as mulheres costumam fazer farinha, e com esta podem cozinhar, por exemplo, o fufu, prato típico da RDC.

Congoleses organizam uma horta de mandioca no campo de refugiados. A mandioca é utilizada para a produção de farinha, ingrediente necessário para o fufu, prato típico do país


Como a maioria das famílias no campo de deslocados prepara suas refeições em fogões a lenha improvisados, os incêndios são frequentes. Em junho passado, toda uma área do campo foi destruída pelo fogo. “A gente não tem paz. Estamos sempre preocupados com o fogo. Até brincadeiras de crianças com fogo podem produzir um desastre”, diz Antoinette.

Depois do incêndio recente, muitas pessoas estavam desoladas. Durante minha visita ao campo, vi uma mulher sentada sob as cinzas da sua antiga cabana. Ela estava imóvel e permaneceu assim até a hora em que fui embora. A mulher parecia não ter forças para se mexer.

 

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