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Na boca do lobo

    Zé Oswaldo (de vermelho), nas imagens de câmera de segurança, ao desembarcar em frente a um hotel no dia 7 de setembro: o sucesso extraordinário lhe valeu a alcunha de Lobo do Batel CRÉDITO: REPRODUÇÃO

carta de piraju

Na boca do lobo

Pequena história de um desastre coletivo

Felippe Aníbal | Edição 234, Março 2026

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José Oswaldo Dell’Agnolo teve uma trajetória fulminante. Filho caçula de um produtor rural, um homem rústico, à moda antiga, e de uma dona de casa que vive para a família, Zé Oswaldo, como é conhecido por todos, nasceu e cresceu em Piraju, uma bucólica cidadezinha de 30 mil habitantes, no interior de São Paulo. Conceituados no município, os Dell’Agnolo são donos há décadas de duas propriedades rurais – um sítio e uma fazenda – dedicados à cafeicultura e, principalmente, à pecuária bovina. Não eram ricos, mas viviam com conforto e segurança.

Nesse contexto, Zé Oswaldo cresceu em uma casa espaçosa, cuja varanda se estende por sete pilares. As portas e janelas dão para um jardim frontal. O imóvel fica em uma rua tranquila e arborizada, no Jardim Ana Maria, um bairro de classe média, situado nas imediações da Câmara de Vereadores e do Cemitério de Piraju. Apesar das ligações dos Dell’Agnolo com as lidas do campo, Zé Oswaldo sempre teve hábitos mais urbanos.

Depois de cursar o ensino médio numa escola particular, o rapaz foi aprovado no vestibular para administração, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Norte do Paraná, a 230 km de Piraju. Em 2002, começou a fazer o curso, mas seu histórico acadêmico mostra que estava longe de ser um aluno exemplar. Já no segundo ano de faculdade, foi reprovado numa disciplina. Em 2005, levou bomba em outras três e, no ano seguinte, trancou o curso. Voltou em 2007 e logo pediu transferência para outra universidade. Acabou mudando-se para Curitiba.

 

Na capital paranaense, sua vida tomou outro rumo. Zé Oswaldo começou a atuar no mercado financeiro como day trader – fazendo operações de compra e venda de ativos, em transações diárias. Aproximou-se do mercado por influência de um professor da UEL, a quem tinha como mentor. De cara, teve um tropeço e “quebrou”. Voltou a Piraju, mas assegurava que poderia fazer fortuna com os investimentos. Botando fé no filho, em 2008, seu pai, Tarcisio Dell’Agnolo, vendeu 15 alqueires de propriedades da família e deu o dinheiro para o filho recomeçar a investir no mercado financeiro.

Capitalizado, Zé Oswaldo retornou a Curitiba, retomou a rotina de day trader e desenvolveu um negócio altamente lucrativo. Operando no mercado, passou a oferecer investimentos com juros mensais que variavam entre 2,5% e 3% sobre o capital investido, um rendimento muito superior ao do mercado, que costuma trabalhar com percentuais em torno de 1%. Deu certo. Zé Oswaldo captou os primeiros clientes em Curitiba e, claro, na pequena Piraju, onde atraiu seus familiares e amigos próximos. Lastreado pela reputação idônea da família Dell’Agnolo e pelos rendimentos generosos, Zé Oswaldo cresceu rapidamente.

Em 2010, criou a Theboss Soluções de Softwares Inteligentes, sediada em Curitiba. Apesar de ser registrada como uma empresa de tecnologia, a Theboss era uma operadora financeira, que captava dinheiro de clientes e oferecia altos juros fixos. Com o passar do tempo, o negócio se tornou uma febre em Piraju. Quem tinha algum dinheiro sobrando e não investia na Theboss era considerado um tolo. O negócio se consolidou a tal ponto que se multiplicaram os relatos de famílias que venderam seus bens – casas ou carros – e passaram a viver dos juros pagos pela empresa de Zé Oswaldo – e Zé Oswaldo pagava os juros diligentemente, mês após mês, sempre em torno do dia 5.

 

Nessa onda, a família de Zé Oswaldo também entrou no negócio. Seu pai, Tarcisio, e um dos seus irmãos, Rafael Dell’Agnolo, passaram a captar novos clientes na cidade. “O doutor Tarcisio me convenceu. Ele falou: ‘Pode ficar sossegado. Eu vendi uma propriedade de uns 15 alqueires e mandei o dinheiro para ele [Zé Oswaldo]. Hoje, nós poderíamos comprar uma fazenda de 200 alqueires’”, relembra o aposentado Luiz Aparecido Buchler, que, em 2022, seguiu a dica e tornou-se um investidor da Theboss. Todo mês, recebia em torno de 20 mil reais de rendimento.

O padrão de vida dos Dell’Agnolo decolou. A família se desfez da caminhonete Pampa e do Golf modelo antigo e comprou uma S10, de cabine dupla. Em seguida, adquiriram novas caminhonetes. Em paralelo, Zé Oswaldo passou a investir na fazenda da família, implantando um sistema de confinamento de bovinos da raça nelore, com dois pavilhões. Comprou maquinários e implementos agrícolas, para o cultivo destinado à produção de silagem – voltada à alimentação do gado. O rebanho, dizem os amigos de Zé Oswaldo, superou as mil cabeças. Era tanto gado que os Dell’Agnolo tiveram que arrendar terras vizinhas para criar os animais.

Em Curitiba, Zé Oswaldo não deixou por menos. Passou a morar em um apartamento duplex na cobertura de um prédio no Batel, um bairro rico de Curitiba. Seu imóvel tinha ofurô e churrasqueira. Em 2017, contam os amigos, ele se deslumbrou com a série La casa de papel, da Netflix, em que o protagonista, o Professor, arma um plano para roubar a Casa da Moeda da Espanha. Zé Oswaldo dizia que admirava o tino estratégico do Professor que usou “o sistema contra o sistema”.

 

Pouco depois, ele trocou o apartamento duplex por um casarão de três andares no Vivenda Tabor, um condomínio residencial de luxo, localizado no bairro Campo Comprido. Seguindo a tradição dos novos ricos, passou a apreciar vinhos, charutos e automóveis importados. Preferia modelos da Porsche. Mesmo sem ter redes sociais, não era propriamente um homem discreto. A amigos e clientes, costumava enviar fotos e vídeos a bordo de seus carrões, em restaurantes ou na fazenda da família.

Nos finais de ano em Piraju, em uma chácara às margens do Rio Paranapanema, Zé Oswaldo promovia churrascadas por dias consecutivos para familiares, amigos mais chegados e alguns dos seus melhores investidores. O anfitrião deixava dois jet skis e uma lancha à disposição dos convidados. Para essas ocasiões, despachava um funcionário de Curitiba, conduzindo um caminhão-baú carregado com os produtos de que gostava, entre queijos diversos, vinhos selecionados e caixas de chocolates finos. Zé Oswaldo também aproveitava o recesso para falar de negócios: levava um notebook, em que exibia para quem quisesse ver – principalmente para clientes em potencial – apresentações e números da Theboss e o extrato milionário de suas contas bancárias.

Ele não frequentava baladas, não fazia noitadas. Enquanto sua família dormia na chácara, Zé Oswaldo pernoitava com a mulher no Hotel Beira Rio, de frente para o Rio Paranapanema. Aficionado em carros, gostava de exibir seu Porsche Cayenne pelas ruas da cidade. Em nome do irmão Rafael, chegou a comprar três veículos, entre eles um Jaguar e um Jeep Compass, que o familiar deu de presente de aniversário para a namorada. A ostentação dos Dell’Agnolo era a prova material da prosperidade crescente e, assim, atraía mais clientes, fazendo girar a roda da Theboss.

Por volta de 2022, Zé Oswaldo concebeu uma nova estratégia para captar investimentos: carros de luxo. Ele aceitava que os clientes lhe entregassem o veículo, que ele vendia e o dinheiro era diretamente aplicado na Theboss. O engenheiro civil e construtor Rodrigo Marques repassou seu Porsche 911, ano 2019, e deixou nas mãos de Zé Oswaldo os 600 mil reais. Marques começou devagar, até se certificar da segurança do investimento. Primeiro, aplicou 100 mil reais, num contrato trimestral. Deu certo. Então, desembolou mais 450 mil. Depois, o Porsche. Chegou a ter 1,2 milhão aplicado.

O esquema cresceu tanto que Zé Oswaldo passou a guardar os veículos em um barracão em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Chegou a receber entre 80 e 100 automóveis. Entre eles, o Volvo XC90 de Rafael Stuani. Neste caso, Zé Oswaldo ofereceu-se para comprá-lo por 350 mil reais desde que o dinheiro ficasse aportado por um ano na Theboss. Mês após mês, Stuani recebeu seu rendimento de quase 9 mil reais.

Dinâmico e criativo, Zé Oswaldo desenvolveu outro modelo de captação de clientes. Funcionava assim: os investidores faziam empréstimos em bancos e aportavam o dinheiro na Theboss, com a garantia de que o valor das prestações seria inferior ao rendimento que Zé Oswaldo pagava.

Com o avanço dos negócios, a Theboss se instalou em um edifício comercial espelhado em Curitiba, no bairro Água Verde. Em junho de 2023, Zé Oswaldo deu ainda um novo passo: criou um banco digital, o Futuree Bank, por cujo aplicativo os clientes podiam fazer novos aportes na Theboss. O Futuree Bank abriu sua sede no Batel. Àquela altura, Zé Oswaldo havia encontrado mais um atrativo para conquistar clientes: criou um software de inteligência artificial chamado Arno, capaz de fazer análises do mercado financeiro segundo a segundo, o que tornava quase impossível que fizesse um investimento equivocado. Ele e seus sócios faziam demonstrações da plataforma a clientes.

No rastro de seu sucesso, Zé Oswaldo sedimentou a fama de ser um “gênio dos investimentos”. A Theboss tinha cerca de mil investidores, principalmente em Curitiba, em São Paulo e em Piraju. Os aportes somavam quase 1 bilhão de reais – precisamente, 935,6 milhões de reais. Seu desempenho notável lhe valeu a alcunha de Lobo do Batel: uma referência ao bairro onde ficava o Futuree Bank e uma alusão ao filme O lobo de Wall Street, que conta a história de um corretor de ações cujo estilo agressivo lhe rende uma fortuna.

Até que chegou agosto de 2025.

 

Depois do quinto dia útil de agosto de 2025, os investidores da Theboss ainda não tinham recebido os juros das aplicações do mês anterior, contrariando o histórico de pontualidade da empresa. Por meio da conta no Futuree Bank, os clientes não conseguiam fazer saques nem transferências. Em Piraju, angustiados com o atraso, clientes tentaram contato direto com Zé Oswaldo, mas as mensagens de WhatsApp não eram entregues e as ligações não se completavam. A falta de acesso ao operador financeiro e a interrupção dos pagamentos deixou a cidade inquieta.

Mais um dia se passou e nada. Outro dia, e nada. O caso se tornou o assunto principal em rodas de conversa, em reuniões de família, em grupos virtuais, entre investidores e curiosos. Um dos clientes da Theboss, o aposentado Luiz Augusto Calesco, ficou tão desnorteado que começou a recorrer a ansiolíticos para dormir. Nascido em Piraju, ele morou na Grande São Paulo por mais de três décadas, estabelecendo-se como dono de uma distribuidora de livros universitários. Em 2018, um ano depois de perder a filha – que morreu de câncer – e depois que os negócios pioraram, Calesco decidiu retornar a sua cidade natal. Com o dinheiro obtido com a venda de dois imóveis, fez dois aportes na Theboss, totalizando 600 mil reais.

Dono de uma loja de som automotivo, Luciano Carneiro Borges estava ainda mais frustrado. No mês anterior, em julho, ele retirara o dinheiro que mantinha em uma poupança e aportara na Theboss. Ironicamente, vinha resistindo a fazer a aplicação por insistência de seu filho de 22 anos, que desconfiava que o negócio fosse um esquema de pirâmide financeira. Mas Borges acabou optando por investir na Theboss porque seus familiares – o pai, dois irmãos e um sobrinho – aplicavam na empresa havia anos e estavam satisfeitos. Duas semanas depois de fazer o primeiro aporte, Zé Oswaldo sumiu sem que Borges tivesse recebido um único centavo de rendimento.

No dia 7 de agosto, enfim surgiram as primeiras explicações – mas as notícias eram péssimas. Zé Oswaldo havia fugido. Deixara um bilhete à equipe da Theboss relatando divergências com parceiros, que estariam lhe extorquindo: “Pedindo valores altíssimos, mas isso é um ‘saco sem fundo.’” As famílias de Piraju levaram um susto, mas, na semana seguinte, finalmente, Zé Oswaldo deu o ar de sua graça. De volta a Curitiba, gravou um áudio que mandou distribuir aos clientes para acalmá-los. Disse que sua conta de pagamento dos rendimentos fora bloqueada e que estava trabalhando para resolver o entrave.

Ao ser cobrado por clientes, Zé Oswaldo respondeu a um deles, garantindo que havia dinheiro para pagar todos os investidores. “Não vim do nada, não”, escreveu, indignado. “Então, não mistura eu, não, com o pessoal maloqueiro que vocês veem na televisão”, arrematou. O problema, no entanto, permaneceu, o que fez a Theboss emitir uma nova nota de esclarecimento em 11 de agosto. Passaram-se dias, e nada mudou.

Em 4 de setembro, então, a Theboss fez outra nota aos clientes, também assinada por Zé Oswaldo, e dava a informação que todos esperavam: os pagamentos seriam realizados entre os dias 11 e 16 de setembro. Depois de mais de um mês de informações desencontradas, ou de falta de informações, havia razão para um certo alívio coletivo. Era possível que pelo menos alguns investidores recebessem seu dinheiro de volta, ou pelo menos parte do que haviam investido.

Chegou o dia 11, e nada. Dia 16, e nada. Pior que isso. Antes, em 7 de setembro, Zé Oswaldo havia fugido de novo. A prova de sua fuga estava em imagens de câmeras de segurança, nas quais se via Zé Oswaldo desembarcando de um carro de aplicativo em frente ao hotel Qoya, localizado no Batel, às 23h53 daquele 7 de setembro. Podem-se ver seus cabelos longos à altura dos ombros e sua barba abastada – visual que adotara havia alguns anos. Com calma, ele retira duas malas e uma mochila do porta-­malas de um carro branco e entra no hotel. Não chegou a pernoitar ali: pouco depois, ele deixa o Qoya a bordo de um táxi, levando a mesma bagagem e trajando o mesmo paletó largo com que chegou. Um rastreamento mostra que o táxi ruma então para o motel Luna Blu, também em Curitiba. Na madrugada, ele chama outro carro de aplicativo, que o leva ao litoral de Santa Catarina. Às 6h08, ele desembarca na Praia dos Amores, em Balneário Camboriú.

Dali, o Lobo do Batel sumiu. Seu silêncio durou três meses.

 

Piraju é uma cidadezinha aprazível cheia de ladeiras e de ruas de paralelepípedos, localizada no sudoeste paulista, perto da divisa com o Paraná. Fundada há 146 anos, ainda mantém alguns casarões do início do século passado, que remetem aos tempos de prosperidade com a produção de café. A cidade é cortada pelo Rio Paranapanema, com lagos de represa, corredeiras e cachoeiras, explorados para fins turísticos e esportes náuticos. Em 2002, foi reconhecida pelo governo de São Paulo como estância turística.

No fim do ano passado, quando a piauí visitou o município, Piraju mantinha suas lojas enfeitadas com motivos natalinos e abertas à noite, como qualquer cidade do interior. Tudo soava relativamente normal, com famílias tirando fotos na Casa do Papai Noel, instalada na principal avenida do comércio – a Dr. Domingos Teodoro Gallo –, e admirando a iluminação especial colocada na Praça Ataliba Leonel e na Igreja Matriz de São Sebastião, cuja linhas góticas estavam realçadas por fios de lâmpadas de LED. Com o calorão, os bares também mantinham mesas ocupadas à beira da calçada.

A aparência de normalidade escondia o tombo que abalou a cidade. A amigos próximos, Zé Oswaldo se gabava de ter ultrapassado a marca de duzentos clientes em Piraju, que investiram 150 milhões de reais na Theboss – uma cifra expressiva para um município pequeno cujo orçamento anual é apenas um pouco maior: 174 milhões de reais. “É quase um orçamento inteiro do município que sumiu”, lamenta o diretor do Departamento de Indústria e Comércio da prefeitura, Renato Lucas de Freitas, cujo cargo é o equivalente a uma secretaria municipal. Estima-se que os 150 milhões de reais de Piraju rendiam entre 3,7 milhões e 4,5 milhões por mês. “Esse dinheiro é o que girava a economia local, é o que circulava”, diz Freitas. Ele próprio conta que também aplicou na Theboss, mas prefere não revelar o tamanho do seu prejuízo.

A Associação Comercial e Industrial de Piraju (Acip) também aponta que, de agosto a dezembro, houve um recuo entre 20% e 30% nas vendas do comércio local, que é constituído por mais de quinhentos estabelecimentos. O presidente da Acip, Caique Motta, diz que o impacto foi generalizado. “É geral. Se você conversar com dono de mercado, vai ter essa reclamação, com dono de loja de roupas…”, enumera. “O comércio sentiu. Esse Natal, mesmo, foi diferente. Não tinha aquela movimentação, aquele ânimo das pessoas”, analisa. “É, não teve, não teve…”, conclui, pesaroso. Proprietário de uma loja de celulares e de produtos de informática, Motta afirma também ter sentido o baque nas vendas de varejo. Ele nunca aplicou na Theboss.

Muitos investidores nem sequer firmaram contrato com a Theboss: acreditaram em Zé Oswaldo, natural da cidade, e aportaram seus recursos no fio do bigode. A ruína provocou uma reação em cadeia no município. “Ele [Zé Oswaldo] não acabou comigo. Ele acabou com todo mundo”, desabafa o aposentado Luiz Aparecido Buchler, que perdeu as economias de uma vida inteira, cerca de 800 mil reais, acumuladas ao longo de mais de seis décadas de trabalho em oficinas mecânicas. “Eu estou comendo arroz, feijão e ovo”, disse à piauí, com o ar atônito. “Eu não tenho de onde tirar [dinheiro].”

Aos 76 anos, Buchler planejava se aposentar, cuidar da saúde e pagar todas suas dívidas acumuladas. Chegou perto. “O pagamento dos juros caía no Pix na minha conta no máximo no dia 5 de cada mês. Não tinha erro.” Quando os pagamentos cessaram, Buchler tinha acabado de saldar as dívidas e, enfim, começava a viver confortavelmente com os 20 mil reais que os investimentos lhe rendiam todo mês. Em agosto, ele estava prestes a “mexer nos dentes” – fazer implantes dentários –, mas o dinheiro não chegou.

Agora, Buchler vive dos 4 mil reais da aposentadoria do INSS, mas, como é cardíaco, diabético e hipertenso, gasta entre 2,5 mil e 3 mil reais na compra de dezessete medicamentos de uso contínuo. O único bem que lhe resta é a casa modesta de cinco cômodos, onde mora com a mulher desde o início da década de 1990. “Eu tinha colocado na Theboss a minha vida inteira, que eu trabalho desde os 12 anos”, lamenta.

O aposentado Luiz Augusto Calesco, que tomava remédio para dormir e perdeu 600 mil reais, acordava sobressaltado nos primeiros dias de suspensão dos pagamentos. “Só se pensa no lado negativo da coisa”, diz. Calesco recebia 12,5 mil reais por mês dos seus investimentos. Depois, demitiu a empregada doméstica e parou de pagar o aluguel da casa onde mora com a mulher e um neto. “Hoje em dia, a gente faz economia em tudo. Eu compro só o essencial.” Sobre o abalo na economia local, diz: “É um efeito dominó: Ele [Zé Oswaldo] derrubou um e o resto começou a cair.”

Dona de um salão de beleza há duas décadas, a cabeleireira Fernanda Carrara diz que as famílias de cerca de trinta mulheres de sua clientela investiam na Theboss. Quando os pagamentos foram interrompidos, seu faturamento também caiu entre 25% e 30%. Em razão disso, precisou demitir uma funcionária. Para não perder clientes, ela flexibiliza as condições de pagamento e faz promoções. “Essas clientes [que tinham investimento] vinham duas ou três vezes por semana no salão. Eu pude perceber que, nesses últimos quatro meses, teve cliente que veio uma vez a cada quarenta dias”, conta a cabeleireira, cujos familiares estão entre os investidores lesados.

Assim que os pagamentos da Theboss cessaram, Carrara – que também é vereadora pelo PSB – foi procurada por investidores, em busca de informações. Ela enumera casos que considera mais graves: “Famílias que venderam casa própria, que venderam seu comércio ou que pegaram seu dinheiro de acerto de aposentadoria ou de tempo de serviço [FGTS] e investiram tudo.” A vereadora teme que a crise se agrave ao longo de 2026. “Temos que nos preparar em dobro. Entre agosto e dezembro, algumas dessas pessoas tinham uma economia e conseguiram se segurar. Pode vir a piorar. Eu torço pra que isso não aconteça, mas pode, sim, vir a piorar”, avalia.

O prefeito Carlinhos Pneus (PL), assim chamado porque é dono de uma das maiores lojas de pneus da cidade, ressalta que, para muitas famílias, o rendimento desses investimentos tinha se tornado a única fonte de renda. “É a mesma coisa de um chefe de família que está ganhando seu salário, que está tocando a vida, e daqui a pouco ele é mandado embora”, compara. Já com a entrevista encerrada, antes de se despedir, o prefeito reflete: “Sabe por que eu não sou uma das vítimas? Porque eu não tinha um dinheirinho sobrando. Senão eu teria colocado lá. O negócio parecia bom.” A aparente segurança do modelo de investimento fez vítimas em todos os estratos sociais.

Um grupo de investidores lesados abriu uma investigação própria para descobrir o que aconteceu. Um deles é Rafael Stuani, o do Volvo XC90, que aprendeu técnicas de investigação num curso online de detetive. Em meados de setembro, o grupo enviou um relatório de sua apuração à Polícia Federal. O material descreve o esquema de Zé Oswaldo – clássica pirâmide financeira – e traz um relato minucioso da estrutura da Theboss e do Futuree Bank, com cópias de bilhetes e de notas da empresa. O dossiê foi subscrito por um dos integrantes do grupo, mas enviado à PF de forma anônima.

Outros investidores reagiram de maneira mais passional. Foram bater na casa dos pais de Zé Oswaldo em Piraju, para cobrar a família. Há relatos de que o imóvel chegou a ser apedrejado e de que os familiares foram ameaçados. Em depoimento prestado à Polícia Federal, Rafael, irmão do golpista, confirmou que ele e os pais estavam sofrendo “muitas ameaças por pessoas estranhas, por telefonemas estranhos”.

Em 24 de novembro, com a investigação do desfalque em curso, a juíza do caso, Gabriela Hardt, a mesma que substituiu o ex-juiz Sergio Moro, expediu um mandado de prisão preventiva contra Zé Oswaldo e autorizou a inclusão do nome dele na lista da Interpol. Hardt considerou que havia risco de fuga para o exterior e mandou bloquear bens que somam 56,8 milhões de reais, de um total de dezessete pessoas físicas ou jurídicas implicadas no esquema. Entre elas, estão Zé Oswaldo (1,9 milhão em dinheiro e imóveis), Rafael (6,4 milhões de reais) e Tarcisio (4,6 milhões). Na ocasião, a conta de Rafael, no entanto, estava “praticamente zerada”.

 

Na noite de 6 de dezembro, um sábado, rompeu-se o silêncio sobre o rumo de Zé Oswaldo. Naquele dia, véspera de completar três meses de fuga, o golpista foi preso em Itapema, no litoral de Santa Catarina. Estava com barba e cabelo aparados e hospedava-se no Blue Sea, um hotel de frente para o mar. Ele usava o nome falso de “Marcos Paulo Silva” e tinha uma mala carregada de dólares e reais, com o equivalente a 5 milhões de reais (721,3 mil dólares e 1,1 milhão de reais, em dinheiro vivo). Também foram encontrados com ele dez celulares, um computador, três relógios, chaves de veículos e facas. (Posteriormente, dois policiais militares de Santa Catarina foram presos, acusados de cobrar propina de Zé Oswaldo.)

Antes de tomar aquele táxi à noite para viajar até Balneário Camboriú, Zé Oswaldo estava agitado. Em depoimento prestado à Polícia Federal, sua mulher, Carolina, alegou que não sabia nem suspeitava de nada e contou como foram os primeiros dias logo depois da suspensão dos pagamentos da Theboss. Zé Oswaldo andava “meio nervoso” e “chorando bastante”, disse ela. Na primeira fuga, o casal se refugiou num chalé em uma chácara em Araucária, na Grande Curitiba, alugado via Airbnb. Ficaram no chalé durante quatro dias.

Na noite de 7 de setembro, já de volta em casa, em Curitiba, Carolina estava “apagada”, depois de tomar remédio para dormir e não percebeu quando Zé Oswaldo fez as malas e sumiu levando o aparelho de celular dela. “Eu nunca imaginei que, nossa, poderia ter tido todo esse problema. E ele só falava que estava sendo ameaçado e iriam matar ele”, disse à PF. Carolina garantiu que, depois disso, nunca mais viu o marido. Nos dias seguintes, fez um boletim de ocorrência na Polícia Civil informando sobre seu desaparecimento. A essa altura, Zé Oswaldo estava em algum lugar entre Balneário Camboriú e Itapema, onde foi preso.

No hotel de Itapema, de acordo com uma reportagem da RIC TV, afiliada da Record, em Curitiba, Zé Oswaldo trocou áudios com uma cam girl, que fazia lives em aplicativos. Segundo a emissora, nos dias anteriores à prisão, ele chegou a transferir 120 mil reais para a garota. Em um dos áudios, com voz de sedução, ele diz que acabara de tomar um “vinhozinho” e fumar um “charutinho”. “Espero que você durma bem e que tenha um dia maravilhoso amanhã, tá bom?”, despediu-se, antes de enviar à mulher beijos estalados. Os áudios caíram mal em Piraju.

“Nossa! Ah, [a reação foi de] perplexidade. Você começa a ficar abismado. Como é que pode um negócio desse?”, diz o prefeito Carlinhos Pneus. “[A sensação de ouvir os áudios] é não só de revolta, mas, assim, de ter sido traído, sabe?”, classifica o investidor Rodrigo Marques, ponderando: “O mínimo que ele deveria fazer é não fazer o que ele fez: ‘luxar’, vamos dizer assim… gastar dinheiro com mulher ou esbanjar.”

Ao ser interrogado pela Polícia Federal, Zé Oswaldo adotou um comportamento esquivo. Primeiro, abriu mão de ser representado pelo advogado da família, Norberto Bonamin Jr. Em seguida, disse que não responderia às perguntas porque não tinha defensor. “Quero permanecer em silêncio, porque até então não tive um advogado constituído que possa me representar”, disse o acusado, usando o uniforme alaranjado do presídio e já de cabelos e barba rapados à máquina zero. Justificou que Bonamin Jr. seria um advogado “na área econômica, não na área penal”. (Não é verdade. Bonamin Jr. se apresenta como advogado com atuação em direito penal e direito civil.)

No curso da investigação, a Polícia Federal concentrou-se nas atividades da Theboss de 2019 em diante. Neste período, identificou 606 investidores, que aportaram 360 milhões. Descobriu que Zé Oswaldo cuidava para não deixar suas digitais no esquema. Apresentava-se como sócio fundador da Theboss, mas a empresa sempre esteve em nome de laranjas. Alegava que não podia colocar no seu nome porque tinha contratos de operação com os bancos Morgan Stanley e o Credit Suisse. Seu banco, o Futuree Bank, não tinha registro no Banco Central, nem autorização para operar no mercado. Como a Theboss, o Futuree também não estava no nome de Zé Oswaldo.

Além da revenda de carros e dos empréstimos bancários, Zé Oswaldo também concebeu um esquema com cartão de crédito para captar mais investimentos. Ele tinha três empresas nas quais seus clientes faziam compras fantasmas com o cartão. Quando recebia dos bancos o dinheiro da “compra”, Zé Oswaldo repassava os recursos aos clientes acrescidos dos juros de 2,5%. Uma dessas empresas de fachada era a Brutus Nutrição Animal, que está no nome de Ivo Kasimirski. Em depoimento à PF, Kasimirski admitiu que, todo mês, fazia a distribuição do dinheiro por orientação de Zé Oswaldo.

Como o caso corre em segredo de Justiça e a PF não se manifesta sobre as investigações, não se sabe ao certo o que provocou o desmonte do esquema, nem o destino integral do dinheiro investido pelos clientes. No despacho de indiciamento a que a piauí teve acesso, a PF aponta “alargada confusão patrimonial” promovida por Zé Oswaldo entre suas empresas, mas não aponta o motivo que levou à suspensão dos pagamentos. Em geral, os esquemas de pirâmide financeira desabam quando o volume de dinheiro captado deixa de ser suficiente para manter a roda do golpe girando.

Em 4 de janeiro, o delegado Filipe Pace, da PF, concluiu sua investigação. Zé Oswaldo, que se encontra preso em Itapema, foi indiciado por dezessete condutas criminosas. Entre elas, gestão fraudulenta de instituição financeira, operação de instituição financeira sem autorização, crime contra o mercado de capitais, estelionato, crime contra a economia popular, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documento falso. Se for condenado por todas as acusações, pode pegar até 95 anos de reclusão.

Outras doze pessoas foram indiciadas. Tarcisio, o pai, e Rafael, o irmão, alegam que não participavam do esquema e suas contas foram usadas por Zé Oswaldo “sem que houvesse qualquer contraprestação ou benefício econômico decorrente dessa utilização”. E afirmam que seu patrimônio é compatível com a renda que recebem. Ainda assim, vão responder por crime contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, crime contra o mercado de capitais e organização criminosa – com penas conjuntas, que podem chegar a 22 anos de prisão.

Carolina, mulher de Zé Oswaldo, também alega que não fazia parte do esquema, nem sabia de nada, mas confirmou que o marido usava suas contas bancárias. Foi indiciada por lavagem de dinheiro, cuja pena pode variar de 3 a 10 anos. Ivo Kasimirski, ex-frentista de posto de combustíveis, contou que foi contratado por Zé Oswaldo como faz-tudo. Com o tempo, assumiu novas atribuições. “Até me sinto envergonhado de muita coisa, porque, assim, doutor, eu não notava”, disse ele em depoimento à PF. Foi indiciado por cinco crimes, incluindo lavagem de dinheiro e crime contra o mercado de capitais. Se condenado por todos, pode pegar entre 9 anos e meio e 32 anos.

 

Desde setembro, mês seguinte à interrupção dos pagamentos da Theboss, a família dos Dell’Agnolo deixou Piraju. Alastrou-se pela cidade a versão de que os pais e o irmão de Zé Oswaldo hospedaram-se na casa de parentes em Bauru, a 145 km de Piraju. De vez em quando, os Dell’Agnolo fazem curtas aparições na cidade. Um dia, Tarcisio é visto na agência do Banco do Brasil. Em outro, Rafael aparece comendo pastel com a namorada em uma feira noturna. Mas ninguém sabe se é verdade ou lenda urbana.

A ruína da Theboss provocou cisões entre os Dell’Agnolo, já que familiares – tios, outros parentes e a irmã mais velha, Maria Fernanda, que mora no exterior – aportaram altos valores em Zé Oswaldo.

Rafael morava em um dos únicos edifícios residenciais de Piraju, às margens do Rio Paranapanema, com sacada e uma ampla vista. Segundo o dono do edifício, Rodrigo Marques – aquele que entregou seu Porsche 911 para Zé Oswaldo –, o locatário deixou tudo para trás, sem pagar os mais de 4 mil reais de aluguel. “Ele [Rafael] pediu para a namorada ir lá buscar as coisas dele”, relata o construtor, que se ressentiu, porque também mora no prédio e mantinha uma relação de amizade com Rafael. “Não é pelo dinheiro, mas é a atitude. Poxa, vai lá e conversa comigo. E não sumir”, lamenta.

Segundo amigos próximos, a família também deixou de pagar pelas terras que arrendava para manter parte do rebanho. Uma dessas áreas é vizinha à Fazenda Ipiranga, de propriedade dos Dell’Agnolo. O arrendador chegou a reter os animais, até que o pagamento fosse feito. Na calada da noite, no entanto, a cerca foi rompida e os animais levados novamente para a propriedade dos Dell’Agnolo. O arrendador não quis conceder entrevista, mas confirmou o episódio à piauí.

Em Piraju, os investidores tentam assimilar o desastre coletivo provocado por um filho da cidade. “Eu acho que a palavra é tristeza [para definir] o sentimento de ter levado um golpe de uma pessoa que era de casa”, diz Rodrigo Marques. “Para fazer coisa errada, o cara [Zé Oswaldo] é um gênio”, disse Rafael Stuani, em entrevista concedida à piauí em dezembro. “Pensa numa pessoa psicopata. Ele é um cara quieto, observador. Ele observava seu jeito, do que você gostava, ele observava tudo em você”, completa Stuani, dizendo que Zé Oswaldo sempre foi educado e fazia o tipo boa-­praça, que ajudava a seduzir a clientela.

A vereadora Fernanda Carrara se preocupa com quem vendeu seus únicos bens e colocou todos seus recursos na Theboss. “São famílias que já não têm mais seus 30 ou 40 anos, têm mais de 65 anos, que dependiam desse dinheiro”, diz. Ao mesmo tempo, ela se aflige com os rumores de vingança contra a família. “Atitudes tomadas no calor da emoção podem destruir ainda mais as vidas e agravar a situação de cada um. Não se faz justiça com as próprias mãos. Um crime não se corrige com outro crime.”

Mas a cidade não parece muito convencida a se apaziguar. Em 29 de dezembro, a polícia prendeu um homem acusado de extorquir a atual namorada de Rafael Dell’Agnolo, com o objetivo de que ela revelasse o paradeiro da família. Para intimidá-la, o suspeito ameaçava incendiar a quitanda dos pais dela e passou a perseguir seus familiares. A prisão ocorreu em Cambé, no interior do Paraná, a cerca de 230 km de Piraju. A partir da análise do celular do acusado, a polícia descobriu que ele havia sido contratado por Rafael Stuani, para coagir e cobrar os Dell’Agnolo. A Justiça expediu um mandado de prisão contra ele. Stuani foi preso em 3 de fevereiro – pouco mais de um mês depois da entrevista concedida à piauí. Indiciado por extorsão, ele ficou detido por quatro dias e responde ao crime em liberdade.

A prisão de Zé Oswaldo, por sua vez, também não durou muito: exatos 47 dias. Em 22 de janeiro, a juíza Gabriela Hardt lhe concedeu liberdade provisória. Zé Oswaldo terá que usar tornozeleira eletrônica, não poderá se ausentar da Região Metropolitana de Curitiba, nem sair de casa à noite e em fins de semana. Ele também está proibido de exercer “qualquer atividade financeira, comercial ou particular” e de se comunicar com outros acusados. O advogado dele, Gustavo Luz, informou que Zé Oswaldo não “fará manifestações à imprensa”.

Em 13 de fevereiro, no entanto, o Ministério Público Federal pediu novas diligências para seguir o rastro do dinheiro aportado no esquema. Entre os novos passos, estão a perícia nos dez celulares, no notebook e no iPad apreendidos com Zé Oswaldo, além do rastreamento de ativos financeiros do acusado em Santa Catarina. O Ministério Público também solicitou a manutenção do bloqueio de bens dos investigados, “visando à futura reparação das vítimas”. Enquanto isso, corre em Piraju o boato insistente de que a família Dell’Agnolo enterrou malas de dinheiro na sua propriedade.

Felippe Aníbal
Felippe Aníbal

É jornalista radicado em Curitiba. Autor do livro Waltel Branco - O maestro oculto (Banquinho Publicações)

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