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esquina do oriente

Noites ruidosas

Seis brasileiros, dois países e uma guerra

Thallys Braga | Edição 235, Abril 2026

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BAHREIN

É madrugada de sábado, e seis brasileiros dormem em uma casa nas ilhas artificiais Amwaj, no Bahrein. São dois casais, um bebê de 2 anos e um homem solteiro. Os adultos dormem um sono pesado, pois atravessaram a sexta-feira celebrando o aniversário de um amigo solteirão. De repente, acordam atordoados, tentando entender de onde vem cada um daqueles barulhos infernais: as sirenes, os alarmes e as explosões.

Reunidos na sala de estar, eles logo descobrem que as sirenes da rua e os alarmes dos celulares foram acionados pelo governo para avisar que o pequeno país fora atacado. Agora sabem que não estavam sonhando: o que ouviram eram mesmo explosões. O Irã havia lançado mísseis contra a base militar americana no Bahrein como retaliação aos ataques que sofreu dos Estados Unidos e de Israel. A base fica a menos de 20 km da casa em que os brasileiros estão.

 

“O que nós viemos fazer aqui?”, pergunta Raissa Teixeira, engenheira de 35 anos, logo depois das explosões, naquele dia 28 de fevereiro. É uma pergunta retórica, porque ninguém ali tinha explicação para o que estava acontecendo. Os pais do bebê tentam acalmá-lo, enquanto os outros buscam informações na internet.

Conforme a madrugada avança, discutem se o mais seguro é ficar em casa, como o governo recomendou, ou pegar o carro para cruzar a fronteira do Bahrein com a Arábia Saudita, onde vivem a engenheira e seu marido, o jornalista Lucas Carrano. Ela não conta aos amigos, porque não quer aumentar a tensão deles, mas está com medo de virar uma nota de jornal. Consegue imaginar como será descrita pela imprensa: “A brasileira que deixou Minas Gerais para morrer no Oriente Médio.”

Amanhece. Os amigos passam o sábado sentados na sala, longe das janelas, temendo outra explosão. Raissa Teixeira não consegue largar o celular. Manda mensagens para a família no Brasil e acompanha as notícias do conflito no Instagram. Assim, fica sabendo que Donald Trump confirmou a morte do líder iraniano Ali Khamenei.

 

A informação deixa o grupo nervoso. Eles presumem que o Irã vai reforçar a ofensiva contra a base militar americana no Bahrein. “A gente tem que ir embora”, diz a engenheira. Eles fazem as malas depressa e entram no carro, a caminho da Arábia Saudita.

 

Raissa Teixeira e seu marido chegaram primeiro ao Bahrein, em 2016. Os dois se conheceram quando eram alunos da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG): ela estudava engenharia civil, e ele, jornalismo. Por um tempo, moraram juntos em Divinópolis, enquanto planejavam se mudar para o Canadá. Refizeram os planos quando Lucas Carrano recebeu uma proposta para trabalhar na comunicação de um evento esportivo no Bahrein, pequeno país árabe do qual nunca tinham ouvido falar.

“O Bahrein é a Las Vegas do Oriente Médio”, diz Teixeira. Ela conta que os sauditas costumam cruzar a Ponte do Rei Fahd (que liga a Arábia Saudita ao Bahrein) para beber nas boates e bares da capital Manama, porque a venda de bebidas alcóolicas não é proibida no país em áreas determinadas. Foi isso o que primeiro surpreendeu o casal de brasileiros: apesar de estarem num país muçulmano, muitas pessoas se comportam como os ocidentais na maior parte do tempo.

 

No Bahrein, as mulheres também não são obrigadas a vestir abayas e hijabs. “Eu nunca me senti tão segura como aqui”, diz ela. “Alguns homens buzinam, tentando chamar a atenção das mulheres, mas não se aproximam de nós.” Nos documentos dela e do marido consta que os dois são cristãos, mas a engenheira diz que isso nunca foi problema – eles só não têm autorização para entrar em Meca e Medina, na Arábia Saudita, as cidades sagradas do Islã.

Raissa Teixeira entendeu melhor a cultura do Bahrein quando foi admitida como professora em uma creche. As colegas de trabalho, moças bareinitas, convidavam a brasileira e o marido para se juntarem às suas famílias nas datas comemorativas, como o Eid al-Fitr, a festa que celebra o fim do jejum do Ramadã, período mais sagrado do calendário muçulmano.

Em junho do ano passado, o casal teve uma pista do que estava por vir: Irã e Israel entraram em conflito, e mísseis cruzaram o espaço aéreo do Bahrein. As escolas do país foram fechadas por ordem do Ministério da Educação. “O governo acionou as sirenes e disparou mensagens no celular recomendando que a gente ficasse em casa”, conta a engenheira, que correu ao supermercado para estocar garrafas de água e pipoca de micro-ondas. “Foi exigência do meu marido, que não sabe ficar sem pipoca.” As restrições duraram menos de 24 horas. No dia seguinte, ela retomou o trabalho na creche.

No fim do ano passado, Carrano recebeu uma proposta para trabalhar com eventos em Riad, a capital da Arábia Saudita. O casal deixou a vida quase provinciana do Bahrein, país com cerca de 1,5 milhão de habitantes, para morar numa cidade com cerca de 7 milhões de pessoas. “Nós estávamos animados para conhecer os árabes, conversar com outros estrangeiros, queríamos fazer amigos”, conta a engenheira. “Mas ainda não tivemos oportunidade de conhecer quase ninguém aqui.” Ela tampouco conseguiu arranjar um novo emprego.

 

A viagem de carro dos seis brasileiros até a Arábia Saudita durou cerca de cinco horas naquele sábado, dia 28 de fevereiro. Raissa Teixeira e o marido acomodaram os amigos da maneira mais confortável que conseguiram em seu pequeno apartamento térreo em Riad. “Eles não sabem quando vão voltar para o Bahrein”, diz ela. Aliado dos Estados Unidos, o Bahrein é destino frequente de drones iranianos.

À noite, os seis brasileiros se deitavam amontoados na sala do apartamento, o mais longe possível das janelas. Nem sempre conseguiam dormir. “É um nível de estresse muito alto.” Em meados de março, as ruas de Riad estavam ermas, quietas.

Antes de se mudar para Riad, a engenheira ainda pensava em voltar para o Brasil, ou em tentar a vida no Canadá. Depois da mudança, ela cogitou, pela primeira vez, passar o resto da vida com o marido no Oriente Médio. “Começou a me parecer uma boa ideia constituir uma família na Arábia Saudita.” Agora que o país vem sendo alvo de mísseis do Irã, ela já não sabe se ficar é mesmo uma ideia boa. “Mas eu gostaria muito, muito de ficar aqui.”

Thallys Braga
Thallys Braga

Repórter da piauí

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