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A volta ao mundo em boas séries

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A volta ao mundo em boas séries

Um roteiro com produções de treze países, que não passa por Hollywood e nem pelo Projac

Miguel Barbieri Jr., especial para a piauí | 01 jan 2026_09h40
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Se o audiovisual americano domina o streaming, há muitas séries brasileiras que caem no gosto do público. Vale a pena, porém, dar chance para produções de outras nacionalidades. A Netflix é uma boa plataforma para caçar títulos de países diversos, como Índia, Argentina e Turquia. Disney+ e HBO Max também guardam títulos interessantes.

A lista abaixo contempla treze atrações que são, em grande parte, programas que podem ser maratonados em um só dia ou um fim de semana.

 

Argentina – O melhor infarto da minha vida – Disney+

 

O título é irônico, mas a história é real. O portenho Ariel (Alan Sabbagh) é um redator que está acima do peso, fuma muito, está se divorciando e precisa escrever uma biografia, de um sujeito que ele detesta, em apenas três semanas. Estresse pouco é bobagem! Numa viagem a Montevidéu, acompanhado de uma dançarina espanhola, ele sofre um infarto, e a partir daí as coisas param de piorar.

 

Austrália – Vinagre de maçã – Netflix

 

Lançada pela Netflix no início de 2025, essa minissérie também traz uma história real. O roteiro se apega no humor mórbido, sobretudo pelo caráter duvidoso e dissimulado da protagonista aproveitadora. Ela é Belle Gibson (papel da ótima Kaitlyn Dever), uma jovem australiana que sempre quis ser famosa e conquistou seu objetivo ao contar em seu blog que tinha câncer terminal no cérebro. Virou influenciadora digital, ganhou milhares de seguidores nas redes sociais e, para faturar uma grana, lançou um aplicativo de comida saudável, uma ideia extraída de uma escritora que passou por um tratamento natural oncológico. O xis da questão: a doença de Belle Gibson é fato ou fake?

 

Coreia do Sul – Barganha – Paramount+

 

A rica dramaturgia televisiva da Coreia do Sul vai muito além dos doramas. Barganha se passa num hotel de luxo quando um homem se instala para transar com uma garota de programa. O primeiro episódio termina com uma explosão ensurdecedora, o que acaba deixando a construção prestes a desabar. E é nesse cenário caótico que outros personagens, a maioria inescrupulosos, tentam sobreviver. São seis episódios de ação vertiginosa, todos filmados em planos-sequência, ou seja, não há cortes entre as cenas. Quem embarcar na proposta será bem recompensado.

 

Espanha – Cristóbal Balenciaga – Disney+

 

Quem gosta de moda ou de uma biografia não pode perder essa minissérie sobre um dos maiores nomes da alta costura. Embora tenha feito carreira na França, Cristóbal Balenciaga nasceu na Espanha e fugiu de seu país, junto de seu companheiro, durante a Guerra Civil, no fim da década de 1930. Foi em Paris que ele ganhou um sócio e abriu sua maison. A trama, desenvolvida em seis episódios, é recheada de acontecimentos importantes, como a amizade de Balenciaga com Coco Chanel, a rivalidade com Christian Dior e a paixão platônica por Givenchy. Alternando passado e presente – ele morreu em 1972 -, a história chega até os últimos dias do costureiro que vivia a homossexualidade no armário, recusava entrevistas e odiava ser fotografado. Bela atuação de Alberto San Juan, que interpreta o protagonista do início ao fim.

 

França – Carême – O rebelde da culinária – Apple TV+

 

A Apple TV+ ainda não confirmou a segunda temporada e, embora algumas pontas fiquem soltas, dá para se envolver e não se frustrar com a história de base verídica de Marie-Antoine Carême (1784-1833), um jovem chef de cozinha que agitou a corte francesa com pratos de dar água na boca. Para livrar seu pai adotivo da cadeia, o rapaz faz conchavo com um ministro interessado no poder. Carême não baixava a cabeça, era perseverante em seus objetivos e, verdade ou não, foi o intermediário para convencer Louis XVIII, que estava exilado, a desistir do trono. A recriação de época impressiona pelos detalhes e as locações são magníficas. Além das qualidades técnicas, Benjamin Voisin, o novo queridinho do cinema francês, de 28 anos, tem talento, carisma e sensualidade para agarrar com unhas e dentes o papel do protagonista.

 

Grécia – O maestro e o mar – Netflix

 

É a primeira série grega da Netflix e, em três temporadas, resolve mistérios e finaliza romances ao longo dos dezenove episódios. O protagonista é Orestes (Christopher Papakaliatis), um professor de música que, vindo de Atenas, chega à pequena (e deslumbrante) ilha de Paxos. Ele foi contratado pela prefeitura para organizar um festival e montar uma orquestra com os habitantes. Separado da esposa, o quarentão acaba se encantando – e vice-versa – com a jovem filha do prefeito. O irmão dela, por sua vez, gosta de um rapaz bissexual e ambos vivem no armário, já que as fofocas rolam soltas no vilarejo. Como se nota, os dilemas sentimentais são iguais aos das metrópoles e o roteiro é desenvolvido como um bom novelão contemporâneo, só que falado em grego e sustentado em paisagens estonteantes.

 

Índia – Por trás da névoa – Netflix

 

O sucesso da série policial indiana foi grande e a Netflix já anunciou para breve uma segunda temporada, porém com um novo crime a ser solucionado por uma dupla de detetives. O crítico painel que se faz da Índia acaba sendo mais interessante do que descobrir a identidade de um assassino, já que o enredo também trata de violência doméstica, agressões a jornalistas, corrupção e o patriarcado dominando Punjab. É neste estado do noroeste da Índia que o corpo de um indiano, residente em Londres, foi encontrado num matagal. Ele está no país para seu casamento arranjado e seu melhor amigo, um inglês, está desaparecido.

 

Inglaterra – O bebê – HBO Max

 

Minissérie inglesa que faz uma criativa mistura de humor ácido, drama, suspense e um pouquinho de terror. Natasha (Michelle de Swarte) não quer ser mãe de jeito nenhum, mas está rodeada de amigas com filhos. Quando se isola num chalé para refletir sobre sua decisão, algo inusitado acontece: um bebê cai literalmente em seus braços. E quanto mais ela tenta se livrar dele, mais a criança se apega a ela. Outras bizarrices vão ocorrer ao longo dos oito episódios curtinhos, que tratam de temas sérios, como a recusa da maternidade, rejeição e abandono infantil.

 

Itália – Tudo pede salvação – Netflix

 

É fácil se emocionar com essa série italiana, que tem um protagonista inquieto e cheio de energia e atitudes, um papel que cai bem para o talentoso Federico Cesari. O personagem foi extraído do livro autobiográfico de Daniele Mencarelli e mostra como um jovem, que exagerou nas drogas e agrediu o pai, foi internado à força num hospital psiquiátrico de Roma. Durante uma semana (cada episódio corresponde a um dia), Daniele vai passar por um processo de superação no contato com outros pacientes de seu quarto, pessoas que, embora com transtornos mentais, têm a bondade e a solidariedade no coração. Na segunda temporada, Daniele volta à instituição, só que como estagiário em enfermagem.

 

México – O segredo do rio – Netflix

 

A minissérie trata de temas contemporâneos sensíveis, como a homossexualidade na infância e a transição de gênero. O jeito feminino de Manuel, de 8 anos, faz com que o garoto seja ridicularizado e vítima de chacotas no pequeno vilarejo onde mora sua avó. O único que o acolhe e não liga para as fofocas é Erick, cujo pai espuma preconceito e homofobia pela boca. Após um incidente, que provoca a morte de uma pessoa, os amigos guardarão um segredo até ficarem adultos. É quando a história dá um salto no tempo e mostra o reencontro deles em situações conflitantes.


Polônia –
Apenas um olhar – Netflix

 

Quem é leitor do escritor americano Harlan Coben deve acompanhar (e devorar) as minisséries inspiradas em seus livros produzidas pela Netflix, como a francesa Desaparecido para sempre e a espanhola O inocente. A Polônia também investiu num texto do autor adaptando uma trama de mistérios, que é a especialidade de Coben. Vale o recado: preste muita atenção porque há vários personagens e quase todos como nomes difíceis de serem guardados. O título vem do desespero de um homem ao olhar uma fotografia antiga. Ele sai de casa e desaparece sem deixar vestígios. Preocupada com o sumiço dele, sua esposa decide investigar a origem da imagem e embarca numa teia de suspense com desfecho para lá de inesperado.

 

Suécia – Clark – Netflix

 

Talvez essa seja a melhor minissérie sueca da Netflix, porque as qualidades são muitas. É uma história verídica e contada sob a ótica sagaz e bem-humorada do protagonista, um dos bandidos mais procurados da Suécia, que deu origem ao termo “síndrome de Estocolmo” (quando a vítima desenvolve vínculo de afeto com seu algoz). A recriação das décadas de 1970 e 1980 é impecável, e Bill Skarsgård se esbalda na pele do personagem principal. Clark começou a roubar por diversão na infância e, já adulto, desenvolveu dois apetites: o sexual e o de assalto a bancos. Uma trama que poderia cair no convencional ganha colorido pop, edição agitada e apetitosas colagens visuais. Os seis episódios passam voando.

 

Turquia – De quem estamos fugindo? – Netflix

 

Os sete episódios da minissérie turca são hipnotizantes, seja pela trama de mistério e suspense, seja pelas maravilhosas locações na Turquia (o capítulo do inverno na Capadócia é um deslumbre à parte). O título dá o tom da história, repleta de interrogações. Mãe e filha estão sempre em fuga. Elas se hospedam em hotéis caros e somem para outro destino sem pagar as contas. Mas de quem elas estão fugindo? O interessante é que os primeiros episódios sempre terminam com uma morte, o que torna tudo ainda mais intrigante.

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