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Celular de Vorcaro expõe métodos mafiosos e cai como bomba no STF

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Celular de Vorcaro expõe métodos mafiosos e cai como bomba no STF

| 06 mar 2026_10h21
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:

Conteúdos citados neste episódio:

 

“A contaminação”, reportagem de Consuelo Dieguez para piauí.

 

“Vorcaro falou a Alexandre de Moraes sobre salvar Master no dia em que foi preso em 2025”, coluna de Malu Gaspar para O Globo.

 

“BC descobre irregularidades na venda de ativos do Master ao BRB”, coluna de Lauro Jardim para O Globo.

 

‘“Isso é fraude, é fraude contábil!”’, reportagem de Ana Clara Costa para a piauí. 

 

“Como Vorcaro e comparsas invadiram sistemas da PF e PGR para roubar dados sigilosos”, coluna de Malu Gaspar para O Globo.

 

“Caro advogado, quanto vale tua OAB?”, coluna de Conrado Hübner Mendes para a Folha.

 

“Mulher de Moraes registrou novo escritório em Brasília no dia da ampliação da Lei Magnitsky”, coluna de Lauro Jardim para O Globo.

 

“PF investigará operação bilionária do Master com fundos de pensão de estados e municípios”, coluna de Malu Gaspar para O Globo.

 

“Estratégia do caos do Irã desafia ‘doutrina do louco’ de Trump”, reportagem de Patrícia Campos Mello para a Folha.

 

 

 

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:

 

Sonora: Rádio piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista piauí.

Sonora: E o banco foi crescendo de forma ilegal e dando prejuízos ao erário público. Isto é a realidade dos fatos agora. Por isso, Zettel e Vorcaro estão presos.

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!

Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!

Sonora: Eu operava normalmente, investia em clubes, empresas, em eventos, ele, inclusive, tinha uma parte do time do Galo. Aí imagina o jogador do Galo responder agora “ah porque o cara que investiu em você fez um rolo lá no futuro depois”… O que tem a ver cara?

Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.

Sonora: We were having negotiations with these lunatics, and it was my opinion that they were going to attack first. They were going to attack. If we didn’t do it

Fernando de Barros e Silva: Antes da gente entrar nos assuntos da semana, eu tenho um recado para vocês, ouvintes: a gente quer lembrar que vocês encontram a transcrição de todos os episódios do Foro no site da piauí. Encontram também os links das reportagens e textos que a gente cita ao longo do programa.

Fernando de Barros e Silva: Agora sim, vamos aos assuntos da semana. A gente abre o programa com o novo e explosivo capítulo do escândalo do Master, que veio a público na quarta-feira. A terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, resultou na volta de Daniel Vorcaro à prisão e na tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, vulgo Sicário, que também foi preso. A Polícia Federal diz que ele tentou se enforcar com uma camiseta na cela da superintendência da corporação em Belo Horizonte. Até a noite de quinta, ele estava internado em estado gravíssimo. Sicário era o líder da milícia privada de Vorcaro, chamada de “A Turma”, conforme consta em seu celular. Numa das conversas entre o banqueiro mafioso e seu capanga, Vorcaro diz sobre o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo: “Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes num assalto”. Na operação da PF, além de Vorcaro e do Sicário, foram presos, em São Paulo, o cunhado dele, o dublê de pastor e empresário Fabiano Zettel, o cara que comprou parte do Tayayá, da família Dias Toffoli, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, que fazia arapongagem ilegal a serviço do ex-banqueiro. Quatro outros investigados vão usar tornozeleira eletrônica, entre eles o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e o ex-chefe do departamento de supervisão do banco Belline Santana, ambos nomeados para seus cargos na gestão de Campos Neto. Tudo isso veio à tona porque o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, autorizou a operação da PF, fazendo o que Toffoli se negou a fazer por razões cada vez mais óbvias. O procurador geral da República, Paulo Gonet, havia pedido mais tempo para se pronunciar sobre a operação. Mendonça recusou esse estranhíssimo pedido de Gonet, já que, entre tantas coisas, a vida de um jornalista corria risco real. As conversas dos celulares de Vorcaro deixam muita gente graúda em situação muito ruim. O senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, é bom lembrar, é um deles. Descrito por Vorcaro à namorada como “um dos meus grandes amigos de vida”, Ciro Nogueira aparece, pelo menos, 14 vezes nas conversas divulgadas. Esse amigo de vida só escapará da cadeia se tudo terminar numa pizza do tamanho da represa que existe em frente ao Tayayá. Outro que se complica bastante é o ministro Alexandre de Moraes. Há várias menções a ele no celular de Vorcaro. No dia 19 de abril de 2025, no sábado, o banqueiro informa sua namorada, Martha Graeff, sobre o encontro com Moraes: “Estou indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”. Graeff questiona se Moraes estaria em Campos de Jordão. “Como assim, amor? Ele está em Campos ou foi para te ver?”. Vorcaro responde: “ele está passando o feriado”. Se isso é muito ruim, isso não é o pior. Na tarde desta quinta feira, a jornalista Malu Gaspar revelou que Vorcaro ligou para Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez, logo pela manhã. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, pergunta Vorcaro ao ministro, em 17 de novembro. As respostas de Xandão logo a seguir foram feitas por mensagens de visualização única que somem depois de abertas. Foram três mensagens e a gente continua querendo saber: e aí, ministro Alexandre de Moraes, conseguiu ter notícia ou bloquear? Na noite desta quinta, a assessoria de imprensa do STF soltou uma nota. Segundo a qual “o ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens. Trata-se de ilação mentirosa, no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”. Então tá. Ou Tayayá. Disso tudo a gente vai tratar nos dois primeiros blocos do programa. No terceiro, a guerra. Desde que Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã e assassinaram o líder supremo do país, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, o conflito se espalhou pela região e vem escalando sem perspectiva de trégua. Intensamente bombardeado, o Irã revidou lançando mísseis contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos, como o Kuwait, os Emirados Árabes e o Catar. Aliado do regime iraniano, o Hezbollah atacou Israel e Israel bombardeou o Líbano pesadamente. Se havia no início o objetivo declarado de derrubar o regime iraniano, com o passar dos dias, o discurso de Trump foi mudando. Destruir a capacidade de mísseis do Irã, aniquilar a Marinha iraniana, impedir que o país construa armas nucleares e impedir que o regime patrocine grupos terroristas. O discurso muda, o que não se altera é a psicopatia do líder americano, aliado de Benjamin Netanyahu, nessa cruzada da insensatez que empurra o planeta para a beira do abismo. É isso. Vem com a gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, vamos começar com você. Tem um pacote extenso de assuntos relacionados à prisão do Vorcaro, a esse suposto suicídio que ainda precisa de esclarecimentos, ao conteúdo que já veio à tona do celular do Vorcaro, a ameaça que ele fez ao jornalista Lauro Jardim… Eu deixo você começar por onde você quiser.

Ana Clara Costa: Bom, Fernando, toda essa operação que aconteceu essa semana deixou a gente, especialmente nós jornalistas, muito chocados, porque ela foi feita com base em uma ameaça, um plano de um ataque violento a um jornalista colega nosso, o Lauro Jardim, que é um dos maiores jornalistas do país e que deu uma notícia que despertou a ira do Vorcaro, que era uma notícia de que o Banco Central tinha descoberto irregularidades na tentativa de venda dos ativos do Master para o BRB. Toda aquela coisa dos 12 bilhões e tal… O Banco Central descobriu e o Lauro publicou que o Banco Central descobriu. Essa notícia, que foi publicada em junho de 2025, foi o que motivou esse plano do Vorcaro de cometer um ato violento contra o Lauro. E o que o Daniel Vorcaro planejava não é só criminoso, como também expõe o tipo de risco que a gente corre cobrindo esses gangsters, que eles deviam estar à margem do sistema, mas que eles conseguem entrar no sistema, crescer, enriquecer. Graças à leniência do mercado financeiro e à fome de muitos setores da classe política e do Judiciário. Agora a gente tá vendo, né? E são essas forças que trouxeram para dentro do establishment, enfim, do mundo supostamente legal, um bandido, né? Porque o que o Vorcaro fez e o que se vê nas mensagens é a atitude de um bandido, cercado de outras pessoas que são, aparentemente, tão violentas quanto ele, né? E é um bandido que não só planeja um ato de violência contra o Lauro, como também financiou uma horda de ataques contra Malu Gaspar, contando com a ajuda de sites que cobram para atacar pessoas.

Fernando de Barros e Silva: Bandidos também.

Ana Clara Costa: Exato. O que esses sites e o que essa turma liderada pelo Vorcaro, o que eles fizeram, no âmbito da imprensa, e falando especificamente da Malu, não difere em nada do que o Allan dos Santos ou o Felipe Martins faziam com a gente no governo Bolsonaro. É exatamente a mesma coisa. E tudo porque ela publicou um conteúdo de um incômodo contrato que o caro não queria que viesse a público, que é o contrato de 129 milhões de reais do banco com a mulher do Alexandre de Moraes e que depois se descobriu, não teve atuação jurídica condizente com o tamanho dos honorários.

Fernando de Barros e Silva: Nenhuma atuação jurídica seria condizente com um honorário desse tamanho, mas não se sabe ainda que serviço foi feito. Essa que é verdade. Desde que esse contrato veio à tona, não sabe direito o que ela fez. Talvez ela não tenha feito nada.

Ana Clara Costa: É, o que se sabe é que o contrato existe, houve um grande aumento patrimonial dela depois que esse contrato foi assinado, o que sugere que o escritório dela recebeu, pelo menos, parte do dinheiro. As mensagens que passaram a ser divulgadas quando alguns celulares do Daniel Vorcaro foram parar na CPI do INSS agora nessa semana, indicam uma proximidade dele com Alexandre de Moraes. Há mensagens combinando encontros.

Fernando de Barros e Silva: Há mais do que isso. Na verdade, a mensagem que ele, supostamente, está com Alexandre de Moraes.

Ana Clara Costa: É que nessa mensagem tudo indica que é o Alexandre. Porque assim que Alexandre que tem em Brasília, com poder suficiente para o Vorcaro querer se encontrar com ele? Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, é chamado de Silveira, não de Alexandre. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, é chamado de Padilha, não de Alexandre. O único Alexandre chamado de Alexandre em Brasília é o Alexandre de Moraes e que estaria cercado do Ciro e do Hugo Motta, que precisaria estar num ambiente seguro para conversar com o Ciro e com Hugo Motta, Alexandre de Moraes. Porque o Alexandre tinha uma grande proximidade com Ciro, então pegava muito mal para ele ser visto com Ciro publicamente e estar julgando o processo do golpe, condenando Bolsonaro e falando tudo o que ele falou sobre o que aconteceu no 8 de janeiro. Ele foi muito contundente na tese dele como relator do caso. E como é que ele explica que ele fez tudo isso e acabava confraternizando com o Ciro Nogueira no fim de semana, entendeu? Que foi um ministro do Bolsonaro que, em nenhum momento, se insurgiu contra nada do que o Bolsonaro fez. Muito pelo contrário. Apoiou tudo. Então não pegava bem para ele ser visto publicamente. Então, assim, esse encontro com o suposto Alexandre, tem todo o contexto de ser o Alexandre de Moraes.

Fernando de Barros e Silva: Sabemos já que não é Alexandre o Grande, o rei da Macedônia. Não é isso, Celso?

Celso Rocha de Barros: Se ele tiver contato com Alexandre, o Grande, aí realmente é impressionante.

Ana Clara Costa: É, entre os ministros do Supremo que constam na lista de contatos do Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques. Então, assim, o que tem saído recentemente ajuda a compor um círculo de proximidade entre eles. E eu apurei com pessoas que conversaram com Daniel Vorcaro antes da prisão que ele considerava o Alexandre de Moraes… Ele dizia isso para as pessoas. Se é verdade ou não, a gente não sabe. Mas o que ele dizia para as pessoas é que o Alexandre de Moraes era um amigo dele. Ele falava isso.

Fernando de Barros e Silva: Esse tópico, especificamente, por razões óbvias, pelo fato do Alexandre de Moraes ter conduzido o processo de condenação do Bolsonaro e dos generais, etc. O que fez muito bem foi que a gente deve destacar a importância histórica desse processo. A figura do Alexandre de Moraes causa muita polêmica, mas é bom que a gente lembre então as coisas que a gente já falou em outros programas, que um dos seminários internacionais, esses convescotes dos quais vários ministros supremos participaram, foi chamado, se eu não me engano, em abril ou maio de 2024, era o ‘Encontro do Xandão’, o ‘Seminário do Xandão’ no Hotel Península, em Londres, patrocinado pelo Vorcaro.

Ana Clara Costa: E eu tenho mais uma apuração sobre isso. O encontro iria acontecer em 2025 de novo e não aconteceu porque o Master já estava, enfim, na bacia das almas. Mas chegou a ser planejado. E no planejamento, o Alexandre de Moraes chegou a convidar pessoas com quem eu conversei para o evento, ele próprio ligar para as pessoas e dizer: “olha, vamos lá no meu evento”. Aí o evento foi cancelado.

Fernando de Barros e Silva: O que é super apropriado para o ministro do Supremo.

Ana Clara Costa: Só por último, teve toda essa discussão sobre o contrato que o escritório da mulher dele, a Viviane Barci, fechou com o Master. E aí, no meio de tudo isso, ela foi lá e fechou um outro contrato com um sócio do Daniel Vorcaro, o Lucas Kallas, para representar ele num caso no Supremo. Ou seja, a certeza de que está tudo certo, de que nada vai acontecer, é tão grande que não houve nenhum problema… Ela não se sentiu nem um pouco constrangida de fechar um contrato para atuar dentro do Supremo para o sócio do Daniel Vorcaro, o Lucas Kallas, o empresário de Minas, sócio do Daniel Vorcaro em vários negócios.

Fernando de Barros e Silva: Isso nós estamos falando de fevereiro de?

Ana Clara Costa: Deste ano.

Fernando de Barros e Silva: Agora.

Ana Clara Costa: Agora.

Fernando de Barros e Silva: É ousado, hein?

Celso Rocha de Barros: Porra!

Ana Clara Costa: Agora, Fernando, eu quero só voltar um pouquinho no que a gente estava falando sobre pagar sites para atacar reputações, né? É algo que a gente conhece bem. Quando a Consuelo Dieguez publicou a última reportagem dela sobre o caso Master na edição de fevereiro da piauí, ela conta que o Daniel Vorcaro tinha descoberto que havia um inquérito sigiloso da PF contra ele e nesse inquérito havia o pedido de prisão dele. E, um dia antes da operação, que estava autorizada pela Justiça, que foi a décima Vara de Brasília, ele organiza uma viagem para Dubai para supostamente trazer os investidores que iriam comprar o Master junto com a Fictor depois que o negócio do BRB foi por água abaixo. A piauí publicou essa reportagem contando esse bastidor e a defesa do Vorcaro que era conduzida pelo Walfrido Warde mandou uma nota indignada para piauí e mandou para o DCM também, que é um dos sites que foram pagos pelo Vorcaro, segundo a decisão do André Mendonça.

Fernando de Barros e Silva: DCM. Diário do Centro do Mundo.

Ana Clara Costa: Isso. Ele mandou uma nota para piauí, indignada, porque ele estava dizendo que era uma acusação grave dizer que eles tinham acessado um inquérito sigiloso. E, para provar a indignação dele, ele mostrou uma nota publicada pelo site ‘O Bastidor’, dizendo em qual vara estava o inquérito. Ou seja, ele sugeria que ele tinha se informado na imprensa sobre onde estava o inquérito ou sobre haver o inquérito e, por isso, ele peticionou para ter acesso aos autos. Então, que a reportagem não era correta ao dizer que eles souberam antes de tudo. Ele diz que souberam pela imprensa. Pois bem, o que essas mensagens do Vorcaro mostram? Que eles plantaram essa notícia no site ‘O Bastidor’ para o advogado, Walfrido Warde, peticionar para ter acesso ao inquérito sigiloso. Então, eles souberam por meio de informantes e agora, pela investigação, a gente sabe que tem um sistema de hackeamento da PF que eles faziam. PF, MP… Tem toda uma dinâmica que até foi explicada pela Malu numa reportagem e eles souberam antes. E aí, eles precisavam lavar a informação de que eles souberam. Então, eles publicaram essa informação no site bastidor para dizer que eles tinham sido informados pela imprensa.

Fernando de Barros e Silva: Isso me lembra também, Celso, o nosso amigo Conrado Hubner Mendes, que é bastante perseguido por setores.

Celso Rocha de Barros: Por quase todo mundo.

Fernando de Barros e Silva: Da advocacia e do Judiciário, pelos méritos dele, que quando o Toffoli viajou de jatinho com o advogado Botelho, um dos diretores do Master. O Conrado fez uma coluna justamente falando “todo mundo está falando dos juízes, mas eu vou falar um pouco dos hábitos desses advogados”. É uma coluna que eu recomendo também, que também ganha interesse renovado à luz disso que a Ana está trazendo aqui.

Ana Clara Costa: Além dessas mensagens falando desses pagamentos, há outras mensagens do Vorcaro nessa véspera da viagem, dizendo que ele achava que antecipando a viagem, ele conseguiria barrar a prisão. Vou explicar para vocês em minhas palavras: se eu conseguir o dinheiro para fazer esse negócio e injetar esse dinheiro para o banco não quebrar, ou seja, aí eu não vou precisar acessar o FGC. Talvez eu consiga barrar a prisão, entendeu? Essa era a lógica dele. A polícia achava que a lógica dele era fugir. Mas assim, nas mensagens, algumas das mensagens apreendidas, ele expõe essa ideia de tentar, digamos, desestimular a polícia, de prendê-lo ao conseguir um comprador para o Master. Eu imagino que o desestímulo à polícia poderia ser feito por meio de políticos e judiciário, e toda a turma que ele conhecia e se relacionava e que está acima da Polícia Federal em poder em Brasília.

Fernando de Barros e Silva: Ana, eu sei que você tem mais coisas para falar e a gente vai te ouvir mais, mas eu quero colocar o nosso Casca de Bala na conversa. Celso, notícia não nos falta.

Celso Rocha de Barros: Pois é, notícia boa falta. Bom, a gente tem que avisar o ouvinte que a gente tá gravando, as coisas começaram a sair faz poucas horas, né? Então, a gente ainda tem um quadro imperfeito aqui do que tem no celular do Vorcaro, enquanto a gente está aqui falando. O que tem até agora, em primeiro lugar, é bem ruim para o STF, é bem ruim para o Alexandre de Moraes por tudo isso que a Ana disse até agora, né? Dá a impressão de uma relação muito mais próxima com o Vorcaro do que a gente tinha até agora, né? Podia até suspeitar, mas não tinha ainda tanta evidência disso. Até agora não apareceu um ato concreto que ele tenha tomado a favor do Vorcaro, embora isso talvez tivesse contratado para daqui a um tempo, para um julgamento futuro ou para alguma coisa desse tipo que talvez até o Alexandre de Moraes dê sorte de que nunca aconteceu. Então, enfim, ele fique sem esse ato concreto que serviria para caracterizar um suborno, um negócio qualquer. Agora, mesmo se ninguém achar isso nunca é, obviamente, completamente inapropriado o tipo de relação que o Alexandre Moraes tinha com o Vorcaro. Bom, primeiro, com um cara que era obviamente um trambiqueiro miserável, um sujeito que…

Ana Clara Costa: Pô, você tá sendo gentil.

Celso Rocha de Barros: Exatamente! Um cara 100% estelionatário. Enfim, pagava aí ‘faz me rir’ para jornalista, não é para ministro da Suprema Corte conviver com esses caras, pelo amor de Deus. Em segundo lugar, um cara que, quando quebrasse, certamente um dia podia cair no STF. Então, enfim, evidentemente, é totalmente errado tudo isso que o Alexandre de Moraes fez e tem grande potencial de desdobramentos para uma coisa mais séria, conforme as revelações apareçam. Agora, quem eu acho que sai condenado dessa história é o Toffoli, porque se tinha no celular do Vorcaro que o Vorcaro queria, basicamente, quebrar os dentes do Lauro Jardim.

Fernando de Barros e Silva: E a respeito de uma funcionária, ele fala “tem que moer essa vagabunda”.

Celso Rocha de Barros: “Tem que moer essa vagabunda”. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: E o Sicário: “mas o que que é para fazer, chefe? O que é para fazer?”. Ele manda levantar a ficha, endereço, etc.

Celso Rocha de Barros: Então, assim, se tudo isso tava na mão do Toffoli, o Toffoli tinha essa informação de…

Ana Clara Costa: Tava! Não, mas é fato isso. Essa investigação só aconteceu quando ele saiu da relatoria porque a PF não teve acesso a esses dados antes. Esses dados não são provenientes da primeira leva do Vorcaro, quando ele foi preso em novembro. Esses dados que a gente está vendo nessa operação dessa semana são da segunda leva, que foi em janeiro e foi a leva que o Toffoli impediu que a polícia periciasse.

Celso Rocha de Barros: Então o Toffoli, claramente, cometeu um crime porque ele tomou medidas concretas para barrar a investigação. Vou deixar para os advogados discutirem com mais detalhes o que seria, e, caso se confirme, que toda aquela história do Tayayá e coisa que o valha era suborno. Aliás, eu sugiro que a imprensa não abandone essa história, porque tem mais coisa que precisa ser analisada ali… A proporção do preço para o preço de mercado que seria do Tayayá, isso vai ser importante quando virar uma questão jurídica, independente de ser imoral, etc. Agora, no mínimo, o Toffoli prevaricou quando deixou esse troço sentado lá, havendo uma ameaça, basicamente, à vida de um jornalista, né? Então, o Toffoli não pode ser mais ministro do STF. O Toffoli tinha que renunciar. Tinha que sair dali.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Celso Rocha de Barros: O Alexandre Moraes é um pouco mais complexo. Vamos ver como é que vai ser as investigações, mas o quadro é bem ruim para ele. Isso, obviamente, vai transbordar para a imagem das instituições, né?

Fernando de Barros e Silva: E Celso, só nesse capítulo também, o comportamento do Paulo Gonet, procurador geral da República também…

Celso Rocha de Barros: Não foi bom.

Fernando de Barros e Silva: É muito esquisito, porque ele pede mais tempo para analisar, sabendo que tinha essa ameaça, por exemplo, que a vida de uma pessoa está claramente correndo risco, que o assassino ou o sujeito que fazia o serviço sujo, ou esse tipo de serviço sujo para o Vorcaro, estava solto, esse que, supostamente, se suicidou. O Vorcaro estava solto.

Ana Clara Costa: É, mas, exceto no caso dos penduricalhos, o Paulo Gonet tem feito uma composição com o Supremo, né?

Celso Rocha de Barros: É, eu acho que…

Ana Clara Costa: De certa forma..

Celso Rocha de Barros: Eu vou segurar um pouco o veredito sobre o Gonet nesse caso.

Fernando de Barros e Silva: Só porque o ouvinte entenda, né? O André Mendonça passou por cima daí, o Gonet pediu mais tempo, ele falou: “Não, eu vou determinar que a operação seja feita, que esse sujeito seja preso”. Foi isso que aconteceu.

Celso Rocha de Barros: Que, aliás, merece menção. A gente tá descendo o pau em todo mundo aqui, até agora. Esse é aquele corte que pode me assombrar para o resto da vida daqui a algum tempo. Mas, até agora, a atuação do André Mendonça foi boa.

Fernando de Barros e Silva: É claro, a gente tem que falar isso.

Celso Rocha de Barros: Tem dois problemas que a gente tem que avaliar a atuação do André Mendonça. Primeiro, ele vai entregar uma pizza? E, segundo, quando sair as revelações, ele vai enviesar isso politicamente? A segunda coisa a gente ainda não sabe. A primeira coisa, a resposta parece ser não. Parece que ele não quer entregar uma pizza geral. Um negócio que livra todo mundo, como o Toffoli parecia propenso a fazer. Até agora, a atuação do Mendonça foi boa. Eu tinha uma expectativa muito baixa com relação a ele, para ser honesto, e fui positivamente surpreso. Enfim, também a gente tem que elogiar quando o cara faz o trabalho dele corretamente. Agora, o saldo para a instituição é ruim, né cara? Eu acho que o pessoal vai lembrar muito mais do Toffoli ter sentado em cima da história do Lauro Jardim do que do Mendonça conduzindo a investigação. E isso contamina a imagem das instituições num ano em que o futuro das instituições vai estar em jogo na eleição, né? Então, assim é, evidentemente, muito grave.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. A gente vai fazer um rápido intervalo e vamos continuar falando desse assunto na volta. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Ana, vou, sem mais delongas, para você. Para você retomar a segunda perna aí da sua… Da sua fala. Em sete atos, dessa vez.

Ana Clara Costa: Bom, eu queria localizar os fatos dessa semana dentro de um jogo político que está acontecendo agora em Brasília e em como essa operação, de certa forma, fragiliza a estratégia de autoproteção do STF e do Congresso, que são os dois poderes mais envolvidos com o Banco Master. Então, há, na verdade, duas vertentes de análises sobre os fatos que correm em Brasília hoje. E elas não são necessariamente excludentes. Elas podem caminhar juntas. Quando o Toffoli sai da relatoria do caso, os ministros do Supremo se fecham em copas em defesa da instituição Supremo. Então, fica claro, a partir daquela reunião em que o Toffoli sai, que ele abriria mão, mas seria poupado internamente. Vale dizer que a Cármen Lúcia e o Fachin são os mais refratários a toda essa omertà em torno deles. Mas eles não têm poder de articulação interna para reverter a situação. Então são voto vencido. Mas o que ficou acertado é que eles vão fazer o que estiver ao alcance deles para autoproteção. Um outro ponto importante é que uma ala do Supremo que é composta pelo Alexandre de Moraes, pelo Toffoli…

Fernando de Barros e Silva: Pelo Gilmar Mendes.

Ana Clara Costa: Pelo Gilmar Mendes. Eles estão muito insatisfeitos com o governo porque eles acham que o Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, expôs o Toffoli quando foi conversar com o Fachin, com o aval do Lula. Então, eles acham que o Lula que tá mandando a PF fazer isso. Eles estão muito irados com o governo, com essa percepção de que há uma interferência. O que, pelos fatos, não se mostra verdadeiro, porque se tem a CPI do INSS que está ali correndo, com a Polícia Federal quebrando o sigilo do Lulinha e não se sabe de nada que o governo tenha feito para impedir isso. Então, essa desconfiança dos ministros da Corte até o momento, não encontra respaldo em fatos. E, também, o Alexandre de Moraes, além dessa irritação com o Lula, ele acha que o Haddad não conduziu bem as coisas na Receita, quando ele supôs que a mulher dele teve o sigilo fiscal quebrado. A mulher do Alexandre de Moraes. Porque foi uma nota do Lauro que falou da evolução patrimonial dela que despertou a desconfiança no Moraes de que eles estavam tendo os sigilos quebrados e ele acha que o Haddad não investiu o suficiente nessa apuração e tal. Enfim, eles acham que o governo não quer ajudá-los.

Fernando de Barros e Silva: Haddad, que foi procurado pelo Vorcaro insistentemente e jamais se encontrou com ele. Enfim, o que se espera de uma pessoa que está num cargo público dessa importância?

Ana Clara Costa: Bom, então essa é a situação, né? Você tem essa investigação correndo e você tem o Supremo fechado em copas e achando que está todo mundo contra ele. Quando a CPI do Crime Organizado, que também está correndo no Senado, pede a quebra de sigilo da empresa do Toffoli, a Maridit, e o Gilmar Mendes faz uma manobra absolutamente indecente para impedir essa quebra de sigilo, desarquivando um processo que estava há três anos arquivado…. Assim, um negócio completamente fora de padrão. Fica claro que o Supremo está armado contra a investigação do Master. E o Congresso também está, porque não se conseguiu ainda abrir a CPI do Master. O que foi vazado essa semana foi o que a Polícia Federal enviou para a CPI do INSS, que não necessariamente é o filé do que eles têm ali. Eles não vão entregar para CPI o cerne da investigação. Coisa mais para a imprensa se divertir ali lendo do que de fato, o grande esquema. E o André Mendonça, embora muito frequentemente ele jogue pela oposição, ele não tem o perfil de peitar os colegas dele, de se colocar ali como o cara que vai disciplinar a moral dentro do Supremo. Ele pode até querer em algum aspecto, mas ele não vai fazer isso de uma forma direta. Ele não é o cara que vai pegar a espada para cortar a cabeça de ministro do Supremo. Ele já deu todos os sinais sobre isso. Diante de todo esse contexto, a leitura que se tem em Brasília é de que a Polícia Federal, que foi extremamente hábil nessa operação, porque vendo o Supremo fechado em copas, o Congresso fechado em copas, o Vorcaro tranquilão de tornozeleira na mansão dele em São Paulo, já crente que ele já tinha comprado o sossego dele…. O Vorcaro, até ele ser preso agora, ele tava pensando, assim, como ele vai perder menos dinheiro com a liquidação do banco. Era essa a preocupação dele. Era “ah, vou ficar de tornozeleira um tempinho aqui, depois o Supremo me resolve daqui um tempo, quando a poeira baixar e vou tentar preservar meu patrimônio e até, quem sabe, ter um outro banco daqui uns anos, né?”. Tudo é possível.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Ana Clara Costa: Então, como que você faz esse caso andar de uma forma que se torne… Não impossível, mas difícil de sufocá-lo? Você não pode ir direto no Supremo. Quando o Andrei Rodrigues foi conversar com o Fachin, já se percebeu que ir direto no Supremo você vai dificultar ainda mais a investigação. O Congresso está daquele jeito. Então, quando você pega esse componente da violência, do perigo, sem afetar diretamente as autoridades, porque as autoridades envolvidas nessa operação são servidores do Banco Central, que a matéria da Consuelo, lá atrás, já mostrava que tinham conduta suspeita, ou seja, esses servidores já havia sindicâncias sobre eles e o Galípolo revelou isso numa entrevista para O Globo, tempos atrás.

Fernando de Barros e Silva: É até bom fazer um histórico aí. São servidores da gestão do Campos Neto, certo?

Ana Clara Costa: Ex-diretor de fiscalização Paulo Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana. Eles são da gestão anterior. Eles já estavam lá quando o Galípolo entrou.

Fernando de Barros e Silva: E saíram.

Ana Clara Costa: Assim, eles são servidores do Banco Central, mas eles foram escolhidos para os cargos que eles ocupavam, que são cargos de liderança dentro do Banco Central. Então tem, internamente, uma promoção ali em que a deliberação é do presidente do Banco Central, mas ambos são servidores mesmo. Eles são concursados e eles já estavam há muito tempo na boca de todo mundo que está acompanhando o caso. Inclusive na matéria da Consuelo, tem os relatórios que eles passaram pano para o Master. Então assim, as autoridades envolvidas são autoridades que já estavam queimadas. Essa operação ela não indispõe o André Mendonça com ninguém diretamente. Indiretamente, claro. Mas tudo isso foi pedido pela PF. Quem pediu a operação desse jeito, nesse molde, com essas informações, com esse relatório foi a Polícia Federal. Então, para o André Mendonça, pegaria muito mal ele chegar e falar “hum, acho que eu não vou autorizar”, entendeu? Sendo que tá lá a perseguição a um jornalista. Quando esse caso for analisado pela Segunda Turma do Supremo na semana que vem, da qual fazem parte o Gilmar Mendes, o Toffoli e o Kassio Nunes Marques, sendo que o Toffoli e o Kássio, pelo menos, são contatos do Vorcaro, vai ficar muito difícil para eles votarem contra a manutenção dessa prisão. Diante do fato de que é uma prisão de um cara que estava planejando um ato de violência. E assim, Brasília aceita todo tipo de crime, principalmente se for de colarinho branco. Mas violência é um negócio que repele, né? Pega muito mal você aceitar um ato de violência. Você, como ministro do Supremo, chancelar um ato de violência. Então eles colocaram esses ministros próximos do Vorcaro numa posição desconfortável. E o próprio André Mendonça, ao analisar esse pedido da PF, fica fácil para ele justificar para os pares dele que “olha, gente, eu não tenho o que fazer”, entendeu? “Olha a situação aqui, vai eu pegar esse caso e falar ‘ah, acho que eu não vou autorizar’?”.

Celso Rocha de Barros: O que a Ana tá dizendo e que ele tinha menos escolha do que a gente pensa.

Ana Clara Costa: É, no sentido de que a forma como a PF construiu essa operação deixou muito fácil para o André Mendonça acatar esses pedidos. Se fosse uma operação que envolvesse um dos pares, ficaria bastante difícil para André Mendonça. Como é uma operação que não envolve autoridade com alto cargo e é extremamente polêmico porque envolve um ataque a um jornalista, não tem como ela não ser feita. E é nesse ponto que a atitude da PF foi avaliada como hábil. Porque ela deixou essa galera de mãos atadas. Eles não tem o que fazer a não ser aceitar, a não ser chancelar essa operação. E aí, uma vez que o Vorcaro está preso e o seu cunhado Fabiano Zettel, também está preso, que era um braço importante do esquema, e aí você muda o contexto do Vorcaro de um cara que achou que estava tudo certo com ele, que agora a briga dele ia ser só por dinheiro. Agora não existe perspectiva dele sair da cadeia. Então isso muda o contexto de toda a classe política que achava que as coisas estavam caminhando para uma pizza, como o Celso mesmo disse. Então isso mudou completamente o cenário e tornou mais difícil para o Supremo, sobretudo para as partes envolvidas com o Vorcaro, tentar agir para matar isso no peito. Esse cara, Daniel Vorcaro, ele não é só um banqueiro corrupto. Ele é um criminoso capaz de planejar atos de violência. Uma outra leitura também que eu ouvi e que eu acho que não invalida tudo o que eu disse é que o André Mendonça, ao tocar isso agora, o que aparentemente ele não tinha escolha porque a PF pediu agora, então ou ele deliberava sobre isso ou não. Mas assim que indiretamente é uma coisa que pode prejudicar muito o Ibaneis e ajudar a Michelle, porque poderia tirar o Ibaneis ali do jogo pelo Senado no DF a depender do que saia de tudo isso. E poderia prejudicar o Davi Alcolumbre, que é uma pessoa com quem o André Mendonça não teria uma relação muito boa porque foi o Davi Alcolumbre que atrasou a sabatina dele por semanas, um tempo…

Fernando de Barros e Silva: Meses.

Ana Clara Costa: Por meses no governo Bolsonaro. E ele tem um rancor do Davi Alcolumbre desde então. Então que seria uma oportunidade dele se livrar. E, se ele estiver, de fato, jogando ao lado da turma do Flávio, o que eles querem muito, mais do que o Flávio na presidência, é o Rogério Marinho na presidência do Senado para fazer, enfim, tudo que eles querem fazer, inclusive pautar impeachment de ministros do Supremo.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Vieram à tona do celular do Vorcaro conversas com o Ciro Nogueira, como eu disse na abertura, amigo de vida, com o Hugo Motta.

Celso Rocha de Barros: E saiu uma lista de deputados que estão nos contatos do Daniel Vorcaro. Bom, primeiro, assim, grande maioria dos políticos envolvidos até agora é de direita. Até agora. Pode ser que isso mude. Pode ser que saia mais revelações do celular do Vorcaro, pode ser que a Polícia Federal descubra mais coisas. Não é um diagnóstico definitivo, mas, até agora, isso é um escândalo da direita.

Ana Clara Costa: E vários tons de direita, né Celso?

Celso Rocha de Barros: Vários tons de direita.

Ana Clara Costa: De Nikolas até…

Celso Rocha de Barros: Nikolas está na lista de contato do Vorcaro e viajou no avião do Vorcaro. Todo mundo já sabe. Fez a mesma coisa que o Toffoli.

Fernando de Barros e Silva: Viajou no avião do Vorcaro com outras lideranças evangélicas para fazer campanha para o Bolsonaro no segundo turno da eleição.

Celso Rocha de Barros: E, olha só, isso é meio natural que isso aqui seja basicamente de direita, é um escândalo de gente da Faria Lima com igreja evangélica. Assim, até deve ser difícil achar um esquerdista nesse meio aí. Então, enfim, até agora o diagnóstico é bastante claro. Isso só é um escândalo da República pelo imenso poder que a direita tem sobre as instituições republicanas. O Ciro Nogueira era barbada. A gente já sabia que ele ia estar nessa. Se ele não tivesse nessa lista, a lista estava errada, né? Enfim, obviamente, tá na conversa do Vorcaro dizendo que ele tá felizão porque o Ciro Nogueira apresentou a Emenda Master que aumentaria de 250 mil para 1 milhão a cobertura do FGC para quem perdesse dinheiro com coisas como o Banco Master, por exemplo.

Fernando de Barros e Silva: Emenda que acabou não indo adiante.

Celso Rocha de Barros: Não foi. Exato. Eu queria que alguém fizesse a conta de quanto teria sido o rombo no FGC se a Emenda Master tivesse passado, o que já foi um rombo gigantesco, fazendo de cabeça aqui…

Ana Clara Costa: Quatro vezes, né?

Celso Rocha de Barros: É. O FGC não teria dinheiro para cobrir.

Ana Clara Costa: Quatro vezes o que ele já cobriu.

Celso Rocha de Barros: Aí, meu amigo, aí é confusão, entendeu? Aí seria uma confusão séria para o sistema financeiro brasileiro. E é bom lembrar também que não foi só o Ciro Nogueira que propôs isso. O senhor Felipe Barros, que é deputado do PL pelo Paraná, propôs a mesma coisa com o projeto de lei. Exatamente a mesma coisa. Subir a cobertura do FGC de 250 mil para 1 milhão. Esse mesmo Felipe Barros, agora que eu vou me repetir mesmo, na reunião de 30 de novembro de 2022, em que a bancada bolsonarista pediu golpe dentro do Congresso, Felipe Barros pediu o artigo 142, pediu uma intervenção militar pelo o artigo 142. Já que não prenderam ele por isso, ele foi lá e tentou salvar o Master. Então, assim, o perfil dos envolvidos até agora é bem claro. Como a Ana disse, são várias nuances de direita. Você tem aquele cara direita mais pragmático, centro-direita, extrema-direita, fascista, direita que se você pagar ele muda de opinião… Enfim, tem várias modalidades aqui. É o Sushi Bar da direita aqui nessa lista aqui do Vorcaro. Você escolhe o que você quiser. Agora, eu não vou desaprender a contar para parecer ideologicamente isento, entendeu? Para parecer que, “olha só, não vou falar que é de direita”. Até porque não é isso que é isenção ideológica, isenção ideológica é você olhar os fatos e não interpretá-los enviesadamente. Mas assim, se você olhar os fatos, se você contar os envolvidos, se você ponderar o número de envolvidos pela importância que cada um tem no escândalo, é absolutamente evidente que até agora esse é um escândalo da direita. Pode deixar de ser? Pode, claro. Se no resto do celular do Vorcaro, ou de outra fonte de informações, aparecer o Lula fazendo alguma coisa para salvar o Master. Pronto. Meu diagnóstico foi água abaixo, entendeu? Porque o Lula, mesmo sendo um cara só, é o presidente da República, mas, por enquanto, ainda não apareceu. Por enquanto, não tem nada de Fernando Haddad, que é outro cara que poderia ter interferido no Master. O Galípolo foi secretário do Haddad antes de ser presidente do Banco Central. Não há nenhum sinal do Galípolo tentando fazer alguma coisa para salvar o Master.

Fernando de Barros e Silva: Quem tentou salvar foi o Guido Mantega.

Celso Rocha de Barros: É, o Mantega a gente já sabe. O Mantega tentou ser lobista pelo Master, coroando uma carreira de sucesso. Ah, e o Lewandowski tinha um contrato de advocacia com o Master. Teve gente do PT da Bahia que estava envolvido lá numa picaretagem com o Master que a Ana explicou alguns programas atrás. Agora, o PT da Bahia tem que ser colocado junto com os outros 18 entes federativos que botaram dinheiro de aposentado nos investimentos do Master. O que, é bom lembrar, nenhum fundo de previdência particular jamais fez. Então, assim, por que os caras botaram o dinheiro dos aposentados um negócio que nenhum fundo particular botava certo? E, desses 18 entes federativos, sem contar o PT da Bahia, 17 são governados pela direita. Então, assim, eu acho estranho que falte direita nas manchetes sobre o Master até agora. O pessoal pode estar sendo cauteloso. Cautela é bom. Sou a favor de cautela. Gostaria muito que tivesse tido cautela em escândalos anteriores, mas não custa nada a gente apontar o fato de que a maioria dos políticos até agora é de direita. Basicamente, quem trabalhava com o Vorcaro? União Brasil e PP, antes de mais nada. Ciro Nogueira, do PP. União Brasil, o Rueda. O Rueda enroladíssimo nessa história. A Malu Gaspar já botou lá que União Brasil do Rueda é quem indicava o responsável lá para a Previdência nesses governos estaduais que botaram grana do Master.

Fernando de Barros e Silva: Inclusive, nessa investigação da PF agora, tem passeio de helicóptero de Congonhas para o Autódromo de Interlagos.

Celso Rocha de Barros: Do Rueda.

Fernando de Barros e Silva: Do Rueda e do Ciro Nogueira.

Celso Rocha de Barros: Pois é, esses dois, assim, é o que eu digo: se eles não tivessem na lista é porque a lista tinha sido falsificada, porque era óbvio que eles iam estar nesse negócio. Cara, se começar a investigar, esses dois partidos acabam e o PL tá bastante enrolado também. Não é só o seu Felipe Barros não entendeu? Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, que é quem botou quase 1 bilhão de dinheiro nos aposentados é do PL do Bolsonaro. O que eu quero dizer, antes de mais nada, é o seguinte: se acabar essa história com dois ministros do STF presos e menos de 50 deputados de direita presos, foi pizza. Botaram os caras do STF para levar a culpa lá no negócio. Não que eles fossem inocentes. Mas para, enquanto todo mundo tava olhando ele ser preso, os bandidos que trabalharam com o Vocare esse tempo todo para roubar como Master e para acobertar o Master, vão ter fugido da cadeia mais uma ve. Como, aliás, em grande parte, aconteceu durante a Lava Jato.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana, vamos lá para arrematar.

Ana Clara Costa: Olha, todas essas mensagens que estão saindo e citando todos esses políticos, elas são divertidas para gente e ajudam a compor o que é a política, como está a política nesse país e o poder do Vorcaro. Mas eu acho que a gente precisa lembrar que há um trabalho de investigação enorme pela frente e que passa por uma coisa que não tem nada a ver com essas conversas e que tem a ver com a Reag, a gestora de recursos que atuava em parceria com o Master. Vamos lá. Imagina essa hipótese remotíssima que você tem o deputado, senador, governador, ministro João da Silva. João da Silva fez muito favor pro Vorcaro, mulher de João da Silva ajudou muito Vorcaro, filho do João da Silva, irmão de João da Silva… E aí, o Vorcaro tinha que pagar por esses bons serviços e ele tinha uma fórmula que era usando os fundos da própria Reag. E por que da própria Reag? Porque a Reag fazia parte do esquema e não ficava perguntando aquela pergunta básica do ‘Know Your Client’, conheça seu cliente, que é o que os bancos e gestoras são obrigados a fazer na hora de abrir uma conta.

Celso Rocha de Barros: É, para a Reag quanto menos eles conhecessem o cliente, melhor.

Ana Clara Costa: Exato. Então, o Master podia abrir fundos exclusivos ali na Reag, que são, na verdade, a maioria dos fundos da Reag, dos mais de 400 fundos que eles têm. A maioria é de fundo exclusivo, ou seja, que tem apenas um cotista. E, no Brasil, quem é rico cria fundo exclusivo para pagar menos imposto, para esconder dinheiro da mulher na hora de separar e para mandar dinheiro para fora legalmente ou ilegalmente. O que acontecia com o Master? Ele constituía fundos exclusivos para operar dinheiro para os amigos do Vorcaro, para coisas lícitas e ilícitas. Então, a Polícia Federal vai ter que vasculhar esses fundos da Reag para descobrir onde que está o pagamento do João da Silva. Quando a polícia pegar fundo por fundo… E ela vai poder investigar a fundo por fundo? A Justiça vai autorizar? O Supremo vai autorizar que ela investigue todos os fundos da Reag ou ela vai ter que mostrar muitas evidências de que tal fundo pertence ao João da Silva para investigar? Ou ela vai poder fazer uma triagem em todos os fundos da Reag? Uma vez que ela consiga investigar o fundo X, que pode ser do João da Silva, ela vai descobrir que o cotista do fundo é uma empresa sociedade anônima com sede lá em Luxemburgo. Aí ela vai lá para Luxemburgo e vai descobrir que os acionistas dessa empresa de Luxemburgo são duas holdings lá em Cingapura, entendeu? E aí chega em Cingapura, vai descobrir que o administrador da holding em Cingapura é o motorista do João da Silva, entendeu? Então, assim, é um trabalho de formiguinha que a polícia vai ter que fazer a partir de agora para ver o que o João da Silva recebeu. Porque se você tem uma aplicação desse montante de fundos de pensão e que, com certeza, houve uma corretagem por parte de quem mandou aplicar, isso vai estar nesses fundos da Reag. E, uma coisa importante: o João Mansur, dono da Reag, que fazia essas operações ilegais para o PCC, que se descobriu no ano passado e para o Banco Master, ele não teve pedido de prisão. Ele não foi preso. Nem sequer há informação se ele está no Brasil, porque quando houve a operação do PCC, no ano passado, ele estava fora do Brasil. Os fundos que a Reag geria acabaram passando para outra gestora. Enfim, eu acho que essa parte da investigação é a parte que tem um potencial explosivo, muito mais do que essas mensagens que a gente está se divertindo aqui, mas que, enfim…

Fernando de Barros e Silva: Se divertindo ma non troppo. É, eu tive insônia essa noite. Não conseguia nem… Não conseguia parar de ler, não conseguia. Enfim.

Celso Rocha de Barros: É rapaz.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, eu vou encerrar então esse segundo bloco do programa, a gente faz um rápido intervalo. Vamos falar da guerra no Irã na volta. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Nós temos aí praticamente uma semana de guerra que começou com o assassinato do líder supremo do Irã, o Khamenei, se dizia que o objetivo era a derrubada do regime. Agora, o Trump recuou. Enfim, ele fala uma coisa no dia, fala outra no outro. E a guerra se alastrou pelo Oriente Médio e há um potencial de que essa guerra ainda se agrave. Tudo que a gente temia parece que está acontecendo.

Celso Rocha de Barros: É Fernando, o pessoal de Relações Internacionais que eu conversei também está na mesma dúvida que todo mundo. Quer dizer, assim, se você quiser achar uma explicação fechadinha, bem organizada sobre as motivações do Trump nesse caso, até agora não é fácil. Então, basicamente, as duas principais linhas de argumentação até agora são, por um lado, que esse é um momento de um processo mais longo. O Trump abandona o acordo que o Obama tinha feito com o Irã sobre essa questão nuclear e desde então a questão fica tensa. Não tem mais o acordo, então o Irã volta a investir em tecnologia nuclear, mas a tensão vai subindo. Tem vários, várias escaramuças, várias guerras por proxy. Enfim, o Irã apoia vários desses, apoia o Hezbollah, apoia os Roots no Iêmen, que atacam Israel. Enfim, essa tensão já vinha há muitos anos e esse ataque, no fundo, é um momento do que até agora era uma guerra fria. Ano passado a gente já deixou de ser guerra fria, com aquele bombardeio gigante ao Irã e que, curiosamente, o Trump disse que tinha acabado com o programa nuclear iraniano…

Fernando de Barros e Silva: Exato.

Celso Rocha de Barros: Se acabou ano passado, não precisa fazer outra guerra esse ano, né? Enfim, mas o Trump é o Trump. E agora parece que se você pegar a The Economist, por exemplo, publicou uma matéria que a visão dos assessores do Trump não tem nem como descrever para vocês como são ruins e que o Irã não estava querendo ceder tudo para os Estados Unidos. A guerra do ano passado teve um certo elemento de coreografia, teve um certo elemento dos Estados Unidos bombardear sem queimar todas as pontes com o Irã e do Irã retaliar sem queimar todas as pontes com os Estados Unidos. Essa coreografia agora foi desmontada, porque até agora o Irã estava negociando com os Estados Unidos depois da guerra do ano passado. O Irã falou: “tá bom, vamos negociar de novo”. E, enquanto estava rolando essa negociação, os Estados Unidos bombadeou o Irã. Então, do ponto de vista dos Estados Unidos, a justificativa é que o Irã não estava entregando o que eles queriam, mas para o Irã, a mensagem é clara: não adianta negociar. “Se o cara me bombardeia enquanto eu estou negociando, se a negociação vai acontecer sob bombardeios esporádicos para me fazer pressão, não é interessante para mim negociar”. O assassinato do Khamenei é uma violação de direito internacional, essas coisas. Mas, gente, até essa altura do campeonato, Trump e direito internacional não rola. Mas, além disso, os efeitos disso dentro do Irã podem ser bem diferentes do que o Trump gostaria. O Trump falou, claramente, que o modelo Venezuela para ele é o ideal, que seria decapitar o regime, matar o Khamenei, como sequestrou o Maduro, e entrar um novo líder que faça as coisas que os Estados Unidos quer. Tem um certo padrão aqui na Venezuela, Irã… O que tem em comum entre esses dois países? São grandes reservas de petróleo. Então, o primeiro passo seria entregar o petróleo, basicamente, para os Estados Unidos e, segundo, enterrar de vez o programa nuclear. Só que enquanto o Trump está negociando isso lá com os iranianos, enquanto ele está dizendo claramente para os iranianos: “ó, se alguém aí do regime me entregar isso”…

Ana Clara Costa: Quiser compor, né? Quiser compor comigo.

Celso Rocha de Barros: Exato. Enquanto ele está dizendo “o modelo venezuelano para mim está bom”, ele também está pedindo para a população iraniana sair para as ruas para derrubar o regime. Cara, por que que iraniano vai cair nessa? Porque ano passado a guerra enfraqueceu muito o governo iraniano. Ano passado, saiu um monte de gente para protestar contra o Irã. Houve protestos imensos, a repressão foi selvagem. Dezenas de milhares de pessoas morreram. A menor estimativa que eu conheço é 15 mil e tem algumas entre 30 e 40. Quer dizer, é bastante gente de qualquer maneira. Bom, para começar, um monte das lideranças jovens e tal que poderiam fazer essa derrubada de regime morreu. E, por outro lado, as pessoas só vão sair na rua para derrubar o regime se confiarem que o Trump vai até o fim na mudança de regime. Se elas confiarem, que assim “ó, eu estou chegando aqui para protestar contra você, aiatolá, com a maior superpotência do mundo, me emprestando as armas deles”. Aí o cara vai para a rua protestar. Agora, se ao mesmo tempo ele acha que o cara vai fazer a solução Venezuela que é entregar para algum outro aiatolá, por exemplo, ou para entregar para a Guarda Revolucionária do Irã. Uma outra possibilidade que o governo Trump cogitou seria alguém da Guarda Revolucionária. Enfim, a principal força militar do Irã, que poderia assumir o controle diretamente do governo, mesmo que deixasse um aiatolá como figurativo ali e fazer um acordo com os Estados Unidos, como os militares venezuelanos evidentemente fizeram. Então, “você tira esse cara daqui, eu te dou o petróleo, você me deixa em paz para continuar governando isso aqui ditatorialmente”. Agora, se o Trump está negociando isso de um lado, ele não pode pedir para os iranianos irem para a rua, porque senão o pessoal do Irã vai estar lá na rua. Um dia o Trump chega e fala: “Opa, cheguei um acordo aqui com a Guarda Revolucionária”. O Trump vai embora e tá lá os manifestantes sozinhos para serem massacrados. Então, as perspectivas de mudança de regime são muito complicadas e dá muita impressão que o Trump se meteu num negócio que ele não sabe o que está fazendo.

Fernando de Barros e Silva: O Irã é um país muito complexo, cara. É extremamente populoso, tem mais de 90 milhões de habitantes, é o dobro do Iraque.

Celso Rocha de Barros: Exatamente! No começo do ano, quando teve o negócio da Venezuela, o Marco Rubio chegou a falar: “Não, o Irã é um caso bem mais complexo”, entendeu? Aparentemente, o Trump mudou de ideia. Acha que não é mais tão complexo, mas obviamente é um regime muito mais bem enraizado. Quer dizer, o Khamenei tinha quase 90 anos. Cedo ou tarde ele ia morrer, né gente? Nos próximos anos. E de maneira que o regime claramente já estava preparado para a sucessão do khamenei. E, aliás, como todos os comentários estão dizendo que o Khamenei foi uma morte gloriosa, ele poderia morrer meio como o Brejnev, que para quem não lembra, foi um secretário geral do Partido Comunista da União Soviética, que, não por acaso, vocês não lembram. É um cara que ficou muito tempo na liderança da União Soviética, mas era um burocrata totalmente cinzento, obscuro e não carismático e que, enfim, morreu. Ninguém mais lembra dele. O khamenei poderia entrar para a história, sim, mas agora ele acaba a história como mártir. E assim, ele foi martirizado durante o Ramadã, pelos Estados Unidos. Então, assim, o Khamenei agora ganha um status simbólico dentro do Irã que ele nunca teve, entendeu? Ele não era o Khomeini, que é o cara que de fato liderou.

Fernando de Barros e Silva: Eles adiaram a cerimônia fúnebre que vai durar três dias. Teria que começar ontem, quarta-feira, ontem, para nós que estamos gravando na quinta, e foi adiada a cerimônia.

Celso Rocha de Barros: É, não sei se tem condições de segurança para fazer, né? Então, enfim, a nítida sensação entre todos os especialistas de relações internacionais, de todas as vertentes e de todas as posições ideológicas, é que o Trump se meteu num negócio que ele não entende. Ele não sabe o que está fazendo, porque o que alguns analistas estão dizendo é que, comparado a essa preparação do Trump para começar uma guerra contra o Irã, a preparação para o Iraque foi detalhadíssima. Foi muito mais cuidadosa e…

Ana Clara Costa: Cada vez mais o governo Bush se mostra muito mais profissional que esse…

Celso Rocha de Barros: O que é terrível. Se você pensar, pelo amor de Deus, olha como os padrões caíram, né? E, enfim, as perspectivas são muito ruins por causa disso, porque basicamente é uma guerra iniciada por um cara que não sabe o que está fazendo e que cada vez que ele vai uma maluquice dessas, “não, estou negociando, mas vou bombardear do mesmo jeito”. Ele vai tirando o incentivo dos outros negociarem com ele. A melhor análise que eu vi até agora sobre isso foi da Patrícia Campos de Melo na Folha, quando ela disse que o Irã pode desafiar a teoria do louco do Trump. A teoria do louco é um negócio teoria dos jogos, é um negócio que existe a sério. A gente discutiu já que…

Ana Clara Costa: Mete o louco.

Celso Rocha de Barros: É, você… Se você parecer louco, o seu adversário pode ceder mais do que cederia racionalmente. Ele pensa: “Cara, eu não sei se esse cara vai agir racionalmente, então ele pode perfeitamente fazer uma coisa que taca fogo em tudo, ou ele pode aceitar perder tudo que ele tem para me sacanear”, enfim. Então, assim, o Trump vinha tentando aplicar a teoria do louco em política internacional e os aiatolás estão virando para ele, dizendo aqui: “ó, dois podem jogar esse jogo”, entendeu? Assim, “a gente tem bastante maluco aqui também, se você quiser”. Então, enfim, a gente tem que torcer muito para esses países que estão tentando negociar uma saída diplomática, como Omã, por exemplo. Basicamente, talvez a sorte do mundo dependa de Omã, que eles consigam, enfim, basicamente apagar esse fogo, porque isso aí tem toda a cara de um negócio que é faísca para começar um incêndio pior.

Fernando de Barros e Silva: Um incêndio pior que é terceira guerra Mundial.

Celso Rocha de Barros: Ou qualquer coisa desse tipo. Pense numa guerra regional no Oriente Médio, todos aqueles países entraram em guerra um com o outro. O custo humano é incalculável. Pode virar uma guerra nuclear, mas, além disso, pensa no seguinte: não tem mais petróleo no mundo, não tem. O mundo vai virar Cuba, Cuba tá quase caindo o regime lá porque não tem combustível. O mundo vai ser assim. Imagina os efeitos sociais e políticos de um negócio desse. Então, assim, o nível de responsabilidade do governo americano nesse caso, é difícil achar uma coisa com a qual você possa compará-lo, entendeu?

Fernando de Barros e Silva: De irresponsabilidade.

Celso Rocha de Barros: De irresponsabilidade.

Fernando de Barros e Silva: Sim. Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre isso.

Ana Clara Costa: Eu só queria ponderar aqui que, muito antes do Trump voltar para esse segundo governo, tem um marco nessa instabilidade no Irã que foi a morte da Masa Amani, que foi uma garota, uma moça que usou, digamos, inadequadamente o hijab. O véu. Não queria usar, né? Óbvio. E acabou sendo morta ali pelas forças policiais, pela polícia moral do Irã. E isso desencadeou uma série de manifestações que foram se agravando aí eram reprimidas e se agravavam de novo. Isso antes do Trump voltar para o poder. Com essas operações contra o Irã, esses ataques desde o ano passado também, de certa forma, ele instrumentaliza essa insatisfação da população, que é uma insatisfação com tudo, né? Assim, é um país que economicamente vai mal, mil sanções, inflação, enfim, país totalmente isolado. De certa forma, ele instrumentaliza que já estava acontecendo lá dentro em favor desse plano dele de mudança de regime, que, como o Celso bem falou, não tem a menor chance de dar certo, porque não há ali no Irã uma possibilidade de composição como houve na Venezuela, com a Delci, por exemplo. Chega ao ponto de a gente estar aquela coisa rir para não chorar, enfim, rindo de nervoso, porque a gente está diante de uma guerra no Oriente Médio e ele chegou a cogitar ou conversar, ou enfim, com o herdeiro do Reza Pahlavi, o Xá da Pérsia, que morreu… Enfim.

Celso Rocha de Barros: Era o ditador antes da ditadura dos aiatolás.

Ana Clara Costa: Exato. Um cara que não tem representatividade nenhuma, descendente de um governo autoritário. Ou seja, se ele instrumentaliza e quer instrumentalizar essas manifestações da população iraniana, é para colocar um cara que quase não é de lá e que não provavelmente não tem nenhuma intenção de fazer um governo democrático.

Celso Rocha de Barros: Que todo mundo já derrubou, né?

Ana Clara Costa: Exato.

Celso Rocha de Barros: O Xá era ladrão pra cacete também. Esse cara aí até agora até hoje se sustenta, certamente, com o dinheiro que o Xá roubava lá dos iranianos.

Ana Clara Costa: Exato.

Celso Rocha de Barros: É uma tristeza.

Ana Clara Costa: E agora eles estão cogitando colocar os curdos no governo do Irã, ou seja, uma minoria de 10% da população iraniana que não tem absolutamente nenhuma representatividade para governar um país complexo como o Irã. Não existe experiência de governo entre os curdos para que…

Celso Rocha de Barros: Os curdos poderiam até se separar do Irã. Talvez pudesse funcionar, mas não.

Ana Clara Costa: Mas ele quer dar o Irã. Ele quer dar o Irã para os curdos, porque parece que os curdos agora estão conseguindo, os curdos entre eles, chegar num consenso entre eles, porque eles também têm várias vertentes ali divergentes e que talvez aquilo poderia ser a solução. Então, assim, é uma bagunça completa numa região como essa, né? E a chance disso virar um Iraque, um Afeganistão, e, depois, eles deixarem ali a coisa se agravar e ir embora, pegar o avião caça e voltar para os Estados Unidos e deixar aquilo ali, aquela bomba, é imensa, entendeu? Olhar para aquilo e perceber que pode ser que eles consigam alguma negociação vantajosa em petróleo, mas assim, deixar o país totalmente depauperado pela própria instabilidade que já existe. Então, essa está sendo a principal, o caminho que mais se vê como possível hoje para o Irã. É o pior deles, talvez pior que isso, seria o país ser inteiramente destruído por Israel ou pelos próprios Estados Unidos com Israel. Mas não existe nenhuma possibilidade do que está acontecendo agora… Primeiro, parar, ele simplesmente olhar e falar “Bom, acho que isso aqui pode ter sido uma bobagem. Vamos tirar o time de campo e voltar”. Qual é a chance de isso acontecer?

Celso Rocha de Barros: Manda o Temer mandar uma carta, que nem o Bolsonaro lá em 2018. “Foi mal, tava doidão”.

Ana Clara Costa: E aí, eu queria apontar para uma certa hipocrisia que a gente já falou algumas vezes aqui no Foro, no caso da ONU. Engraçado que nesse caso, como também no caso da Venezuela, os países europeus, as grandes democracias do mundo, em nenhum momento se manifestaram dizendo que os Estados Unidos feriram os preceitos da Carta da ONU nessa operação. Como eles também não fizeram no caso da Venezuela, que foi uma invasão também não justificada. Diferente do que eles fizeram no caso da Ucrânia, em que todos eles se mostraram indignados com o fato de a Rússia ter desrespeitado os artigos da Carta da ONU. Então, existe de certa forma, na comunidade internacional, uma passada de pano para todas as violações que os Estados Unidos estão cometendo nesses ataques contra o Irã. E, óbvio, o Irã não é uma democracia como a Venezuela também não era. Todo mundo reconhece isso, mas na Carta da ONU não está dizendo que se não é democracia, pode atacar, entendeu?

Fernando de Barros e Silva: Não, nada justifica esse ataque. É uma insanidade, né?

Ana Clara Costa: Exato. Exato.

Fernando de Barros e Silva: São dois psicopatas, o Netanyahu e o Trump, tentando se manter no poder. E o Trump tem agravante. Você falou a comunidade internacional passando o pano, mas ele está em rota de colisão com a Europa, né?

Ana Clara Costa: A Europa não se opôs e há uma discussão no Reino Unido hoje sobre entrar junto na guerra.

Fernando de Barros e Silva: Mas tampouco está endossando agora, né? E a Espanha se recusou a ceder bases militares para que ele pudesse usar. Ele falou mal da Espanha, falou que ia impor sanções a Espanha. Outros países da Europa saíram em defesa.

Ana Clara Costa: Da Espanha.

Fernando de Barros e Silva: Do regime espanhol.

Ana Clara Costa: Mas não, não do Irã.

Fernando de Barros e Silva: No Iraque, eles também passaram por cima do… Mas tentaram fazer uma…

Celso Rocha de Barros: Uma coalizão.

Fernando de Barros e Silva: Uma coalizão.

Ana Clara Costa: E no Iraque, a Europa de fato foi junto. O Reino Unido.

Celso Rocha de Barros: A França se afundou na vida por ter entrado na guerra.

Fernando de Barros e Silva: Todas as variáveis inspiram muito mais temor de que algo pior possa acontecer, porque se acontecer um Iraque ou um Afeganistão é pior, porque o Irã não é o Iraque ou Afeganistão. É um país maior, estratégico, com uma população enorme.

Celso Rocha de Barros: E olha só, se o Irã virar o Iraque, aquelas várias facções que disputavam o Iraque vão também estar disputando um programa nuclear, vão estar disputando um estoque de urânio enriquecido.

Fernando de Barros e Silva: O Irã é um país importante, está entre os 20 maiores países do mundo.

Celso Rocha de Barros: Exato.

Ana Clara Costa: E, agora, assim, internamente para o Trump, isso é uma questão que para os democratas é muito complexa, porque não tem como você pegar lá e chegar você, um representante do Partido Democrata, chegar lá e defender o Irã ou não ataque ao Irã. Assim, diante de todo o histórico dos Estados Unidos com o Irã, então ele coloca, de certa forma, o Partido Democrata numa sinuca ali com esses ataques. Porque por mais que eles considerem que os Estados Unidos não deveriam se envolver numa guerra, não dá para vocalizar algo em defesa do Irã lá dentro. Então ele, de certa forma, sufoca a oposição ao que ele fez. Claro que você pode se opor. No aspecto econômico, “ah, o governo entra em shutdown mês sim, mês não. E você vai usar nosso dinheiro para fazer uma operação no Irã? Sendo que a gente está precisando disso aqui, inclusive dentro do próprio Partido Republicano”. Esse é um argumento também, né? Mas o fato é que a oposição a essa ideia lá dentro tende a ser sufocada pela histórica relação ou divergência dos EUA com o Irã. E, por último, no caso do Brasil, há essa perspectiva de um encontro com Trump, de uma visita do Lula, uma visita de Estado aos Estados Unidos, que estava prevista para acontecer em algum momento de março, mas que, diante da situação, agora ela está um pouco pendente, porque existe uma discussão no governo e, tem partes ali que concordam ou discordam, se seria bom para o governo chegar aos Estados Unidos nesse momento, porque daí você se coloca numa situação em que você é obrigado a discutir o Irã e aí você não quer também uma desavença, porque o que tá acontecendo agora, na verdade é uma retomada de relação depois do tarifaço do ano passado. A gente está num ano eleitoral, você realmente quer se colocar nessa situação delicada? Assim, a gente está precisando de uma briga com os Estados Unidos por causa do Irã nesse momento? Então, tem essa vertente que acha que a gente deveria agir com parcimônia e tentar postergar esse encontro para depois. E, há outras pessoas que acham que o governo deveria manter a agenda e tentar se esquivar do assunto desconfortável e falar do que é importante para o governo hoje, que na verdade o Lula mais queria discutir com o Trump era tentar fazer um acordo na parte de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, que é um assunto que eles consideram que é um dos poucos pontos de contato entre os dois governos, e eles acham que isso poderia ser, inclusive, uma vantagem para o Brasil na hora do discurso da segurança pública, quando o Lula estiver em campanha. Você ter essa parceria com os Estados Unidos, eles acham que isso é fundamental. Então, a gente está nesse labirinto hoje, mas é possível que o encontro não aconteça em março, em razão de tudo isso, e, talvez, seja postergado para abril, por exemplo.

Fernando de Barros e Silva: Perfeito.

Celso Rocha de Barros: Fernando. Antes de acabar o bloco, eu só queria fazer uma errata do programa anterior. Errei feio, errei rude. Eu confundi dois juízes da Suprema Corte americana. Eu confundi o Neil Gorsuch com o Brett Kavanaugh. Então, eu queria agradecer ao pessoal que me avisou e fica aqui a correção.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. A gente encerra então o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, Kinder Ovo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Pode soltar a diretora.

Sonora: E eu pergunto qual político brasileiro consegue ser investigado durante dez anos e a Polícia Federal, o Ministério Público não conseguir nada.

Celso Rocha de Barros: É o Gilson Machado?

Fernando de Barros e Silva: É baiano.

Celso Rocha de Barros: Pode falar.

Ana Clara Costa: Não tem mais.

Fernando de Barros e Silva: Putz, essa gente vai. Foi humilhante. Quem fala é o ex-senador e ex-ministro Romero Jucá.

Ana Clara Costa: Mas eu não reconheceria.

Fernando de Barros e Silva: O MDB de Roraima. Em entrevista à CNN Brasil, para os Anais. Mari Faria, você está empilhando vitórias. Ela voltou das férias terrível.

Ana Clara Costa: Essa foi, nossa, foi muito boa.

Celso Rocha de Barros: Essa foi muito boa.

Ana Clara Costa: E a frase é muito boa.

Celso Rocha de Barros: A frase é muito boa.

Fernando de Barros e Silva: Bom, depois de mais essa derrota da classe operária. Vamos para o momento em que não há derrota. O momento de vocês no momento das cartinhas, o melhor momento do programa. Eu vou então começar lendo a mensagem da Marta Fellows: “Já era muito fã da Ana Clara, agora quero uma carteirinha própria. Além de excelente jornalista, ela é remadora. Este meu esporte de coração é renegado pela maioria dos brasileiros, mas não por nossa sábia. Viva a Ana Clara! Uau! Ana Clara”.

Ana Clara Costa: Ai, que legal!

Fernando de Barros e Silva: Nossa remadora! Adoro ela em vários sentidos, viu Marta? Rema, rema na apuração, rema, ela rema.

Celso Rocha de Barros: Rema mesmo.

Ana Clara Costa: O Jefferson Fernando escreveu: “Nunca comento porque sempre acho que não sou inteligente o bastante para isso. Mas preciso dizer o quanto eu amo quando o Celso pausa as piadas nos comentários para que o Fernando solte aquela gargalhada maravilhosa. E quando a piada é tão sem vergonha e ácida que até a Ana ri junto”. Eu rio de qualquer coisa, filho. Sem desmerecer as piadas do pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Os ouvintes já estão vendo pausas dramáticas no programa.

Ana Clara Costa: Falou que até a Ana ri. Eu sou a que mais ri. Bom, enfim, “sou muito grato por ter vocês as sextas me fazendo pensar. Fui no evento no Rio de Janeiro e ainda tirei foto. Isso foi um sonho. Meu noivo, que não os conhecia, ficou apaixonado pela inteligência da Ana. Beijo para vocês!”. Pô Jeferson, que legal! Adorei essa cartinha.

Celso Rocha de Barros: Muito legal!

Fernando de Barros e Silva: Os neurônios da Ana remam também.

Ana Clara Costa: E um beijo para o seu noivo que você não disse o nome, mas…

Fernando de Barros e Silva: É muito bom!

Ana Clara Costa: Fica aí o nosso alô!

Fernando de Barros e Silva: Ótima cartinha.

Celso Rocha de Barros: Excelente. A Lina Maria mandou: “Escuto o Foro semanalmente e quando meus alunos me perguntam que influencer eu gosto, sempre menciono que sigo e me inspiro em vocês. Na esperança de fazer brotar a semente da informação de qualidade e do senso crítico nos adolescentes. Em fevereiro foi meu aniversário e eu queria um parabéns de vocês. Seria muito significativo para essa esperançosa professora de história, apesar de tudo”. Parabéns. Para começar, todo professor de história é meu ídolo. Parabéns para você mesmo.

Ana Clara Costa: Parabéns!

Fernando de Barros e Silva: Bom, mas eu como influencer sou o maior fracasso. Não consigo influenciar nem minhas gatas aqui em casa.

Celso Rocha de Barros: Eu também não estou influenciando muita coisa.

Fernando de Barros e Silva: Eu chamo, elas não vem.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Sou péssima influência. É isso. Oque é bom, dura pouco. O que não é tão bom, também acaba. A gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir dar start para gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music Favorita, na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da piauí. Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem do programa e do Gilberto Porcidônio. A edição é da Bárbara Rubira e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana.

Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: É isso gente! Uma ótima semana a todos, apesar de tudo, e até semana que vem.