CRÉDITO: BETO NEJME_2025
Contra a monocultura branca
Os quilombos são fruto da partilha, e não do isolamento, como pensa Vladimir Safatle
Para iniciar a conversa com Vladimir Safatle a respeito de seu ensaio O grande FMI universitário, publicado na piauí_232 (janeiro de 2026), sublinho que a crítica aos estudos decoloniais – como a que ele fez no texto – é relevante porque o conhecimento se faz no embate de ideias e naquilo que das ideias pode ser ponto de partida para um regime de confluência do pensamento. Entretanto, tendo a pensar que seu artigo fracassa nesse propósito por dois motivos. Primeiro, porque não consegue colocar ideias efetivamente em debate, pois ignora pontos centrais da reflexão de seus interlocutores. Segundo, porque seu texto não permite perceber que as confluências entre o pensamento europeu e os de outros territórios só pode ocorrer com o necessário descentramento da Europa – a partir do que podemos efetivamente pensar uma paridade epistêmica de base para o diálogo entre iguais.
Essas considerações iniciais ajudam a refletir sobre o que no texto de Safatle aparece na forma de um lamento abstrato: que o “perspectivismo” pioneiro de Montaigne não tenha feito escola na modernidade. Ele escreve: “Montaigne foi o primeiro filósofo ocidental a pensar o contato dos europeus com sociedades ameríndias como uma experiência de descentramento, ou seja, sem entendê-las como formas sociais arcaicas, mas como possibilidades colocadas ao presente. […] Infelizmente, esse perspectivismo não fez escola.” A pergunta que se coloca então é a seguinte: por que não fez escola?
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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