A DIÁSPORA ASIÁTICA NAS AMÉRICAS

Exposição Cartas à memória reúne pinturas, fotografias, instalações e vídeos
Imagem A diáspora asiática nas Américas

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A exposição Cartas à memória, com curadoria de Yudi Rafael no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo, investiga a diáspora asiática nas Américas. Reúne aproximadamente noventa obras, incluindo pinturas, fotografias, instalações e vídeos. Entre os nomes brasileiros, estão as jovens Alice Yura e Carolina Rica Lee, e os veteranos Flávio Shiró e Mario N. Ishikawa. Entre as figuras internacionais, destacam-se a ativista Corky Lee e os fotógrafos Toyo Miyatake e Dorothea Lange (1895-1979).

O nome da mostra coletiva é emprestado do título do livro da autora nipo-americana Karen Tei Yamashita, que morou no Brasil nos anos 1970, durante a ditadura militar, desenvolvendo uma pesquisa sobre a imigração japonesa. Segundo o curador da exposição, a produção de Yamashita – que inclui também os livros Brazil-Maru (1992) e I Hotel (2010) –, é marcada pela multiplicidade e por “um imaginário asiático-americano geograficamente expandido pelas relações Norte-Sul – para além do eixo Leste-Oeste […]”

Na entrada da exposição, o visitante pode seguir tanto à esquerda quanto à direita. À esquerda – ala na qual o diálogo entre as obras é mais profícuo –, há cachos de vegetação, feitos em papel, que pendem do teto. Trata-se de uma instalação do artista Ryan Villamiel, chamada Locus Amoenus (2025). As folhas esverdeadas e com recortes internos não trazem acolhimento, mas sim estranhamento. Traduzido para o português, o nome em latim da obra significa “lugar agradável”. Contudo, a espécie no qual Villamiel se inspira é a Monstera deliciosa, conhecida como “Costela de Adão”, uma espécie tropical invasiva que se guia pela capacidade de adaptação a lugares desconhecidos e adversos. O artista ainda integra ao processo de produção da obra o tema da cartografia e uma técnica filipina de recorte de papel chamada pabalat.

Nessa mesma sala, mais ao canto, a instalação de Caroline Ricca Lee – intitulada Antimatéria fantasma e todos nós que perdemos a guerra (2025) – também utiliza o expediente da suspensão, mas de uma forma mais incisiva, já que correntes de metal sustentam o busto rosa de aspecto transparente, central na obra e ladeado por dois vasos de flores. Incrustados no busto, vemos fotografias, um relógio, e outros objetos herdados pela artista de seus antepassados japoneses e chineses. Esse cruzamento entre memórias pessoais e fenômenos políticos também está presente em Fong (2023), de Chantal Peñalosa Fong, um dos melhores trabalhos da mostra, um vídeo que examina a imigração chinesa nas Américas a partir do contexto social e da história familiar da artista. Uma frase do vídeo ressoa e cria um diálogo com o trabalho de Rica Lee: “A história chinesa não aparece na história oficial mexicana. É como um conto de aparições”.

Cartas à memória fica aberta à visitação até 3 de maio de 2026 e é uma das melhores exposições em cartaz na cidade de São Paulo.


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