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Mai 2025 11h58
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Com chapéu, calça e camisa pretas, Zanele Muholi compareceu ao Instituto Moreira Salles¹, em São Paulo, para uma conversa com o público no dia 22 de fevereiro, por ocasião da abertura de sua exposição Beleza valente (que ficará em cartaz até o dia 22 de junho). Vestia uma espécie de poncho vazado com detalhes brilhantes, que quebrava a sobriedade do conjunto. Era um look sofisticado, que atraía os olhares e causava admiração.
De alguma forma, o detalhe da roupa e do olhar revelava algo sobre a personalidade e a força da obra de Muholi, que, aos 52 anos, é um dos principais nomes da fotografia contemporânea. Muholi nasceu na África do Sul e se identifica como uma pessoa não binária. Começou sua carreira após o fim do regime do apartheid, e fez da fotografia um instrumento de denúncia das violências sofridas pela comunidade LGBTQIA+ no país. Aos poucos, passou a exaltar essa comunidade, acompanhando as inúmeras mudanças pelas quais seus membros passam ao longo da vida, as idiossincrasias de seu cotidiano, com destaque para a tessitura dos amores e amizades. Em 2012, Muholi participou da mais importante mostra de arte internacional, a Documenta de Kassel.
Beleza Valente conta com mais de cem trabalhos. Chamam a atenção duas telas e uma peça escultórica, instalada na entrada da instituição, que tem face para a Avenida Paulista. Esses trabalhos são exceções, já que a pintura e a escultura são linguagens novas para Muholi, que passou a se dedicar a elas durante a pandemia. O conjunto da exposição é formado em sua maioria por fotografias feitas a partir dos anos 2000. Inclui séries importantes, como Faces e fases, desenvolvida desde 2006 e que foi apresentada na Bienal de Veneza em 2019, e Bravas belezas, iniciada em 2013.
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¹ A família do fundador da piauí é criadora do Instituto Moreira Salles (IMS)