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A LUTA SOLITÁRIA DE MÉRCIA

Lady Tempestade conta a história da advogada pernambucana que defendeu centenas de presos políticos na ditadura
Imagem A luta solitária de Mércia

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A peça Lady Tempestade, escrita por Sílvia Gomez, conta a história de Mércia Albuquerque, advogada pernambucana que lutou pelos direitos de presos políticos durante a ditadura militar. A narrativa tem como fonte seu diário, escrito entre 1973 e 1974 (publicado em 2023 pela Editora Potiguarana). A dramaturga investiga como a tirania e o terror políticos são mais frequentes do que imaginamos. A seguinte frase é repetida diversas vezes no texto: “Essas coisas aconteceram, acontecem, acontecerão.” Lançada pela Editora Cobogó, a peça faz parte da coleção Dramaturgia, que já publicou mais de cem textos teatrais. 

No início da história, depois de um telefonema misterioso, A. (personagem interpretada por Andrea Beltrão) recebe o diário de Mércia pelo correio. O documento a aterroriza, e ela resiste a lê-lo, pois sabe que, ao entrar na história de Mércia Albuquerque, não haverá volta. “Esquecer é muito bom. Esquecer é ótimo. […] Mas não é estranho que as coisas que eu mais desejei esquecer sejam as coisas que eu jamais consegui esquecer?”, diz.

Depois de enfrentar a angústia, A. mergulha na leitura do diário, deparando-se com a luta solitária da advogada. São relatos de torturas, mortes e desespero das vítimas e suas famílias. Mércia Albuquerque chama os policiais de gafanhotos e os enumera, já que “são muitos e se multiplicam”. Ela conta ter ouvido de um “gafanhoto” a seguinte frase: “Me dói mais a morte de um cavalo do que a de um preso político.” A advogada respondeu: “Faz muito bem em defender a sua espécie, eu defendo a minha.” 

A montagem teatral, dirigida por Yara de Novaes, e a interpretação de Andrea Beltrão são fascinantes. Mas a própria leitura da peça, que reproduz alguns trechos originais do diário de Mércia Albuquerque, provoca reflexões e sentimentos inauditos. 

Lady Tempestade, que esteve em cartaz no Rio de Janeiro até o final de abril, está em cartaz em Porto Alegre até 4 de maio. Em São Paulo, será apresentada de 30 de maio a 6 de julho. Uma reportagem de Darlene Dalto para o site da piauí conta detalhes sobre a adaptação da história de Mércia para o teatro.


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