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Jul 2025 16h22
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Depois de ter sido adaptada na Europa e nos Estados Unidos, a obra do autor Édouard Louis chega, enfim, aos teatros brasileiros. A primeira temporada da peça EDDY – violência & metamorfose estreou em junho no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, e tem apresentações confirmadas até o dia 13 de julho – depois, de 17 de julho a 31 de agosto, estará no Teatro Poeira. As discussões de classe que tornaram o escritor francês um fenômeno literário estão presentes no espetáculo, mas o tema principal é um estupro que ele sofreu quando tinha 20 anos.
Era a noite da véspera do Natal de 2012. Louis bebeu um pouco de vinho e trocou presentes com os amigos na casa do sociólogo Didier Eribon. Tarde da noite, voltando para casa de bicicleta, ele foi abordado por um jovem bonito que se apresentou como Reda. A princípio relutante, Louis acaba cedendo à sedução de Reda e o leva para o seu apartamento. Os dois atravessam a madrugada entre sexo e conversas. O assunto, claro, é principalmente sobre classe social: Reda é cabila, e seu pai migrou da Argélia para a França para se deparar com uma vida de trabalho exaustivo e pobreza. O que pareceria tornar os dois homens almas gêmeas sociológicas se altera quando, pela manhã, Reda embolsa o iPad e o iPhone de Louis. Furioso com a acusação implícita de que era um ladrão, Reda estrangula Louis com um cachecol e o ameaça com uma arma, depois o estupra.
No dia seguinte, apesar do trauma, Louis não apresenta queixa à polícia. O jovem estudante (àquela altura Louis ainda não tinha publicado o primeiro livro) rejeita a ideia de mandar alguém para a prisão. É nesse dilema sobre o que o protagonista deve fazer que a peça ganha sua força existencial: Louis não sabe se cede à insistência dos amigos em denunciar Reda para prevenir outros crimes ou se evita mandá-lo à prisão. Meses depois, ainda lidando com o trauma da violência, Louis retorna à casa da família e conversa com a irmã sobre o que sofreu. A irmã, Clara, duvida do relato dele.
A peça foi idealizada pela Polifônica Cia. – mesmo núcleo teatral que criou a excelente Deserto, sobre a vida e a obra de Roberto Bolaño. O elenco é formado por João Côrtes (Édouard Louis), Julia Lund (Clara) e Igor Fortunato (Reda). Todos os três são bons, mas Fortunato como Reda é excelente.