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Jul 2025 16h23
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Às sete da noite do dia 24 de abril, uma multidão atípica ocupava o Washington Square Park, em Nova York. Pouco mais cedo, a cantora neozelandesa Lorde havia convocado seus fãs pelo Instagram para um encontro naquela noite. Ela planejava gravar o videoclipe para a música What was that, aperitivo para seu novo álbum lançado em 27 de junho. Seus planos, porém, foram frustrados em parte. Quando todo o público já se aglomerava no local combinado, a polícia, usando uma lei antiterrorista, iniciou uma operação para dispersar a concentração de pessoas. Mais tarde, depois de um provável acordo, a cantora conseguiu chegar à praça e tocar a música inédita.
O single, apesar de todo o burburinho causado em torno dele, parecia frio demais, como um rescaldo de seu aclamado segundo trabalho. Já o álbum dá outra impressão. Pela primeira vez, Lorde comenta sua dolorosa relação com o corpo, expõe suas inseguranças e reflete sobre sua identidade de gênero. Em Hammer, faixa de abertura do novo disco, ela diz que ora é mulher, ora é homem. Há uma visceralidade que guia a produção lírica do álbum Virgin, a começar pelo nome escolhido para o registro – que, nesse caso, refere-se a uma espécie de transparência total, uma certa pureza ao comentar situações cotidianas.
Batidas eletrônicas, sintetizadores e teclados digitais compõem a identidade sonora do álbum. No entanto, o destaque mesmo é a voz de Lorde, às vezes robotizada, como na faixa Clearblue, em que não há instrumental. O nome da faixa faz referência a uma marca de teste de gravidez e, sem rodeios, nela a cantora fala sobre a tensão que precede o resultado. Já no fim da canção, diz: “Eu queria ter guardado o teste/Assim, lembraria como é me sentir tão/Exposta ao calor do momento.” Trecho que, apesar de simples, nos lembra que poucos artistas pop de sua geração soam tão puros quanto ela.
O quarto disco é na verdade uma revisão sonora de seu trabalho de estreia, lançado quando a cantora tinha apenas 16 anos. Lorde, depois dos costumeiros quatro anos de hiato, retorna sem excessos e sem firula metafórica para cantar suas vivências recentes – o que, sem reservas, também guia o minimalismo sonoro do álbum. A maior parte das imagens promocionais feitas para a nova safra de músicas são raios X de partes de seu corpo. “É hora de transparência total”, ela escreveu.