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AS CORES DE AMELIA TOLEDO

Obras da artista paulistana no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), em São Paulo, exploram a imprevisibilidade da natureza
Imagem As cores de Amelia Toledo

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Amelia Toledo (1926-2017) foi uma artista paulistana da mesma geração de Lygia Clark, Lygia Pape e Mira Schendel. Uma das bases de sustentação de sua linguagem é a relação com a natureza, que passa por uma investigação molecular com ares poéticos, seja por meio de instalações, pela pintura ou objetos.

Na exposição Amelia Toledo: Paisagem Cromática, em cartaz até 4 de agosto no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), são apresentadas mais de cem obras. Na parte externa do museu, destaca-se a instalação Cachoeira de Amor, uma espécie de pirâmide formada por quartzos rosa. Ali, a aspereza denotada às pedras é dissipada por um tom de rosa tão doce quanto aquela fase da relação amorosa em que a vida parece correr como a maré quando em movimento delicado.

Na área interna do museu, depois da passagem pela porta de vidro, um dos funcionários, dedicado à mediação com o público, pede aos visitantes que tirem os sapatos. Todo o piso, na mostra, está forrado com areia. Se a pessoa preferir, pode ficar de meias. Não tem como não se sujar. Assim notamos que esses pequenos grãos, principalmente de quartzo, podem ser tão imponentes quanto a arquitetura brutalista de Paulo Mendes da Rocha, que assina o prédio do MuBE e era amigo da artista.

No percurso da exposição retrospectiva, fica patente o interesse de Amelia Toledo pelas cores, como sugerido pelo título da exposição. Mas não se trata da cor purificada que remete ao espectro da luz, nem das cores industriais das tintas a óleo ou acrílica. São as cores que nascem da elaboração e da imprevisibilidade da natureza. A geóloga Daniela Gomes Pinto, uma das curadoras da exposição, explica: “Tem minerais que dependendo da composição química absorvem algumas cores e outras não. Quartzos normalmente são brancos ou transparentes. Quando se tem um quartzo rosa, a cor é tida pela impureza na formação daquele cristal. Em geral, oriunda da absorção de fosfato.” Nesse sentido, de cores que são “impureza” ou um amálgama de tons díspares, como marrom, verde e azul, é salutar ver com calma o cordão de conchas Gambiarra (1976), a pintura Montanha sonhando com o céu (2001) e a instalação Caminho de Cores do Escuro (2001). 


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