filme
22 Jan 2026
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Neste drama argentino (que, pasmem, não tem o Ricardo Darín), a atriz uruguaia Natalia Oreiro interpreta uma mãe de classe média cujo filho, de apenas 18 anos, é detido e levado à prisão após a acusação de ter participado em um assalto. Baseado na história real de Andrea Casamento, uma viúva com três filhos cuja vida vira do avesso quando o mais velho é encarcerado, o filme, que está disponível na Netflix, foi rodado na penitenciária de Ezeiza, em Buenos Aires, e conta com a participação de várias mulheres parentes de detentos, o que lhe confere uma dose extra de dureza e legitimidade.
A trama acompanha a transformação de Andrea, da incredulidade e desespero iniciais (“isso não pode estar acontecendo comigo, eu venho de outro lugar”), à compreensão do que vivenciam muitas outras mulheres que tentam ajudar seus filhos e maridos atrás das grades: as longas filas, as humilhações durante as revistas, a imensa burocracia. Ao atravessar esse percurso, sua visão, de início marcada por distanciamento e preconceito, vai se modificando. Sem excesso ou melodrama, a atuação de Natalia Oreiro capta com destreza essas múltiplas reações da mãe depois da ruptura que esse evento provoca na vida familiar: negação, impotência, culpa, vergonha, receio perante os outros e finalmente solidariedade e empatia. E dessa solidariedade e empatia nasce a necessidade de trabalhar pelos direitos de presidiários e seus familiares.
Na vida real, Andrea Casamento fundou em 2008 a Associação Civil de Familiares de Detidos (ACiFaD) e se tornou ativista. Seu trabalho joga luz sobre o esforço e a resiliência de inúmeras mulheres que se movem em um ambiente onde os maus tratos, o estigma social, a burocracia e a injustiça falam mais alto do que a prometida ressocialização. As mulheres da associação que aparecem no filme também, são, de fato, integrantes da entidade, não são atrizes. Foram suas histórias e testemunhos que deram a Natalia Oreiro a matéria-prima para compor seu papel.