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Mai 2024 10h51
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A questão climática tornou-se um tema prioritário em várias áreas do saber. Nessa esteira de mobilização, a pergunta nas artes visuais é como os artistas podem contribuir para ampliar a reflexão sobre o tema. Uma das respostas está na exposição George Love: além do tempo, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo até 1º de setembro.
Filho de uma escritora, Love (1937-95) nasceu em Charlotte, na Carolina do Norte, no sudeste dos Estados Unidos, região marcada pelo forte racismo. Fez seus estudos em Nova York, onde iniciou sua produção artística em fotografia. Em 1966, ele se mudou para o Brasil, onde viveu por mais de vinte anos. Em trabalhos na Amazônia, Love teve como parceira de trabalho a fotógrafa Claudia Andujar, sua mulher. Mas nunca se tornou um nome muito conhecido do público brasileiro. Sempre foi tido como um fotógrafo de fotógrafos, ou seja, conhecido apenas por artistas e especialistas, o que não reduz sua importância, visto a influência que exerceu em seus contemporâneos.
A mostra no MAM reúne mais de quinhentas fotografias de Love, permitindo entender com clareza como ele construiu seu universo visual e como a natureza é importante para seu trabalho. Dentre os vinte núcleos da exposição, o mais fascinante é “Amazônia”, com fotos feitas na floresta em 1971 para uma edição especial da revista Realidade, da editora Abril. As vistas aéreas de paisagens – campo no qual Love ficou conhecido – dão conta da monumentalidade da área vegetal. Também revelam a grandiosidade das águas dos rios, com seus movimentos turbulentos.
A expografia de Pedro Mendes da Rocha é bem-sucedida. O cinza que predomina nos módulos não torna a mostra sisuda – pelo contrário, dá vontade de explorar a exposição em detalhes. Rocha montou logo no começo da exposição um recorte, que simula uma polaroid a ser ocupada, sugerindo que os visitantes façam fotos ali. Não é um gesto pirotécnico ou “caça-clique”, como ocorre em outras exposições: o autorretrato era um gênero importante na produção de Love.