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O CINEMA DE HIROKAZU KORE-EDA

Mostra no Rio de Janeiro apresenta a obra do diretor japonês, marcada por um olhar sensível à dor humana e crítica às desigualdades sociais
Imagem O cinema de Hirokazu Kore-eda

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O diretor norte-americano Martin Scorsese disse, há alguns anos, que os filmes da Marvel não eram “o cinema de seres humanos tentando passar experiências emocionais, psicológicas, para outro ser humano”. A reflexão de Scorsese serve para a grande maioria dos filmes mainstream americanos. Mas esse é um problema de Hollywood. No cinema do diretor japonês Hirokazu Kore-eda, experiências emocionais jorram em abundância.

Até o dia 11 de agosto, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, exibirá a mostra O Cinema de Hirokazu Kore-eda. É uma oportunidade de ouro para mergulhar na obra de um cineasta que traz, no cerne de sua filmografia, um olhar sensível e humanista sobre as dores, tristezas, traumas e desventuras humanas. E o mais interessante: Kore-eda vasculha as subjetividades humanas sem deixar de refletir sobre o contexto social em que os dramas acontecem. O diretor tem um olhar crítico sobre a sociedade japonesa e as desigualdades sociais do país, nos fazendo lembrar que o capitalismo no Japão também produz profundas assimetrias econômicas.

Entre suas obras mais conhecidas, o público poderá rever Assunto de Família, o comovente drama de 2018 que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na história, uma família muito pobre que vive de pequenos furtos adota uma menina igualmente vulnerável. Nessa obra, Kore-eda alcança a maturidade de seu inconfundível estilo naturalista e propõe um questionamento ético presente em muitos de seus filmes. O que é realmente imoral: um sistema que esmaga o pobre, ou o pobre que comete transgressões para sobreviver a esse sistema?

Também está na programação o acachapante Monster, de 2023, em que Kore-eda narra uma triste história de amor entre dois meninos. O diretor utiliza três pontos de vista diferentes para revelar uma única verdade. Seu estilo contemplativo convive com um cinema vibrante, cheio de surpresas, mistérios e reviravoltas. É um cinema que estimula o espectador a pensar, buscar sentidos e construir suas próprias respostas.

Os fãs de Kore-eda terão ainda a chance de assistir a preciosidades pouco conhecidas pelo público brasileiro, como seus primeiros filmes de ficção: A Luz da Ilusão, O Terceiro Assassinato, Ninguém Pode Saber, Broker – uma nova chance, Pais e Filhos e Nossa Irmã Mais Nova. Seja qual for o filme da lista que você escolher, estará mergulhando numa experiência visual e temática profunda sobre as dores humanas numa sociedade que não te dá escolhas e te leva a decisões extremadas.


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