piauí recomenda
Mai 2025 09h42
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Na Avenida Paulista, um novo edifício ocupa a paisagem. Um monolito de cor cinza escuro ao lado do Masp, o prédio icônico de colunas vermelhas inaugurado em 1968. Ambos têm o mesmo tamanho, com a diferença de que o mais antigo é horizontal e o mais novo é vertical. A sede do museu paulistano que virou cartão postal da maior cidade da América Latina foi batizado, recentemente, como Lina, enquanto sua extensão é Pietro — homenagem a Lina Bo Bardi, a arquiteta que desenhou a obra, e Pietro Maria Bardi, seu marido e o primeiro diretor artístico da instituição.
Para a inauguração do novo prédio, o conjunto de exposições Cinco ensaios sobre o Masp está em cartaz desde o fim de março e ficará por lá até 3 de agosto. É uma programação com cinco mostras diferentes que compõem um olhar múltiplo sobre a coleção do museu. Uma delas, no segundo andar, revisita os escritos da arquiteta do antigo prédio. Quem assina a videoinstalação é Isaac Julien, cineasta britânico que apresenta a obra pela primeira vez no Brasil. Julien contou com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres para encenarem Bo Bardi.
A escolha por duas atrizes em idades diferentes é acertada: enquanto as imagens delas aparecem em pontos alternados do andar, em painéis suspensos por blocos de concreto (assim como os cavaletes de vidro também projetados pela ítalo-brasileira), a voz de Montenegro ocupa a sala lendo a citação que dá título ao trabalho: “O tempo linear é uma invenção ocidental; o tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado onde, a qualquer instante, podem ser escolhidos pontos e inventadas soluções, sem começo nem fim.” Julien, ao trazer mãe e filha, leva a cabo o que diz Lina. O britânico embaralha as duas figuras nas nove telas, como num verdadeiro emaranhado.
Caracterizadas como a arquiteta, com a franja emblemática de Bo Bardi, as atrizes transitam e interagem com construções assinadas por ela em São Paulo (o próprio museu, Teatro Oficina e Sesc Pompeia) e em Salvador (Museu de Arte Moderna da Bahia, Restaurante Coatí – projetado em parceria com o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé – Casa do Benin e Teatro Gregório de Matos) – jóias do modernismo brasileiro. Além das duas, o Balé Folclórico da Bahia também participa da videoinstalação – o que traz à baila questões sociais ligadas aos cruzamentos incontornáveis entre arquitetura, política e cidades: temas que dão tônica aos trabalhos de Lina Bo Bardi.