piauí recomenda
Dez 2023 15h15
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Depois do lançamento do disco À Procura da Batida Perfeita, em 2003, o carioca Marcelo D2 foi consagrado um dos rappers mais engenhosos da sua geração. E também ficou conhecido, entre os seus pares e ouvintes, como aquele que mistura o rap com o samba. Esta seria a linha artística que D2 seguiria explorando ao longo de duas décadas, até aprofundá-la no que já pode ser decretado o álbum definitivo da sua carreira: o novo IBORU, que chegou às plataformas digitais em junho.
Em dezesseis faixas, o rapper combina as várias vertentes do samba com o grave eletrônico do hip-hop. Ao resultado da mistura, D2 dá o nome de “novo samba tradicional”, o gênero musical que, segundo ele estima, atrairá o interesse dos mais jovens para a cultura popular brasileira. “Arquitetos do samba merecem respeito e consideração”, declama D2 em Só vou morrer quando o meu samba morrer, a quinta música da tracklist. O time de sambistas reunidos em torno do disco é extenso. Entre compositores e intérpretes, D2 divide o espaço com Alcione, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Nega Duda, Mumuzinho, Arlindinho e Moacyr Luz. O baiano Mateus Aleluia, que integrou o conjunto Os Tincoãs, aparece na faixa Kalundu.
Mas a ajuda fundamental para a criação do disco veio de Luiz Antonio Simas, historiador, compositor e babalaô do culto de Ifá, sistema divinatório de matriz africana. É dele a letra de Pra curar a dor do mundo, música que encerra o disco e na qual D2 declama um poema sobre a sua tradição cultural, religiosa e familiar. Não foi a primeira vez que a família serviu de estímulo criativo ao rapper. Em 2021, D2 declarou ao jornalista Filipe Vilicic, que o perfilou para edição de número 179 da piauí: “Minha avó veio do Maranhão. Meus ancestrais me trouxeram a comida, o samba, o boteco, o terreiro, o quintal, a simbologia ‘da esquina da rua’. Tudo isso que veio antes afeta tudo que sai de nós hoje, né, mano?”