piauí recomenda
Jun 2025 10h17
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A nova série documental do Globoplay, Gloria, não é mais do mesmo. Dividida em quatro episódios com pouco mais de quarenta minutos cada, a produção revisita os principais momentos dos 52 anos de carreira da jornalista brasileira Glória Maria: a sua entrada na TV Globo em 1970, o histórico primeiro ao vivo do Jornal Nacional, em 1977, as grandes coberturas de eventos como a Guerra das Malvinas, Olimpíadas, Copas do Mundo, até a sua morte, em fevereiro de 2023.
Com direção de Danielle França e Paulo Sampaio, e roteiro assinado por Paulo Sampaio e Antonia Martinho, a superprodução tenta reconstruir os passos daquela que foi uma das primeiras repórteres negras a ganhar projeção nacional no país. A série nos leva a lugares marcantes da vida de Glória: a casa da infância e a última casa onde viveu, as antigas redações em que trabalhava e até mesmo o banco de uma Veraneio, carro usado pelas equipes de jornalismo da TV Globo, entre 1970 e 1980, quando a repórter começou a fazer reportagens. O roteiro é todo costurado com um rico material de acervo e depoimentos inéditos de amigos, familiares, colegas de trabalho e figurões da mídia como Roberto Carlos, Djavan, Maria Bethânia, Mano Brown e Emicida.
Mas Gloria não é uma biografia comum, cronológica, entediante. O documentário tenta imprimir um ritmo e uma energia quase iguais aos da homenageada, ainda que a maior sacada da série seja outra: a missão bem-sucedida de dar materialidade ao legado deixado por Glória, reunindo comunicadoras negras de diferentes partes do Brasil em um estúdio para assistir à série em primeira mão.
Ao longo dos episódios, vemos não somente a trajetória de Glória se desenrolar, mas também o impacto que ela provocou (e ainda provoca) nessas mulheres, que assistem junto com a gente, o público, e reagem emocionadas à sua representação na tela. A experiência de assistir a Gloria, portanto, é também coletiva. “Sempre que eu penso na Glória pulando de asa-delta, andando de montanha-russa, se jogando no bungee jump e caindo na gargalhada… isso para mim é profundamente inspirador”, comenta a jornalista Flávia Oliveira, em determinado momento do documentário. A série termina, e você levanta com mais vontade de viver. Com sorte, uma vida tão intensa quanto foi a de Glória.