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Ago 2025 18h03
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Um palco intimista foi montado na área externa do Sesc Estação 504 Sul, na Asa Sul, em Brasília, na tarde do dia 26 de junho, para um evento que receberia quatro atrações brasileiras do Jazz e do Blues. Por volta de 19h30, com um bom público acomodado em espreguiçadeiras, subiram ao palco o contrabaixista mineiro Dudu Lima e seus dois parceiros Caetano Brasil (clarinete e sax) e Leandro Scio (bateria).
O show foi a primeira oportunidade que Lima teve de apresentar ao público brasiliense algumas músicas de seu mais novo trabalho, o álbum Live in Brazil, lançado em abril, que celebra seus quarenta anos de carreira. Como o nome sugere, o álbum foi gravado ao vivo durante um show do Ibitipoca Jazz Festival, em 2023.
O disco, todo ele instrumental, é composto por oito faixas. Quatro delas são releituras de clássicos consagrados da música mundial, como Jesus, alegria dos homens (Johann Sebastian Bach) e Eleanor Rigby (Lennon/McCartney). A outra metade são composições autorais de Lima, como a faixa de abertura Rapadura é doce mas não é mole não e Nascimento.
Por ter sido gravado ao vivo, automaticamente somos levados para uma atmosfera dinâmica de palco e de improvisos, muito bem executados pelo trio. As faixas são longas e parecem ter várias músicas dentro de uma só. Destaque para a releitura de Jesus, alegria dos homens. Com um timbre singular e potente, o contrabaixista deu à melodia barroca uma energia típica de um clássico do Jazz. Já imaginou ouvir Bach e acompanhar com rápidos estalos dos dedos? Aqui você terá essa experiência. Dudu Lima traz ainda uma faixa em homenagem a Milton Nascimento com uma releitura de Nada será como antes. Lima gravou o álbum Milton Nascimento e Dudu Lima Trio – Tamarear, de 2015, ao lado do mestre Bituca.
A capa do álbum é de Antônio Carlos Rodrigues, autor da celebrada foto da capa do disco Secos e Molhados (1973), com as cabeças nas bandejas. Na capa do novo disco de Lima o fundo é preto e há um jogo de luzes, onde as cordas do contrabaixo parecem feixes de luz amarela enquanto o rosto de Dudu aparece colado ao braço do instrumento – talvez em conversa com uma de suas marcas: o contrabaixo vertical sem corpo, ou baixo skeletal (esquelético) – mais fino e sem o formato clássico dos baixos elétricos tradicionais ou contrabaixos acústicos.