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OS VAIVÉNS DA BANCADA DA BÍBLIA

Livro-reportagem mostra que parlamentares evangélicos não são tão numerosos nem tão unidos quanto se pensa
Imagem Os vaivéns da bancada da Bíblia

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A participação organizada dos evangélicos na política é um fato recente da história brasileira. Os protestantes foram uma minoria reprimida nos anos do Império, quando se exigia que deputados e senadores professassem a religião oficial do Estado – o catolicismo. Na primeira metade do século XX, o pentecostalismo se popularizou, mas os evangélicos ainda formavam uma tímida minoria da população. Pastores pouco se engajavam na política. A invenção de kit-gays e outras fantasias cabia à Igreja Católica.

A paisagem só foi mudar nos anos 1980, com a redemocratização. Mais numerosas e influentes, as igrejas evangélicas passaram a investir na eleição de parlamentares – visando, num primeiro momento, participar do debate sobre a nova Constituição. Em 1987, a existência da bancada evangélica do Congresso foi noticiada pela primeira vez num grande jornal, o Correio Braziliense. Desde então, cresceu de tamanho. Havia 32 evangélicos na Assembleia Constituinte, naquele ano; em 2022, segundo o Instituto de Estudos da Religião (Iser), foram eleitos 94 na Câmara dos Deputados – 18% do total.

Esse crescimento expressivo, somado à aptidão de alguns pastores em ocupar o noticiário, talvez explique o assombro com que muitas vezes se fala da bancada evangélica. O livro-reportagem de André Ítalo Rocha, A bancada da Bíblia, contribui para dimensionar melhor o problema. Não trata os políticos evangélicos como um fenômeno pitoresco nem os superestima. O leitor sai com a impressão de que os evangélicos no Congresso não são tão numerosos nem tão unidos quanto se pensa. Têm, essencialmente, a cara do Centrão.

Rocha, que é jornalista do Valor Econômico, fez um minucioso trabalho de pesquisa e acompanhou a campanha de seis candidatos evangélicos em 2022. Registrou algumas cenas preciosas, que ajudam a explicar figuras de proa como Magno Malta e Marco Feliciano. Talvez seu grande mérito, porém, tenha sido historicizar o fenômeno evangélico no Brasil. O monstro de sete cabeças reacionário ganhou essa forma há pouco tempo e não necessariamente continuará assim. O conservadorismo é fruto da circunstância e não tanto de uma qualidade inata da religião. A história da bancada evangélica exemplifica isso bem. 


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