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Mai 2024 17h28
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“Prima facie” significa à primeira vista. No contexto jurídico, a locução é utilizada para definir uma evidência que, se não for refutada, é suficiente para provar algo. Essa expressão dá nome ao monólogo de estreia da atriz Débora Falabella, que trata sobre como mulheres vítimas de estupro são vistas pelo sistema judicial. A peça está em cartaz até 30 de junho no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro. Em setembro, haverá uma temporada em São Paulo.
Escrita pela dramaturga australiana Suzie Miller, Prima facie ganhou várias montagens ao redor do mundo. Essa é a primeira adaptação do texto no Brasil. Com direção de Yara de Novaes, a peça conta a história de Tessa Ensler, uma jovem e bem-sucedida advogada que compara o seu trabalho ao de um taxista: precisa aceitar todas as corridas, não importa para onde. A verdade, ela diz, não é um problema dela, mas dos juízes e do corpo de jurados. Seu trabalho é tentar ganhar a causa, encontrar brechas no caso que garantam que seu cliente seja inocentado. Mesmo que ele seja um notório abusador sexual.
As coisas seguem assim na carreira ascendente de Tessa Ensler, até que ocorre uma virada de chave imprevista. A própria advogada sofre violência sexual de um colega de trabalho. Ela agora é a vítima. A advogada, então, passa a rever seu trabalho e a questionar o sistema judicial: ele é controlado por homens – e isso tende a favorecê-los.
Débora Falabella vai do entusiasmo à melancolia – e vive intensamente os sentimentos de Tessa Ensler durante uma hora e meia. A direção é potente, e a montagem necessária. Quando se sabe que uma em cada três mulheres são vítimas de violência sexual, Prima facie é uma excelente oportunidade para debater tanto esse tipo de agressão como a própria dominação masculina do sistema jurídico.