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Jun 2025 10h18
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Em 1974, Rita Lee Jones de Carvalho, já fora da banda Os Mutantes, se encontrava em Londres. Longe do país de origem, ainda na ressaca de ter sido expulsa da banda que a consagrou e que a fez “chorar três meses sem parar”, como ela própria diz, ela resolveu pintar o seu cabelo, então loiro, com henna, até que ele ficasse ruivo como fogo. Em 2014, aos 66 anos e mandando uma banana para os etaristas, ela parou de pintar o cabelo e adotou os fios prateados. Em certo momento do documentário Ritas, ela filosofa para a câmera, dizendo que, naquele momento, de sol, ela virou a lua. É essa mulher de fases que o filme descortina. A obra dirigida por Oswaldo Santana e codirigida por Karen Harley deixa a rainha do rock e do pop brasileiro solta, falando sobre si e fazendo ela mesma uma “arqueologia pessoal” de sua vida enquanto perambula e divaga pela sua própria casa e alcova. Essa foi a última entrevista que a poeta, compositora, instrumentista, escritora, mulher, mãe e avó deu antes de morrer em 8 de maio de 2023.
Os materiais inéditos, como as gravações caseiras feitas pelo celular que a própria artista realizava num intuito documental íntimo durante a pandemia, quando ficou isolada em seu sítio, não se prendem a uma cronologia fixa, ao didatismo ou ao mero biografismo que muitas vezes permeia o formato. A mulher sem papas na língua – que em 1995 surgiu vestida de Nossa Senhora Aparecida ao abrir o show dos Rolling Stones no Maracanã – aborda temas como a defesa dos animais, o amor, o sexo e a maturidade. Além de música, claro.
Ritas, que é baseado no livro Rita Lee: Uma autobiografia (2016) – e que causou comoção quando foi exibido pela primeira vez no Festival É Tudo Verdade –, ressalta o prazer de ver a intimidade de uma artista que cantava explicitamente a sua, e que, parafraseando Caetano Veloso, é a mais completa tradução de uma geração de mulheres que conseguiram escrever e cantar o seu próprio destino. Uma artista que, conforme mostra o título, foi plural.