piauí recomenda
Jan 2025 11h02
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Na entrada do Museu de Luxemburgo, em Paris, um pequeno outdoor anuncia a exposição Tarsila do Amaral – Painting Modern Brazil. Com curadoria da italiana Cecilia Braschi, reúne mais de 150 obras e ficará em cartaz até 2 de fevereiro. A exposição, realizada em uma das alas do Palácio de Luxemburgo, foi pensada de forma entrecortada e os ambientes são pequenos. Trata-se de uma retrospectiva. Do início da carreira de Tarsila, chama atenção Estudo de nu (sentado), pintado quando ela ainda estudava na Academia Julian, em Paris. A perspectiva rígida e academicista apreendida na escola logo seria subvertida por Tarsila, que adotaria como mestres os cubistas Albert Gleizes (1881-1953) e Fernand Léger (1881-1955).
Ao observar Estrada de Ferro Central do Brasil (1924), é impossível não notar a influência de Léger no quesito composição. Em Cartão postal (1928) é visível a maneira como a artista brasileira assimilou e reinventou a ideia de volume de modo singular.
A exposição inclui clássicos de Tarsila, como Operários (1933), Cuca (1924) e Autorretrato – Le manteau Rouge (1923). Mas há desfalques importantes, como Abaporu (1928), que pertence ao Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) e A Lua (1928), incorporada ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).
Para o público europeu, que teve pouco contato com a obra da artista, a mostra apresenta um recorte original de sua produção. Mas para quem viu a exposição Tarsila popular, realizada no Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 2019, não há muitas novidades.
Ao final da visita, o visitante brasileiro tem um gosto agridoce. Por um lado, sente orgulho pelo reconhecimento de Tarsila na Europa. Por outro, reconhece certo cinismo. A França, no esforço de se atualizar, adotando agora a visada decolonial, volta à mesma personagem que, nos 1920 e 1930, transitou por Paris sem obter reconhecimento.