piauí recomenda
Out 2024 14h53
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A cantora paulista Tássia Reis fez sua estreia na música há dez anos, com som e imagem muito associados à cultura do hip-hop. Embora este gênero musical seja uma marca do seu trabalho até hoje, foi o samba que Reis escolheu como base para o quarto disco de estúdio, Topo da Minha Cabeça, agora disponível em diversas plataformas digitais. Ele reúne algumas das melhores músicas lançadas no Brasil neste ano, a começar pela faixa-título, um mantra jazzístico sobre o exercício da autoconsciência. O samba-rap Asfalto selvagem desafia o velho mito da democracia racial: “Na fúria do camburão todo menino rei é culpado/Era um mata-mata, mas não teve campeão/Encontraram mais um artilheiro no campão”.
O disco remete às origens de Tássia Reis na cidade de Jacareí, no interior paulista. Ela cresceu ouvindo o soul brasileiro e o gringo, além do samba das escolas de carnaval. O hip-hop americano ganhou espaço em sua vida durante a adolescência. É por isso que nesse disco identifica-se a influência de Erykah Badu e Solange, mas também de Gilberto Gil, Alcione e Elza Soares. Tássia Reis passeia pelo soul, drill e R&B. Não pelo esforço ingênuo de se provar boa em vários gêneros, mas porque ela tem pleno domínio de cada um deles. Na ótima Nós vestimos branco, o toque do ijexá é fundido ao funk.
Tássia Reis dedicou cinco anos ao desenvolvimento deste projeto, o que pode explicar a sofisticação sonora das faixas. Ao se despedir, a artista retoma as raízes do samba na música Ofício de Cantante. Ela saúda Jovelina Pérola Negra, Clementina de Jesus, Leci Brandão e Dona Ivone Lara. Junto ao disco mais recente do carioca Marcelo D2, Topo da Minha Cabeça evidencia a tendência do hip-hop em fundir cada vez mais elementos do samba e da música tradicional brasileira.