piauí recomenda
Set 2025 10h33
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Quem entra na galeria 1 no sexto andar do Instituto Moreira Salles[1] na Avenida Paulista, logo se vê imerso num universo de imagens. Está ali, naquelas paredes, a memória coletiva do povo Paiter Suruí. São cerca de oitocentas imagens fotográficas e em vídeos que integram a exposição Paiter Suruí, gente de verdade: um projeto do Coletivo Lakapoy. As imagens fazem parte do acervo do povo Paiter Suruí desde que as primeiras câmeras fotográficas chegaram, na década de 1970, na Terra Indígena Sete de Setembro, que fica entre Rondônia e Mato Grosso. As imagens são um testemunho de resistência. Uma miríade de corpos, rostos, gestos, poses, expressões e contextos que revelam tanto a heterogeneidade daquele povo quanto suas particularidades.
São momentos familiares e prosaicos cheios de afetos. Há também registros de ritos tradicionais que preservam memória e identidade. Todas as imagens exibem delicadeza e vivacidade. Um mosaico comovente que espanta qualquer tentativa de um olhar exótico e reducionista sobre a vida dos indígenas. Há indígenas deitados em redes ou em camas. Na floresta ou na cidade. Na política ou na intimidade familiar. Com livros nas mãos ou segurando bíblias. Com capelo de formatura ou segurando arco e flechas. Com muita roupa ou pouca roupa. Com cortes de cabelos e roupas à moda de suas respectivas décadas. Famílias pousando na frente de carros, casas. Mulheres com maquiagem ou com grafismos tradicionais na pele. Mulheres indígenas se casando de branco. Na praia, na mata. Felizes, tristes ou reflexivos. Pela galeria, há redes – vale se sentar e gastar um tempo ali, observando a diversidade daquele povo e a humanidade que brota de cada imagem. A exposição é gratuita e fica em exibição até o dia 2 de novembro.
[1] O fundador da piauí é ex-presidente do conselho de administração do IMS