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Dez 2024 20h10
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Um lançamento essencial para quem se preocupa com o futuro do planeta é O silêncio da motosserra – quando o Brasil decidiu salvar a Amazônia, que conta a história de como o Brasil vem combatendo o desmatamento. Foi escrito pelo jornalista Claudio Angelo com a colaboração do engenheiro florestal Tasso Azevedo, dupla que conhece a história de perto: Angelo é autor de A espiral da morte: como a humanidade alterou a máquina do clima (Companhia das Letras), de 2016, talvez o melhor livro em português sobre a emergência climática. E Azevedo foi uma peça importante da equipe que conseguiu reduzir o desmatamento da Amazônia em 83% entre 2004 e 2012.
O silêncio da motosserra conta como se deu a elaboração e a execução desse plano. Antes disso, os autores descrevem como o Brasil se relacionou com a floresta desde a ocupação predatória incentivada pelo regime militar. Mostram como o ambientalismo brasileiro se fortaleceu em 1988, quando o assassinato de Chico Mendes abriu os olhos do mundo para a Amazônia, e o direito ao meio ambiente equilibrado foi inscrito na Constituição. Quatro anos depois, o Brasil recebeu a Rio-1992, a conferência das Nações Unidas que pela primeira vez reconheceu a existência da crise climática e se comprometeu a combatê-la.
As políticas que ajudaram a manter a floresta de pé atingiram um teto em 2012, quando foi registrada a menor taxa anual de desmatamento da Amazônia. Naquele ano foi aprovado o novo Código Florestal, que levou à fragilização da proteção das florestas. Angelo e Azevedo mostram como a batalha traumática entre ruralistas e ambientalistas marcou a entrada da Amazônia no repertório das guerras culturais que dividem a sociedade brasileira. A influência do ruralismo se consolidou em 2018 com a eleição de Jair Bolsonaro, que estimulou o crime ambiental e viu a taxa de desmatamento crescer quase 60% em seu mandato.
Quando voltou ao Palácio do Planalto em 2023 para um terceiro mandato, Lula trouxe de volta à sua equipe Marina Silva, a ministra por trás da primeira grande redução do desmatamento. O novo plano de sua equipe já levou a uma queda de 46% na taxa de desmatamento herdada do governo Bolsonaro. Mas o esforço pode ser comprometido por dois projetos apoiados por Lula: a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, que abriria novas frentes de exploração dos combustíveis fósseis; e o asfaltamento da BR-319, entre Manaus e Porto Velho, que estimularia a ocupação de um grande trecho de floresta preservada. Essas escolhas serão determinantes para o sucesso da meta que Lula anunciou de zerar o desmatamento até 2030.
O silêncio da motosserra é construído a partir de uma investigação robusta que incluiu reportagem de campo e centenas de entrevistas com personagens que vão de políticos, cientistas e ambientalistas à atriz Lucélia Santos e ao roqueiro Sting. Os protagonistas são caracterizados de forma minuciosa, e a narrativa é recheada de detalhes saborosos. Ao sistematizar a história do combate ao desmatamento, o livro contribui para a discussão essencial sobre o lugar que a Amazônia deveria ocupar no Brasil que queremos.