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Nov 2025 17h58
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A emergência e o reconhecimento de artistas e curadores negros no Brasil na última década é revisitada na série Raiz – arte afro-brasileira contemporânea, que estreou no canal Curta! em novembro. O documentário não está ancorado em marcos temporais, mas em capítulos de 15 minutos cada, em média, dedicados a vinte artistas. Há nomes em diferentes estágios da carreira, e não apenas consagrados. Além disso, felizmente, a série não se atém apenas àqueles que vivem no eixo Rio-São Paulo. Reúne artistas de outras regiões do país, o que permite conhecer diferentes perspectivas da produção artística afro-brasileira.
Os capítulos variam na forma e no andamento também. O da paulista Rosana Paulino – que é também curadora da série – têm, por exemplo, um ritmo mais envolvente que o do baiano Augusto Leal, que perde um pouco de dinamismo por adiar para o final a visita ao ateliê do artista. O capítulo de Rebeca Carapiá consegue apreender bem o humor mordaz e a densidade da artista baiana e de suas esculturas sinuosas.
Há muito o que aprender com os depoimentos. É um tipo de conhecimento sobre arte que não se obtém nos livros nem na universidade, como quando a mesma Rebeca Carapiá diz: “Minha mãe me ensinou a construir abstrações e desejos fora do trauma. É importante entender onde você está, que as coisas são difíceis, mas também como você sai delas. Meu desejo é sair da violência, do trauma.”
Raiz – Arte Afro-Brasileira Contemporânea é uma série que amplia o repertório dos aficionados pela produção artística brasileira. Além disso, constitui um bom material de pesquisa e documentação para os profissionais e críticos de arte. A série tem roteiro e direção de Fabiano Maciel, produção de Leonardo Dourado & Telenews e foi fotografada por Reynaldo Zangrandi.