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Nov 2025 14h40
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Desde outubro de 2023, após o ataque terrorista do Hamas contra civis israelenses e o início do genocídio de Israel contra a população palestina, o mundo ficou ávido por informações sobre o conflito. O massacre promovido pelas forças israelenses, que já matou quase 70 mil palestinos, mudou a percepção de boa parte da população mundial sobre o Estado de Israel. De vítimas do bárbaro genocídio durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus passaram a ser vistos como colonialistas que mantêm os palestinos sob um regime de apartheid. Se a imprensa ocidental custou a compreender a brutalidade, a arte, e principalmente o cinema, tem caminhado à frente.
São muitos os documentários recentes expondo a situação a que os palestinos são submetidos. O mais famoso deles, No Other Land (Sem Chão), dirigido por um coletivo de cineastas palestinos e israelenses, formado por Basel Adra, Hamdan Ballal, Yuval Abraham e Rachel Szor, ganhou o Oscar de melhor documentário em 2025.
Mas, agora, pela primeira vez, os brasileiros têm a oportunidade de entender o conflito pelo olhar de brasileiros. O sensível e trágico Notas sobre um desterro, do documentarista paranaense Gustavo Castro, feito a partir de sua viagem à região em 2018, é um testemunho da dura vida dos palestinos. O que nos aproxima mais dessa tragédia é o fato de os protagonistas serem brasileiros descendentes de palestinos, ou palestinos que viveram no Brasil e voltaram à terra ancestral em busca de suas raízes. Notas sobre um desterro, além de mostrar a luta diária pela sobrevivência, joga luz sobre a resistência, o drama das mães que tiveram seus filhos presos ou mortos, a falta de perspectiva dos jovens, a falta de água, o roubo de terras, a arrogância e violência dos colonos e das forças de segurança de Israel.
Particularmente comoventes são as entrevistas com sobreviventes da Nakba, ou a Catástrofe– como é chamada a expulsão dos palestinos de suas terras em 1948 – e as entrevistas com cristãos palestinos, que têm uma relação de irmandade com os muçulmanos. Tudo isso deságua nas violentas imagens inéditas dos bombardeios do presente.
O documentário de Castro é a prova de como a arte será sempre peça fundamental na denúncia dos crimes contra a humanidade. O filme circulará pelo Brasil nos próximos meses – será mostrado no Teatro 2 de julho, em Salvador, no dia 17 de novembro, às 19h; no Cine Carioca José Wilker, no Rio de Janeiro, no dia 22 de novembro, às 10h; e na mesma data em São Paulo, no Restaurante Al Janiah, em horário ainda a confirmar. Para saber mais detalhes sobre locais e datas futuras, ver @notas_sobre_um_desterro, a página do longa no Instagram.