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UMA ALUNA INDOMÁVEL NO INTERIOR DA FRANÇA

Claudine na escola, livro de 1900, chegou ao Brasil pela primeira vez com o nome correto de sua verdadeira autora
Imagem Uma aluna indomável no interior da França

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Irreverente e apimentado para os padrões de comportamento do final do século XIX, o romance de estreia da escritora francesa Sidonie-Gabrielle Colette (1873-1954) entrou recentemente em domínio público. A obra original foi lançada na França em 1900 e assinada sob o pseudônimo do primeiro marido de Colette, “Willy”, Henry Gauthier-Villars, um renomado escritor e editor na época, de quem poucos se lembram hoje. Pela editora Meia Azul, a obra chegou ao Brasil este ano pela primeira vez com o nome correto de sua verdadeira autora, traduzida por Juçara Valentino.

Primeiro livro de uma tetralogia, Claudine na escola é um romance de formação sobre uma aluna indomável numa escola pública no interior da França, baseado na vida da própria autora. Claudine é órfã de mãe e foi criada pelo pai com algum distanciamento, o que lhe dá autonomia e liberdade para ser quem ela é: contestadora, esperta e sem medo de forçar os limites do ambiente escolar. Em suma, da pá virada. Com essas credenciais, ela se apaixona pela professora de inglês, Aimée, que por sua vez tem um noivo, mas cultiva um romance secreto com a diretora da escola.

Logo no primeiro parágrafo do livro, Claudine diz: “Moro em Montigny, onde nasci. Provavelmente não morrerei no mesmo lugar.” Ou, mais adiante, “Não se pode agradar a todos. Prefiro agradar-me primeiro”, “Farei minha entrada no mundo e cometerei mil gafes”, demonstrando que apesar de tão moça ela já sabe quem é, cheia de ambição e com a bússola apontada para Paris (tema do próximo livro). A história traz uma sucessão de peripécias da jovem no ambiente conservador da escola, com ideias e atitudes de uma alma atormentada por um presente que não a representa, mas que ela consegue viver intensamente.

As aventuras de Claudine são saborosas pela graça e inteligência da personagem e sua afiada obstinação. Ela é uma observadora perspicaz de tudo o que a cerca, e a ambição é sua guia. Há muitas Claudines entre nós – quem nunca teve uma amiga mais ou menos assim? A diferença é que naquele tempo a vida era bem mais dura. Se uma garota assim não passa despercebida hoje, imagine num colégio conservador do século retrasado.

Depois da leitura do primeiro volume, a vontade é de acompanhar Claudine para ver como ela se sai na vida adulta. Agora é torcer para que a editora Meia Azul publique também os outros três livros da série.


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