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ALTERNATIVAS PARA A FERTILIDADE

A série Gêmeas: Mórbida semelhança aborda o manejo in vitro de embriões
Imagem Alternativas para a fertilidade

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A minissérie Gêmeas: Mórbida semelhança, disponível na Amazon Prime, é um objeto de entretenimento no mínimo insólito. Remake de um dos filmes mais destacados do diretor canadense David Cronenberg – que adaptou a história real de dois gêmeos, obstetras e ginecologistas, que viviam em Manhattan nos anos 1970, e morreram em condições misteriosas –, a série consegue expandir o potencial da obra original de 1988, em parte pela forma que adapta a narrativa a questões atuais. Manejo in vitro de embriões, crise dos opioides, alternativas para a fertilidade e o controle hormonal feminino, o modo de vida dos ricos e dos super ricos: tudo isso é tratado, sendo nesse meio que a narrativa se move e se constrói. Nessas alterações entre a versão anterior e a atual, o que mais chama a atenção é que o gênero dos protagonistas é trocado, e onde antes tínhamos o ator Jeremy Irons em uma performance notável como os gêmeos Beverly e Elliot Mantle, agora temos Rachel Weisz desempenhando os mesmos papéis.

Os nexos entre o aparato médico e os interesses financeiros de investidores, e o acesso exclusivo dos mais ricos aos melhores serviços de saúde é uma verdade banal. Mas a maneira como a série explora essa verdade banal é o que interessa, pois exibe como mesmo as melhores intenções – dar a melhor assistência que a ciência pode oferecer, investir em pesquisa de base para fazer avançar o conhecimento sobre os processos de geração e manutenção da vida – estão longe de configurar simples altruísmo.

Weisz trabalha com uma intensidade que não fica nada a dever ao desempenho formidável de seu antecessor, e eleva a aposta, pois sua atuação avança na exploração dos limites da própria ideia de identidade. Bizarras em sua relação simbiótica, as gêmeas encarnam algo que está presente em uma observação do escritor americano Kurt Vonnegut: “Somos o que fingimos ser, então devemos ter certo cuidado com o que fingimos ser.” Beverly e Elliott são ego, alter ego, e algo mais, e a partir delas chegamos, na conclusão da minissérie, a um final que é, como os da vida costumam ser, muito feliz para alguns, e incrivelmente trágico para outros.


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