Mark Zuckerberg, imperador e gladiador: fascinado pela Roma clássica, em 2024 ele presenteou sua mulher, Priscilla Chan, com uma enorme estátua em que a pediatra posa como deusa CRÉDITO: KLEBER SALES_2025
Ou Zuck, ou nada
A conversão ultradireitista de Mark Zuckerberg – e a interpretação implacável de sua irmã
Victor Calcagno | Edição 232, Janeiro 2026
Poucas semanas antes do pleito que reelegeu Donald Trump em 2024, Mark Zuckerberg, dono da Meta – empresa controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram –, pisou no palco do Chase Center, arena acostumada a receber jogos do campeonato americano de basquete e grandes shows em São Francisco, na Califórnia. Sob os gritos de 6 mil espectadores que pagaram no mínimo 50 dólares por ingresso, o bilionário de 41 anos, uma das cinco pessoas mais ricas do mundo e a mais jovem entre elas, era a atração principal do podcast de tecnologia Acquired, que teria seu episódio gravado ao vivo naquela noite de setembro.
Visivelmente mais encorpado, com a pele bronzeada, cabelos mais longos, corrente de ouro, relógio de luxo e roupas largas, diferia ao extremo da imagem de frágil menino gênio que cultivou durante anos – pálido, magro e sempre usando uma mesma combinação sem graça de jeans e camiseta cinza. Logo na primeira intervenção da conversa que duraria pouco mais de uma hora, comentou sobre a participação de Jensen Huang, presidente da empresa de semicondutores Nvidia e último entrevistado do programa, que enviara um vídeo pedindo desculpas por declarações feitas no episódio anterior. “Talvez a gente já precise marcar outra conversa apenas para eu pedir desculpa sobre o que vou falar hoje”, disse Zuckerberg, tirando risadas da plateia e da dupla de apresentadores. “Tô brincando”, emendou antes de dar o golpe que alvoroçaria de vez a arena: “Eu não peço mais desculpa.” No peito, arfando com as risadas em seguida, trazia na camiseta enormes caracteres gregos estampando o dito pathei mathos, ou “aprender pelo sofrimento”.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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