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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

A luta e o legado

A filha de Marielle Franco mantém vivas as causas da mãe

Danilo Marques | Edição 227, Agosto 2025

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Luyara Franco estava com conjuntivite e foi se recuperar na casa da avó, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Naquela semana de meados de março de 2018, sua mãe estava com a agenda cheia de compromissos e não podia se arriscar ao contágio. Então com 19 anos, Luyara começaria no mês seguinte a faculdade de educação física na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Na noite do dia 14, quarta-feira, Luyara recebeu, pelo celular, uma matéria publicada na internet sobre cuidados com os cabelos. Quem remeteu o link foi sua mãe, que saíra havia pouco de um evento na Casa das Pretas, um centro de ativismo no bairro da Lapa. A mensagem se encerrava com a frase “Te amo”.

Minutos depois de escrever essas duas palavras, Marielle Franco foi morta, aos 38 anos, com quatro tiros na cabeça. Seu motorista, Anderson Gomes, de 39 anos, também foi assassinado.

 

Desligada da tevê e dos sites que logo noticiaram o crime, Luyara começou a receber telefonemas estranhos de alguns amigos. “Tá tudo bem? Tudo bem, mesmo?”, diziam, sem coragem para explicar por que insistiam na pergunta. Até que um ex-namorado ligou. “Olha, eu vou ter que ser a pessoa a te contar”, ele disse. E contou. No andar de cima da casa, a tia de Luyara, Anielle Franco – hoje ministra da Igualdade Racial – também estava ao telefone, se inteirando do ocorrido. Falava baixo, para não alarmar a família.

O silêncio durou pouco. Logo a casa ficou cheia de parentes e amigos. Seguranças foram postados nas portas. Começava uma tempestade que envolveu não apenas a família, mas toda a vida pública brasileira. Nos dias que se seguiram, manifestações exigindo justiça para Marielle ocorreram em dezessete estados, além do Distrito Federal, e o caso ganhou repercussão internacional.

O crime demoraria a ser desvendado. Levou um ano para que fossem presos o ex-policial Ronnie Lessa, autor dos disparos que mataram a vereadora, e Élcio de Queiroz, que dirigia o carro. E só em março de 2024 foram presos os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, acusados de serem mandantes do crime.

 

 

Hoje com 26 anos, Luyara Franco está empenhada em dar continuidade ao trabalho da mãe em prol de causas sociais, feministas, antirracistas e LGBTQIAPN+. No ano passado, ela assumiu o cargo de diretora de legado do Instituto Marielle Franco, fundado pela família em outubro de 2018. Agora está tomando a frente da instituição: acaba de se tornar a diretora executiva.

Dá para dizer que seu ativismo vem de berço. Sua mãe trabalhou dez anos com o então deputado Marcelo Freixo, atual presidente da Embratur, e desde cedo carregou a filha para atividades políticas. “Aos 4, 5 anos, eu já estava em comícios”, recorda Luyara. “Desde muito nova, já me entendia como mulher negra.”

No Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat), no bairro de Santa Teresa, onde estudou, Luyara fundou um coletivo de estudantes femininas. “Fiquei lá do quinto ano até o fim do ensino médio e, com o tempo, fui me percebendo diferente”, lembra. Ela era uma das poucas meninas negras na escola particular.

 

Em 2016, Marielle se candidatou a vereadora. “Desde o início, apostamos todas as fichas nela”, diz Luyara. A candidata recomendou à filha que mantivesse certo distanciamento da campanha para não prejudicar seus estudos. “A prioridade era o Enem”, dizia a mãe. No dia 2 de outubro, Luyara apertou o botão verde da urna pela primeira vez. Votou em Freixo para prefeito e em Marielle para vereadora.

A família já esperava a vitória, mas não com tanta folga: com 46,5 mil votos, Marielle foi a quinta vereadora mais votada da cidade. Luyara, que então vivia com a mãe e sua companheira, Monica Benício, na Tijuca, passou o dia no Complexo da Maré, colégio eleitoral onde a maior parte da família vota, acompanhando a apuração. “Quando ela chegou a 10 mil, 15 mil votos, tivemos que ir para a rua.”

Mais tarde, quando Marielle chegou de carro à comunidade, já havia “uma muvuca” no lugar. Luyara mal teve tempo de abraçar a mãe, logo cercada de eleitores. Então com 17 anos, ela saiu cedo da festa da vitória. Na manhã seguinte, tinha uma prova na escola.

 

A relação de Monica Benício com a família Franco acabou se desgastando por causa de disputas em torno da herança e do legado da vereadora. Depois da morte da mãe, Luyara Franco se mudou para Bonsucesso. Ela se formou neste ano em educação física e agora está integralmente dedicada ao Instituto Marielle Franco.

A entidade vem se empenhando em manter viva a memória da vereadora, com projetos como uma história em quadrinhos para crianças que narra a trajetória da parlamentar. Também promove uma campanha permanente contra a violência política de gênero, mantém uma escola de comunicação política e conecta coletivos de ativistas sociais. Em associação com o instituto, foi lançada em 2023 a Bancada Marielle, composta por 32 deputadas negras que naquele ano tomaram posse no Congresso – como Erika Hilton (Psol-SP) e Benedita da Silva (PT-RJ) – e em assembleias legislativas de vários estados.

No momento, o objetivo maior de Luyara é reativar a sede do instituto em uma casa no Largo de São Francisco da Prainha, na Zona Central do Rio. Em 2020, ela e a família inauguraram o espaço com uma exposição sobre a vida de Marielle. Dez dias depois, foi instaurado o isolamento social por causa da Covid, e tudo foi suspenso.

A nova diretora executiva do Instituto Marielle Franco busca inspiração no exemplo da mãe, mas não quer disputar cargos eletivos. “Acho que a gente pode fazer política de outras formas, continuar o legado de outras maneiras”, diz Luyara, que mesmo antes de assumir a diretoria executiva do instituto já se dedicava à preservação da memória da mãe. Alçar à posição atual foi uma decisão que ela demorou a amadurecer. “Hoje, eu me sinto preparada e com as ferramentas necessárias, que, inclusive, foi minha mãe quem me deu.”

Danilo Marques
Danilo Marques

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