Apparício Torelly, o Barão de Itararé: em 1934, ele foi sequestrado e espancado pela polícia política de Getúlio. Libertado, afixou na porta de sua sala uma placa: “Entre sem bater” CRÉDITO: ARQUIVO DO INSTITUTO DE ESTUDOS BRASILEIROS USP_FUNDO BARÃO DE ITARARÉ
O Barão e o tubarão
As peripécias de um humorista no império de Getúlio Vargas
Arnaldo Branco e Renato Terra | Edição 226, Julho 2025
No começo do século XX, o Rio de Janeiro era a capital da República. Sim, a gente pagava para os políticos morarem em uma cidade com praia, Carnaval decente, vida cultural e esquinas. O epíteto de “Cidade Maravilhosa” reluzia nas esquinas iluminadas, na arquitetura de inspiração francesa e na fervilhante vida cultural da metrópole praiana. O Rio de Janeiro vivia seus anos dourados. Ou seja: os cariocas ainda não eram numerosos o suficiente para avacalhar a cidade.
Tudo era tão glamouroso que os cariocas não caminhavam: praticavam footing (que era como as pessoas de antigamente chamavam o rolezinho). As mulheres não podiam caminhar com as próprias pernas (ou como se dizia na época: não podiam fazer footing com as próprias pernas). Estavam proibidas de votar, o que talvez fosse uma vantagem, porque só dava para votar em homem. Aquelas que batiam de frente eram consideradas loucas pela sociedade conservadora. Essa crônica de 1930, publicada na revista Careta, dá o tom:
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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