Bola quadrada, foto redonda
| Edição 224, Maio 2025
BOLA QUADRADA, FOTO REDONDA
Todo mês, faço uma seleção de reportagens para ler, uma vez que a piauí continua sendo a maior revista do país e o tempo é cada vez menor. Assim, a piauí_223, abril, apresenta duas fortes histórias em ebulição. Uma com final feliz, a outra em contínua tragédia infinda.
A história da foto histórica em si, resgatada por Simone Duarte (A desconhecida), conseguiu cativar pelo retrato da ebulição cultural nova-iorquina – e mundial – dos anos 1980. Muito boa a escolha da narrativa, em que a descoberta é menos importante do que a busca e suas circunstâncias. Creio que, após o mistério resolvido, caberá um relato mais profundo das muitas conversas e inferências omitidas no artigo.
Já a força da reportagem de Allan de Abreu (“Coisas extravagantes”) fez mesas esportivas discutirem a questão, e até surgiu uma sombra de censura aos que concordaram com as denúncias lá apresentadas. Na verdade, são fatos estarrecedores já sabidos e sentidos por todos, mas quando ganham o impacto da grafite sobre a celulose causam espécie. Uma espécie de contínuo escárnio com os dinheiros, misto de público com privado, e que deixa o amado futebol jogado com a bola quadrada estampada na capa. Por sinal, não reconheço mais os supostos canarinhos da seleção, o ludopédio me dá sono e passei a admirar as bolas mais rápidas do vôlei e do tênis. Não que lá também não haja rodriguianas corrupções e contradições, mas o porte é menor.
Aliás, o que diria Nelson Rodrigues, o pai da pátria de chuteiras, sobre seu sobrenome tenebrosamente associado à CBF?
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
Excepcional a piauí de abril, repleta de matérias densas, praticando um jornalismo de alto nível, como as matérias sobre saúde em O alvo é você (Breno Pires), a gênese da luta pela redução da jornada de trabalho em A formiga e o formigueiro (Pedro Tavares), a denúncia das extravagâncias do atual cartola-mor da CBF (“Coisas extravagantes”, de Allan de Abreu), e o drama do confinamento de uma mulher em A internação (Angélica Santa Cruz).
Chamo atenção para o texto de Camille Lichotti, Maricá, c’est moi, abordando o modus operandi de Washington Quaquá, prefeito pela terceira vez da citada cidade litorânea do Rio de Janeiro. Figura caricata que se aproveitou do fato de o município ser o principal beneficiário dos royalties do petróleo com recursos suficientes para bancar diversas benesses para os seus moradores. Mesmo tendo um histórico de condenação pelo TSE e o TCE, ocupa atualmente a vice-presidência do PT, com a total aquiescência do Lula. Como Maricá não tem problema de grana, ele resolveu incluí-la no universo do futebol e do Carnaval na marra, esbanjando verbas públicas de forma irresponsável. Por suas atitudes intempestivas, é a perfeita caricatura de certa espécie de político brasileiro, que se refestela no populismo. Para ele, gasto também é vida, algo muito caro ao PT e seu principal guia, para infelicidade do nosso país.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
PERSONAGENS
Na matéria A desconhecida, piauí_223, abril, o personagem 11 está identificado erroneamente como Julian Schnabel, quando na verdade se trata de Elon Musk.
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP
A INTERNADA
Excelente a reportagem A internação, magistralmente escrita por Angélica Santa Cruz na edição de abril. Como médico psiquiatra, posso dizer que esse material é o exemplo vivo do quanto a sociedade precisa se debruçar constantemente sobre a temática das internações involuntárias, cuja discussão não deve ser exclusiva da classe médica ou da elite psiquiátrica balizada no dsm (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, traduzido do inglês). A complexidade relacional e outros atravessamentos morais que potencialmente envolvem um quadro travestido de sintomas psiquiátricos nunca devem passar ao largo de qualquer avaliação que preze pela qualidade e idoneidade.
Parabenizo a repórter, a revista piauí e principalmente a escritora Helena Lahis por permitir o compartilhamento deste relato tão profundo e tão cheio de dores e ressentimentos, mas ao mesmo tempo tão necessário para um melhor debate de uma temática tão renhida.
MATHEUS SANTAROSA CASSIANO_CAMPINAS/SP
Queria parabenizar Angélica Santa Cruz pela excelente narrativa e me solidarizar com Helena Lahis pela triste história. Me lembrei do conto de Gabriel García Márquez, Só vim telefonar. Lendo a matéria, me lembrava desses dramas absurdos que ocorrem com tantas pessoas (principalmente mulheres). Tantas camadas podem ser lidas nessas páginas…
Parabéns também à piauí por sempre ser corajosa e falar de questões tão pertinentes. Que bom que vocês dão voz e vez a todos.
FLÁVIA BERNARDI_CAXIAS DO SUL/RS
Esta revista, a qual acompanho desde o primeiro número, tem por característica a pluralidade de assuntos, o que determina a aceitação de um público variado, mas sem dúvida bem sofisticado, pelo que se depreende das cartas dos leitores.
De vez em quando, surgem artigos de alto fôlego e extensão visando atingir um público bem restrito de talvez dois ou três interessados.
Neste último número, a reportagem A internação enquadra-se à perfeição a esta pretensão. Trata-se da separação de um casal totalmente desconhecido, com lances inverossímeis, mas repetidos e tão desinteressantes que nem mesmo os envolvidos conseguirão chegar ao seu término. Tomado por uma obsessão maldita, fui, aos arrancos, até o final. Resta-me uma praga: que o casal reflita que ambos se merecem e refaça a união. Quanto à cronista de tal desastre, pelo esforço sugiro que com respaldo da piauí tente uma novela que suplantará a fenomenal Beleza fatal, ora em exibição.
SEBASTIÃO MAURÍCIO DUARTE PESSOA_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA INTRIGADA DA REDAÇÃO: Será que o casal precisaria ser conhecido para justificar uma reportagem sobre a internação psiquiátrica de alguém que não aparentava ter problemas psiquiátricos? E, lamentavelmente, este é um daqueles casos em que a vida supera a ficção.
SAÚDE!
Estamos escrevendo este e-mail para parabenizar e agradecer ao repórter Breno Pires pela excelente reportagem O alvo é você, na piauí_223, abril. Um trabalho muito bem realizado, cuidadoso, com pesquisas, entrevistas e argumentos sensatos que resultaram em um texto bastante agradável de ser lido.
Gostaríamos de agradecer por ter dado voz aos beneficiários de planos de saúde e a todos que estão sendo esmagados diariamente pelo descaso das operadoras do setor.
KELEN D’ALKMIN, ASSOCIAÇÃO VÍTIMAS A MIL_SÃO PAULO/SP
Digna de nota a matéria intitulada O alvo é você, de Breno Pires, que desnuda a mercantilização mafiosa praticada pelos planos de saúde no país. É estarrecedora a falta de sensibilidade dessas corporações que dominam o mercado. A saúde do cidadão virou mercadoria a ser explorada de forma desumana. Como a tiragem da piauí é de 30 780 exemplares, projetando que cada exemplar seja lido por duas pessoas, serão 61 560 que terão conhecimento do assunto. Assim, tomo a liberdade de reproduzir umas dez cópias da reportagem e distribuir para alguns amigos desinformados (que não leem a piauí).
Espero que a revista e o insigne autor do texto não se amofinem com esta minha iniciativa não autorizada.
NELTAIR PICCOLOTTO_BIGUAÇU/SC
NOTA JURÍDICA DA REDAÇÃO: Lei nº 9610, de 1998, artigo 5, parágrafo VII. Procure saber (mas pode continuar cometendo sua contrafação).
CBF
Apesar de vocês serem de esquerda, e eu, de direita (acredito que o Estado gigante é um ônus), gostaria de parabenizá-los pela reportagem denunciando a corrupção que envolve a CBF e o Judiciário. Parabéns pela coragem, pois acredito que o que une os brasileiros de bem (independentemente da ideologia governamental) é a repulsa pela corrupção e demais formas de crime. Esses, sim, causadores de sofrimento e desigualdade. Parabéns.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA ROCHA_CAXAMBU/MG
BOTAFOGO
Fiquei feliz com as reportagens das edições de janeiro (A saga da glória eterna, piauí_220) e fevereiro (Nós, tão iguais e agora tão diferentes, piauí_221). Como botafoguense e supersticioso (o que chega a ser redundância), fiquei ainda mais feliz em perceber que, assim que a piauí parou de escrever sobre o Glorioso, o time de Garrincha, Didi e Igor Jesus voltou a vencer. Espero que João Moreira Salles interceda a nosso favor, permitindo que a revista escreva sobre o Botafogo apenas em datas Fifa e recesso dos campeonatos. Pela atenção, obrigado.
MARCELO COSENTINO_SOROCABA/SP
NOTA SINCERA DA REDAÇÃO: Na verdade é um esquema de bet. Hoje o brasileiro já pode apostar em quando o Bruno Henrique vai tomar um cartão amarelo, e em quando a piauí vai publicar um texto sobre o Botafogo.
O COPISTA
Tempos atrás, nesta revista, por assim dizer, uma piauí do passado, li uma das coisas mais interessantes que vi por aqui. A história era sobre uma exposição em Paris, dedicada a um copista que teria vivido principalmente em Veneza e Paris no século XVI, sendo o ponto mais importante do texto a confluência da vida dessa pessoa com a época em que era inventada a prensa e todas as mudanças vindas disso (O último dos copistas, piauí_151, abril de 2019).
No final do ano passado, vejo numa livraria um título que se referia ao assunto: O último dos copistas. Nele, vi a cidade onde moro surgir, e percebi autor, narrador e personagens que ainda se referem a uma pandemia se confundirem.
A impressão principal, como se diz em Belo Horizonte, é que a qualquer momento pode acontecer alguma coisa, mas o que se segue em meio a alusões do fazer da escrita e ao trabalho de um revisor são sucessões de imagens que terminam numa exposição.
O objetivo desta mensagem é saudar a piauí pela apresentação do livro, e o autor pelo engenho da escrita num tempo em que outra revolução já é presente, inclusive na tela deste aparelho em que digito este texto.
ANDRE LUIZ RESENDE DE SOUZA_BELO HORIZONTE/MG
ERRATAS
Na reportagem “Coisas extravagantes”, piauí_223, abril, o texto dizia que Francisco Schertel Mendes é filho do casal Gilmar e Guiomar Mendes, mas Francisco é filho apenas de Gilmar. No mesmo texto, estava escrito que Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro é ministra do TSE, mas ela deixou o tribunal em agosto de 2023.
No texto As duas faces de um amigo, piauí_223, abril, um trecho informava, erroneamente, que o jornalista Paulo Francis visitou seu amigo Pimenta Neves na prisão, mas isso não aconteceu, pois Francis morreu antes do crime cometido por Pimenta Neves.
