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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Central Park do Brasil

A curadora baiana de um evento musical de Nova York

Darlene Dalto | Edição 226, Julho 2025

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O clima foi um desafio na adaptação de Priscila Santana à cidade onde se estabeleceu seis anos atrás. “Em Nova York, você abre a janela e parece que abriu a geladeira”, conta ela, entre risadas. “Além disso, eu tinha uma carreira no Brasil. Tive que começar do zero profissionalmente.”

Os invernos continuam rigorosos na maior metrópole americana, mas a carreira da multi-instrumentista nascida em Engenho Velho de Brotas, bairro de Salvador, na Bahia, já decolou. Ela é uma das curadoras de um dos eventos musicais mais aguardados de Nova York, o festival SummerStage, que acontece todos os anos entre junho e outubro.

Abrindo as atividades culturais do verão, o SummerStage reúne cerca de trezentos artistas de todo o mundo para oferecer em torno de setenta apresentações gratuitas em treze parques da cidade, incluindo o Central Park. Ocupar a curadoria de um festival dessa dimensão foi uma conquista, diz Santana. “O cargo tem muito prestígio e visibilidade.” A brasileira de 35 anos considera um privilégio trabalhar ao lado de Erika Elliott, diretora do festival. “Ela conhece música como ninguém”, diz. “É judia, mas sabe mais sobre hip-hop do que eu, que sou uma mulher negra.”

 

 

Criada em um lar de recursos modestos – o pai era eletricista e a mãe, dona de casa –, Priscila Santana muito cedo compreendeu que o estudo abriria oportunidades para transformar sua realidade. “Eu tinha uma ambição positiva, queria outros lugares”, conta. Caçula e única menina entre os cinco filhos da casa, já na infância ela descobriu a música. Foi aluna da Oficina de Frevos e Dobrados, projeto social liderado pelo maestro Fred Dantas no Pelourinho.

A oficina mantinha uma orquestra filarmônica de sopros e percussão, da qual Santana fez parte. O primeiro instrumento que a encantou foi a flauta transversal. Foram cinco anos sob a batuta do maestro Dantas, até ela se transferir para o projeto Pracatum, de Carlinhos Brown.

Aos 18 anos, Santana entrou, como flautista, para a orquestra sinfônica do Projeto Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), mas depois trocou a flauta pelo oboé. Com essa orquestra de oitenta músicos, participou de uma turnê que passou pela Alemanha, Inglaterra e Suíça – sua primeira viagem internacional.

 

Convidada a dar aulas para os alunos da Neojiba, ela aceitou de pronto. Acabou assumindo a coordenadoria do primeiro núcleo orquestral. Ficou quase dez anos no projeto. Foi no início desse período que nasceu sua filha, Sofia.

Santana tinha 19 anos e não se casou com o pai da criança. Formou-se em jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado, mas nunca exerceu a profissão. Fez um bacharelado em oboé na Universidade Federal da Bahia (ufba), não concluído, e foi trabalhar na Paraíba, no Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima). Como diretora artística do projeto, ajudou a montar dez novas orquestras no interior do estado. E ingressou no mestrado em educação musical na Universidade Federal da Paraíba (ufpb).

Nova York nunca foi um sonho para ela. Em 2012, porém, Santana começou a namorar o músico canadense Gabriel Globus-Hoenich, percussionista que passou alguns meses estudando em Salvador. Mantiveram a relação quando ele retornou aos Estados Unidos, onde morava. Casaram-se em Nova York em 2018, mas ela só se mudou para lá com a filha no ano seguinte, depois de concluir o mestrado. Seu primeiro emprego foi como professora de flauta em uma escola no Bronx.

 

Com o tempo, Santana construiu uma boa rede de contatos, em especial na comunidade brasileira da cidade. Foi assim que soube que tinha sido aberta uma vaga de gerente operacional de programação no SummerStage. Ela foi conversar com a produtora cultural Paula Abreu, que na época estava deixando o cargo de diretora de programação do evento, e decidiu se candidatar àquela vaga. Após um longo processo, foi contratada como gerente operacional no final de 2022*.

 

O SummerStage reserva um dia para homenagear o Brasil. A programação fica aos cuidados de Priscila Santana. Em 2023, apresentaram-se Marisa Monte e Emicida. No ano passado, foram Alcione e Larissa Luz. Neste ano, quando o festival chega à sua 39ª edição, estarão presentes Iza, Ilê Aiyê e Evandro Fióti. A curadora baiana espera incluir mais brasileiros na cena musical nova-­iorquina. Está em busca tanto de nomes já reconhecidos quanto de artistas que estão consolidando a carreira.

Em paralelo à curadoria do festival, ela está fazendo doutorado no Teachers College, da Universidade Columbia. Estuda políticas culturais, liderança e música. Tem interesse especial pela regência, atividade que ainda é exercida por poucas mulheres. “Regi bastante quando morava em Salvador e em João Pessoa, inclusive orquestras com 150 músicos. Gosto desse poder compartilhado, mas sei que a música é um lugar que perpetua de forma exacerbada o machismo”, diz.

Na agenda lotada de Santana, cabe a participação na orquestra de câmara da Companhia Internacional de Ópera Brasileira, fundada pelo brasiliense João Mac­Dowell. Ela também integra o Samba das Carolinas, grupo de sete mulheres que toca clássicos da música popular brasileira. Sua filha Sofia canta no mesmo grupo, que de vez em quando tem a colaboração da aclamada violonista Gabriele Leite. Santana coordena, ainda, o grupo Quilomba, que ela define como “um espaço de acolhimento e troca” para quase duzentas mulheres negras brasileiras que moram nos Estados Unidos.

Aos 16 anos, Sofia já mostra que herdou o talento da mãe: canta e toca trompete. Aluna de um curso preparatório da Julliard School, uma das mais importantes escolas de música dos Estados Unidos, recentemente foi selecionada – pela terceira vez – para se apresentar na Califórnia com a Orquestra Filarmônica Jovem de Los Angeles, sob a regência do venezuelano Gustavo Dudamel. “Ela também já se apresentou no Lincoln Center, com a Orquestra Filarmônica Jovem”, conta a mãe coruja. “Sofia é o meu orgulho.”

 


* Trecho alterado para introduzir uma correção. O texto original dizia que Priscila Santana havia se candidatado ao cargo de curadoria de Paula Abreu, que na época era diretora de programação do SummerStage. O posto ao qual Santana se candidatou foi o de gerente de programação do evento.

Darlene Dalto
Darlene Dalto

É jornalista, autora de Processo de criação (Marco Zero) e Mulheres negras importam (edição independente)

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