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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2024

esquina

Cidade de comer

A plataforma que mapeia árvores frutíferas mundo afora

Bernardo Esteves | Edição 218, Novembro 2024

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Foi quando morou em Boulder, no Oeste dos Estados Unidos, que Ethan Welty começou a olhar as cidades como fonte de comida. Ele ganhava a vida como fotógrafo especializado em meio ambiente e se mudou para lá com o objetivo de fazer um doutorado em glaciologia na Universidade do Colorado. Na cidade universitária de 108 mil habitantes, instalou-se em uma casa com duas macieiras no quintal e teve a ideia de começar uma produção caseira de cidra, mas para isso precisava de mais maçãs do que o pequeno pomar era capaz de fornecer.

Welty nasceu nos Estados Unidos, mas foi criado na França, onde aprendeu o conceito de terroir, que sintetiza a ideia de que o sabor de um alimento está marcado pela geografia e pela cultura do território onde ele é cultivado. Em Paris, gostava de coletar cogumelos e castanhas nos bosques ao redor da cidade. E pegou o hábito de sair para buscar comida na paisagem urbana sempre que viajava. Não via sentido em comprar frutas no supermercado quando era possível encontrá-las pelas ruas.

Em Boulder, pesquisando o inventário das árvores recenseadas pela prefeitura, Welty se deu conta de que poderia usar os dados para fazer um mapa interativo não só de macieiras, mas de todas as árvores frutíferas da cidade. Recrutou para o projeto seu amigo Caleb Phillips, um cientista da computação que também tinha interesse em meios para distribuir comida de forma mais justa.

 

Em entrevista à piauí, Welty contou que Phillips e ele buscaram censos de árvores de outras prefeituras. Para o banco de dados que estavam montando, porém, interessavam só árvores que produzem alimento, e essa seleção tomou meses de trabalho, com noites em claro. “Quando lançamos o serviço, já havia algumas centenas de milhares de localidades cadastradas”, lembra.

Batizada de Falling Fruit – “fruta caindo”, em tradução livre –, a plataforma foi ao ar no começo de 2013. Seu formato é colaborativo: permite que os usuários cadastrem árvores nas ruas de suas cidades. Em outubro de 2024, registrava mais de 1,6 milhão de localidades, quase metade delas nos Estados Unidos. Os mapas localizam não só árvores frutíferas, mas também hortas urbanas e lugares onde há descarte de alimentos que podem ser reaproveitados.

“O objetivo é empoderar os indivíduos para encontrar esses locais”, disse Welty. Ele vê a Falling Fruit como uma ferramenta que pode aproximar os cidadãos da comida e estimular a conversa sobre o que queremos de nossas cidades. Depois de onze anos de atividade, ele acha que a plataforma ajudou a colocar essas questões em pauta. “O que falta é mudar o desenho das nossas cidades para torná-las mais comestíveis, e nisso não avançamos muito.”

 

 

O Falling Fruit foi traduzido para outros idiomas, inclusive o português. Não chegou a ser um sucesso no Brasil. De acordo com os números compilados por Welty para a piauí, o país tem 910 localidades cadastradas, meros 0,05% do total da plataforma. O número de visitantes do Brasil – pouco mais de 7 mil desde 2013 – equivale a 0,3% do total. Algumas iniciativas brasileiras com finalidade similar à do Falling Fruit, como o Inventário das Árvores ou o Fruit Map, têm um número maior de registros para algumas cidades brasileiras, mas estão longe de serem abrangentes.

As aglomerações urbanas com mais registros no Falling Fruit são Vitória e Belo Horizonte, com mais de trezentos registros cada. O Rio de Janeiro tem 66 entradas, incluindo uma horta comunitária no Parque Madureira e o centro de distribuição do Ceasa carioca, onde frutas, verduras e legumes vindos das fazendas são transferidos para os caminhões menores dos supermercados. “Muita comida boa é desperdiçada nesse processo”, registra o Falling Fruit.

A piauí foi a campo inspecionar as árvores cadastradas nas vizinhanças da redação, em Ipanema. Os registros são procedentes: de fato há muitos coqueiros ao longo da orla da Avenida Vieira Souto, e as “quatro mangueiras bem altas” registradas no início da Rua Barão da Torre continuam ali. Mas o que mais chamou a atenção na caminhada por um dos bairros mais arborizados do Rio de Janeiro era a profusão de mangueiras e outras árvores frutíferas que não estavam registradas no mapa colaborativo.

 

Em São Paulo, o número de entradas é ainda menor: 46, numa média de uma árvore registrada para cada 33 km². Algumas delas foram cadastradas por Thomaz Brandão Teixeira, um economista de 47 anos que trabalha com inovação no mercado financeiro e ajudou a traduzir o conteúdo do Falling Fruit para o português. Foi ele que registrou uma pitangueira e uma amoreira no Parque Buenos Aires, em Higienópolis – Teixeira já fez parte do conselho gestor do parque. Incluiu também uma jabuticabeira na Praça Panamericana, no Alto de Pinheiros, e duas amoreiras na Cidade Universitária da USP, no Butantã.

Teixeira se define como “maluco por árvores” e perdeu a conta de quantas plantou ao longo da vida. Já tentou mobilizar a prefeitura para fazer um censo das árvores de São Paulo, mas não emplacou a ideia (“Não é a prioridade orçamentária da cidade”, disse). Ele acredita que o Falling Fruit pode despertar o interesse de crianças e adultos e estimular a educação ambiental. “A gente acha normal andar na rua e não saber o nome de árvore nenhuma”, observou o economista. “Não aprendemos a olhar para as árvores.”

 

A interface do Falling Fruit é simples e sem firulas (para acessá-lo pelo celular, é recomendável baixar o aplicativo). A plataforma tem não só a aparência, mas também o espírito de uma internet que foi engolida pelas grandes plataformas digitais governadas pelos algoritmos de recomendação.

Numa troca de e-mails com a piauí, o antropólogo Hermano Vianna lembrou que a internet era “uma gigantesca e suculenta falling fruit” em seus primórdios. “Quase tudo ali incluía plantio e coleta de informações produzidas em jardins que tinham orgulho de serem públicos”, disse o antropólogo. “As chamadas big techs se aproveitaram desse cultivo coletivo e foram cercando todas as praças, transformando suas hortas em espaços gourmet de condomínios privados conhecidos pelo apelido de redes sociais.”

Vianna foi um dos criadores do Overmundo, um site sobre cultura brasileira com conteúdo produzido por uma rede de colaboradores de todo o país, uma lógica que está em extinção. A Wikipédia é dos poucos sites que conservam “o espírito público antigo”, diz o antropólogo, que se encantou com o Falling Fruit e outros projetos colaborativos como o xeno-canto, que compila gravações de áudio de animais selvagens enviadas por usuários de todo o mundo. Esses projetos encarnam o que o antropólogo considera um regime alimentar diverso, descentralizado e saudável, para o corpo e para a alma. “A grande batalha não está perdida”, disse Vianna.

Bernardo Esteves
Bernardo Esteves

Repórter da piauí, é apresentador do podcast A Terra é Redonda (Mesmo) e autor dos livros Admirável novo mundo: uma história da ocupação humana nas Américas (Companhia das Letras) e Domingo É Dia de Ciência (Azougue Editorial)

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