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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2024

esquina

Dança dos cangurus

Biólogo quer virar astro do pop latino na Austrália

Bernardo Esteves | Edição 211, Abril 2024

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O videoclipe é ambientado ao ar livre, num parque em Camberra, capital da Austrália. Cerca de vinte pessoas dançam espalhadas em pequenos grupos, cada um dedicado a um ritmo diferente. Ao fundo, atrás de um casal praticando dança de salão, dois cangurus pulam, indiferentes à festa. Uma dançarina indiana de vestido azul e amarelo se desgarra de seu grupo e vai na direção de um casal que samba. Ao se aproximar, modifica seu passo para se adequar ao gingado desses novos parceiros.

As mudanças no estilo de dança foram inspiradas no comportamento dos cangurus, tema de pesquisa do biólogo capixaba Weliton Menário Costa, de 32 anos. Ele é intérprete e coautor, com o músico Nicholas Moynihan, de Kangaroo time (club edit), que lançou com o nome artístico Weli. Inspirada na disco music e no funk brasileiro, a canção “é um pop eletrônico com uma vibe antiga dos anos 1980 e um twist latino”, como definiu Weli à piauí. “É uma mistura de sabores.”

Em seu doutorado, defendido em 2021 na Universidade Nacional Australiana, Costa monitorou ao longo de três anos um grupo com mais de trezentos cangurus no Parque Nacional do Promontório Wilsons, uma unidade de conservação no sudeste da Austrália. Observando o comportamento dos marsupiais, o biólogo viu que cada um tinha sua individualidade. “Quem quer que tenha mais de um cachorro sabe que os bichos têm personalidades diferentes”, escreveu em sua tese. A surpresa foi constatar que os cangurus mudam de conduta quando encontram um grupo. “Eles preferem ajustar o seu comportamento a seguir a própria personalidade”, diz o cientista.

 

A fim de representar esse comportamento numa performance coletiva, Weli teve a ideia de filmar dançarinos que, ao modo dos cangurus, mudam seu ritmo quando transitam por diferentes grupos. Para a gravação, feita numa tarde de domingo em outubro do ano passado, o brasileiro recrutou amigos australianos e de diferentes comunidades de imigrantes. Reuniu drag queens, passistas, capoeiristas, dançarinos de salsa, street dance, balé clássico e outros ritmos.

“A melhor forma de comunicar diferenças de comportamento nos animais era mostrando as diferenças em danças que já existem”, explica. Em vez de definir figurino e coreografia, Weli orientou cada um a se vestir e dançar como quisesse – desde que se adaptasse à turma com a qual dançava. “Eles tinham que ajustar seu estilo ao que estava acontecendo em cada grupo.”

 

O vídeo foi produzido para o Dance your PhD, um concurso em que cientistas apresentam suas pesquisas em forma de dança. Promovida pela revista Science e pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, a competição acontece anualmente desde 2008. Kangaroo time (club edit) foi o grande vencedor de 2024. Costa faturou um prêmio de 2 750 dólares, ou quase 14 mil reais.

 

A ideia de criar uma competição em que os cientistas transformassem suas pesquisas em números de dança foi de John Bohannon, um microbiologista que escrevia para a Science e hoje é diretor da empresa de inteligência artificial que patrocina o concurso. Ouvindo um amigo físico que tentava – sem sucesso – lhe explicar no que consistia sua pesquisa com lasers, Bohannon imaginou que entenderia melhor se a explicação de alguma forma dispensasse as palavras. “A dança de fato pode facilitar a compreensão da ciência”, afirmou numa palestra.

Na edição deste ano, oito jurados, entre cientistas, artistas e dançarinos, escolheram o melhor vídeo nas quatro categorias regulares do concurso – física, química, biologia e ciências sociais – e na categoria especial de mecânica quântica e inteligência artificial. Dentre os cinco destaques, Costa foi escolhido o grande vencedor. Desbancou concorrentes como uma doutoranda da Universidade de Princeton que estudou como traumas no início da vida afetam o DNA de crianças. Ele foi o primeiro brasileiro a se sagrar vencedor do concurso. Em edições anteriores, a bióloga Natália Cybelle Lima Oliveira e o engenheiro florestal Israel de Jesus Sampaio Filho já haviam ganhado em suas categorias.

 

Weliton Menário Costa nunca tinha visto um canguru antes de ir para a Austrália. Queria estudar mamíferos sociais e investigar como o ambiente pode influenciar o comportamento individual – tema que ele relacionava à sua própria experiência. Na infância, seu comportamento fugia aos padrões heteronormativos – em suas palavras, ele era uma “criança viada”. Diante de um ambiente social repressor, porém, abafou sua sexualidade.

 

Nascido em Ribeirão do Meio, comunidade de Conceição do Castelo, no Espírito Santo, Costa é filho de um trabalhador rural negro e de uma professora descendente de imigrantes italianos. Fez parte da primeira turma de biologia do Instituto Federal do Espírito Santo, no município de Alegre. Conheceu a Austrália ainda durante a graduação, quando foi passar uma temporada como bolsista do programa Ciência sem Fronteiras, extinto em 2017.

O doutorado no exterior foi a oportunidade para sair do armário. Ele se lembra de quando decidiu revelar sua orientação sexual à família. “Acordei nesse dia pronto para perder todo mundo”, contou. “E fui escrever uma carta explicando por que eu estava na Austrália.” No final, ele não perdeu seus pais.

Para Weli, o lançamento de Kangaroo time representa a culminação da sua transformação pessoal, o instante em que a “criança viada” encontra o cientista que estudou a influência do ambiente no comportamento. A canção foi muito celebrada por seus familiares no Espírito Santo. “Minha mãe compartilhou o vídeo no grupo da igreja e no grupo das professoras aposentadas”, conta o artista.

A notícia de que Weli havia ganhado o prêmio Dance your PhD não causou a mesma comoção. “Minha família não sabe de ciência e nunca entendeu muito bem o que eu estava fazendo na Austrália”, diz o biólogo. “Mas a partir do momento em que transformei isso em música, com os visuais, ficou mais acessível.”

Concluído o doutorado, o capixaba permaneceu na Austrália, mas decidiu abandonar a academia para abraçar a carreira artística. Sonha em se consagrar como astro do pop latino. Kangaroo time (club edit) é a faixa de abertura de seu primeiro EP, Yours academically, dr. Weli (Academicamente seu, dr. Weli), lançado em março.

Bernardo Esteves
Bernardo Esteves

Repórter da piauí, é apresentador do podcast A Terra é Redonda (Mesmo) e autor dos livros Admirável novo mundo: uma história da ocupação humana nas Américas (Companhia das Letras) e Domingo É Dia de Ciência (Azougue Editorial)

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