Estará o Prêmio Pulitzer à altura de Consuelo Dieguez?
| Edição 234, Março 2026
BANCO MASTER E O STF
Em seu artigo Togados do Tayayá (piauí_233, fevereiro), Fernando de Barros e Silva sugere que os ministros do STF, ao combaterem o golpe de Bolsonaro e condená-lo à prisão, teriam agido em defesa da democracia. Do meu ponto de vista, suas excelências agiram em defesa delas mesmas, uma vez que o malfadado plano golpista planejava matar Moraes e prender os demais. E suas excelências não fizeram mais do que a obrigação, ademais. Com esta ressalva, vale dizer que o artigo está excelente e traça um ótimo panorama da crise do Judiciário.
Tenho acompanhado a cobertura da piauí relacionada ao caso Master desde a edição de outubro de 2024, e tenho comigo que a revista vem brindando seus leitores com verdadeiras aulas de jornalismo (e também de Brasil). A matéria de fevereiro – A contaminação –, de Consuelo Dieguez, é brilhante, digna de um Pulitzer. Parabéns a todos.
PEDRO LEMOS_FLORIANÓPOLIS/SC
NOTA LAUDATÓRIA DA REDAÇÃO: Não é Consuelo Dieguez que está à altura de receber um Pulitzer. É o Pulitzer que está à altura de receber Consuelo Dieguez.
Li a excelente matéria de Consuelo Dieguez intitulada A contaminação (piauí_233, fevereiro), sobre o escândalo do Banco Master. Ocorrem-me dúvidas. Embora o próprio texto remeta a outro artigo, da mesma autora (O salvamento, piauí_224, maio de 2025), eu me lembro de ter lido um texto ainda anterior, da própria Consuelo em edição mais antiga da piauí (o texto era uma espécie de biografia crítica de Daniel Vorcaro). Nele, a autora já expunha algumas “inconsistências” do novo banco. Li mesmo ou estou sonhando (neste caso em pesadelo)? Rs. Daí decorre minha segunda dúvida: se eu, mero leitor, já podia inferir que o Master era perigoso, desde que fui alertado pela piauí, como é que pessoas que têm a responsabilidade de grandes investimentos podem alegar ignorância, dizendo que não foram alertadas pelo bc sobre as condições do Master? Ajudem-me a elucidar tais questões.
PAULO ROBERTO PEDROZO ROCHA_OSASCO/SP
NOTA SOLIDÁRIA DA REDAÇÃO: O leitor não está sonhando. A primeira matéria sobre o Banco Master, sob o título Alta tensão, saiu na piauí de outubro de 2024. A alta direção da piauí vem avaliando a possibilidade de enviar exemplares gratuitos, a título de medida social, para remediar a massa de desassistidos da Avenida Faria Lima.
Venho requerer a retificação parcial da carta de minha autoria publicada na piauí_233, fevereiro, na parte em que comento o encontro do ministro Alexandre de Moraes com o dirigente do Banco Central, Gabriel Galípolo. À época, eu desconhecia o contrato do escritório da esposa e filhos do referido ministro com o Banco Master pela singela importância de 3,6 milhões de reais por mês, para vigorar por três anos.
Diante de tal fato, constata-se que a maioria dos brilhantes juristas que compõem o nosso tribunal maior – presidido atualmente com grande firmeza por Edson Fachin e seus pares, o decano Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, e agora com o reforço de Alexandre de Moraes – contribui com altivez para o fortalecimento de nossa frágil democracia.
Acredito também num possível constrangimento dos ilustres ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia com o momento presente.
SEBASTIÃO MAURÍCIO DUARTE PESSOA_RIO DE JANEIRO/RJ
A defesa de Paulo Henrique Costa esclarece que a matéria publicada pela revista piauí, de fevereiro de 2026, apresenta interpretações equivocadas sobre a condução, a governança e o desenho da operação de compra do Banco Master analisada pelo Banco de Brasília (BRB).
O processo foi estruturado dentro dos ritos formais de governança do BRB, com atuação de instâncias colegiadas, áreas técnicas, controles internos e assessoramento independente, desde a fase preliminar até a definição do desenho final da operação.
A promessa de compra e venda estava sujeita a cláusulas precedentes e a reorganização societária prévia, com a exclusão de aproximadamente 51,2 bilhões de reais em ativos e passivos, assegurando a delimitação do perímetro da operação e a proteção integral do BRB.
A operação permaneceu, em todo o tempo, submetida a salvaguardas técnicas, contratuais e aprovações regulatórias. Alegações de ausência de governança ou de improvisação decisória não encontram respaldo nos fatos nem na documentação formal do processo.
As aquisições de carteiras realizadas em 2025 seguiram padrões de mercado. Ao identificar padrão documental distinto, o brb comunicou formalmente o Banco Central em maio de 2025 e iniciou processo de substituição de ativos, que se encontrava em fase avançada quando da liquidação do Banco Master. A identificação da situação envolvendo as cotas de fundos no exterior decorreu de diligências do próprio brb, no exercício regular de seus controles internos.
Durante as tratativas, cártulas do Besc foram ofertadas ao brb e prontamente recusadas, por desalinhamento com a estratégia, o perfil de risco e as diretrizes de alocação de ativos da instituição.
Paulo Henrique Costa confia que a análise técnica e institucional dos fatos, à luz do devido processo legal, demonstrará a correção dos procedimentos adotados e a improcedência das narrativas veiculadas.
NOTA DA ASSESSORIA JURÍDICA DE PAULO HENRIQUE COSTA, PRESIDENTE DO BRB_BRASÍLIA/DF
HELOÍSA HELENA
Quanto sem noção tem que ser um trabalho de reportagem que fala sobre Heloísa Helena como heroína do povo e da esquerda, e ignora que ela passou os últimos anos de sua vida dando golpe em cima de golpe para manter o poder em seu partido e, no processo, o destruiu? Quanto é possível falar de uma personagem política ignorando tudo o que ela fez a não ser os últimos 5 minutos que dão uma notinha colorida?
É quase inacreditável, com o dinheiro que vocês têm, que se contentem com uma matéria foda por edição e o resto seja encheção de linguiça e conversas com a própria bolha.
CAIO MAIA_SÃO PAULO/SP
NOTA SEM AUTOESTIMA DA REDAÇÃO: E olha que em algumas edições nem a matéria foda tem.
ERRATAS:
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- Na versão original da reportagem A contaminação (piauí_233, fevereiro), o cargo de Renato Gomes estava incorreto. Ele é diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central.
Os advogados de Daniel Vorcaro só entraram com pedido de acesso ao inquérito sigiloso do Banco Master depois que saiu a notícia informando em qual Vara Federal o assunto tramitava. Não procede, portanto, a suspeita de que poderiam ter recebido algum tipo de informação privilegiada sobre a tramitação judicial do caso.
O presidente da Caixa Asset, Pablo Sarmento, e o diretor Igor Macedo Laino foram os responsáveis pela demissão dos gerentes da Caixa que se recusaram a avalizar a compra de 500 milhões de reais dos papéis do Banco Master. Não procede, portanto, a informação de que Tarso Duarte de Tassis, vice-presidente de Negócios de Atacado, tenha feito as demissões.
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- Na reportagem Villa-Lobos revisto (piauí_233, fevereiro), a criação do espetáculo Ballade au-dessus de l’abîme (Balada acima do abismo) foi atribuída incorretamente a Sonia Rubinsky. Quem concebeu a apresentação foi Catarina Brandão. No mesmo texto, o Instituto Villa-Lobos foi relacionado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando de fato está ligado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
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Por questões de clareza e espaço, a piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Solicitamos que as cartas informem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação:
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