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    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

FL, de Faria Limer

A alfaiataria que borda as iniciais da elite econômica

João Batista Jr. | Edição 223, Abril 2025

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O ateliê Augusto Camiseiro, nos Jardins, em São Paulo, é composto de duas casas, uma ao lado da outra. No térreo, fica a loja, com a porta fechada. É preciso tocar a campainha.

Em uma das salas, há cinco corredores de prateleiras, abarrotadas com pastas transparentes que guardam as medidas de cada cliente e os moldes de suas roupas (desenhados em papel kraft). Se o vice-­presidente Geraldo Alckmin, o empresário Eugênio Staub (dono da Gradiente) ou o economista Persio Arida – alguns dos clientes da casa – chegam ao ateliê, basta que alguém digite o nome deles no sistema para encontrar a pasta em que estão guardados seus dados e moldes de roupas. A alfaiataria reúne 32 mil moldes, sendo 15 mil de clientes frequentes.

No segundo e terceiro andar de um dos imóveis, trabalham os costureiros e costureiras, alguns com mais de trinta anos de experiência. Há também uma área em que três alfaiates na casa dos 60 anos dedicam-se exclusivamente à confecção de ternos e costumes sob medida – que custam entre 15 mil e 20 mil reais, dependendo do tecido. A alfaiataria dispõe de opções sofisticadas de tecidos, como as das fábricas italianas Loro Piana (de 660 a 1,8 mil dólares o metro) e Zegna (de 440 a 1,2 mil dólares o metro).

 

No comando da alfaiataria está Augusto Cacavallo Villaescusa, de 62 anos, e suas duas irmãs, as gêmeas Nuria e Mônica Villaescusa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-procurador da República Augusto Aras também são clientes da casa, assim como o ex-governador paulista João Doria – que, aliás, apresentou Alckmin ao alfaiate nos anos 1990, bem antes de entrar para a política e passar uma rasteira em Alckmin.

 

Por atender nomes da elite econômica e política, o Augusto Camiseiro caiu nas graças dos executivos da Avenida Faria Lima, o centro financeiro do país. Além do colete acolchoado, da calça cáqui e do mocassim, os faria limers gostam de estampar suas iniciais nas camisas (em geral brancas ou azul-claras). Elas costumam ser bordadas do lado esquerdo do peito, a 27 cm de distância do colarinho, mas Augusto Cacavallo diz que o mais atual é fazê-las a 23 cm (um pouco acima do mamilo) e até no punho.

O ateliê tem profissionais especializados em bordar as iniciais. Mas a demanda tem sido tão grande que uma máquina de costura de 70 mil reais foi comprada só para fazer esse tipo de trabalho. A máquina, porém, está parada, porque não se conseguiu alguém para operá-la.

 

O ex-embaixador e ex-tucano Andrea Matarazzo, de 68 anos, outro cliente do Augusto Camiseiro, pede suas iniciais na camisa desde a adolescência, muito antes de virar moda na Faria Lima. “O pai do Augusto fazia as camisas do meu pai e as minhas, desde quando eu tinha 15 anos”, conta Matarazzo, hoje filiado ao PSD. Seu pai foi o industrial Giannandrea Matarazzo (1929-2011).

Recentemente, Augusto Cacavallo tem recebido também muitos pedidos de ajuste nas roupas e de novas medidas dos clientes. “Tem muita gente tomando Mounjaro”, ele explica, referindo-se às canetas de tirzepatida (a caixa com quatro doses para um mês chega a custar mais de 3 mil reais). “As pessoas estão mais magras.”

 

A alfaiataria tem longa tradição na família de Augusto Cacavallo Villaescusa. Seu avô, o espanhol Antero Villaescusa Sánchez, se dividia entre o trabalho de alfaiate e a vida sindical. Por sua luta política junto aos socialistas, amargou cinco anos de prisão na ditadura franquista. O pai, Augusto Villaescusa, em busca de condições melhores, mudou-se para o Brasil nos anos 1950 e empregou-se no ateliê Alfredo Camiseiro, que tinha uma clientela de banqueiros e industriais em São Paulo.

 

O camiseiro Alfredo George morreu sem deixar herdeiros. “Então, em 1970, o meu pai se viu desempregado e com três filhos para criar”, conta Augusto Cacavallo. As pastas com os moldes dos clientes, porém, ficaram com seu pai, que continuou atendendo vários deles, mas apenas na confecção de camisas. O negócio deu tão certo que chegou a confeccionar mil camisas por mês nas oito salas que alugava em uma galeria na Rua 24 de Maio, no Centro de São Paulo.

Augusto Cacavallo não estava destinado à alfaiataria. No começo dos anos 1980, passou no vestibular de engenharia de infraestrutura aeroportuária, no disputado Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Depois de formado, trabalhou dois anos e meio em uma consultora financeira, mas deixou o emprego porque a empresa não autorizou que fizesse uma pós-graduação. Foi quando resolveu trabalhar no negócio da família. Quando o pai morreu, em 1987, vítima de infarto, ele decidiu tocar a alfaiataria, sem nunca ter pregado um botão.

A sua gestão com as irmãs prosperou. Hoje, a empresa tem 45 funcionários, entre cortadores, alfaiates e costureiras. “Como tenho um viés à esquerda, trato muito bem os colaboradores”, afirma Augusto Cacavallo. Ele diz que o expediente de oito horas é flexível e que os empregados têm um bom plano de saúde, recebem um vale-­refeição que permite comprar até passagem aérea, e que a cada seis meses os premia com participação nos lucros.

Hoje, 50% das vendas da alfaiataria são de camisas sob medida, 35% de peças pronta-entrega (na loja e no site) e 15% de ternos, costumes e calças sob medida. Os casamentos representam parte importante do lucro. Quando Ronaldo Fenômeno se casou com a modelo Celina Locks em 2023, em Ibiza, ele pagou todos os ternos e camisas dos padrinhos, feitos pelo ateliê Augusto Camiseiro.

O curso de engenharia no ITA não foi inteiramente em vão. Augusto Cacavallo criou um software com o qual consegue fazer o rastreio de toda a produção – desde quem cortou o tecido até quando foi entregue a peça do vestuário. Pelo programa, pode-se descobrir que Geraldo Alckmin (cliente nº 8 651) esteve no ateliê no dia 12 de agosto de 2024, quando encomendou três camisas brancas, uma calça e um blazer azul-marinho. Também estão lá as suas medidas, como a do colarinho (44 cm). “Augusto é um craque e, principalmente, um amigo querido, que eu conheço há muitos anos”, disse Alckmin à piauí. “É também um profissional caprichoso, atencioso com seus clientes e tem verdadeira paixão pelo que faz. Seu ateliê é um local acolhedor, onde sempre temos boas conversas e podemos testemunhar o esmero com que ele realiza o seu trabalho.” Na última encomenda, o vice-­presidente, como sempre, dispensou as iniciais de seu nome.

João Batista Jr.
João Batista Jr.

Repórter da piauí, publicou A Beleza da Vida: A Biografia de Marco Antonio de Biaggi (Abril)

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