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O anjo da guarda

    Óbolo (2016, detalhe), trabalho de Antonio Obá: “Eu já não tenho a menor ideia de como era enxergar com os dois olhos; quem é vidente nem imagina o que é ver o mundo pela metade” CRÉDITO: TRECHO DA OBRA ÓBOLO, DA SÉRIE LAPIDÁRIO CONTINENTAL I E II (ÓBOLO E MINHA BOCA É UM TÚMULO)_ANTONIO OBÁ_2016_ FOTO DE GUI GOMES PARA CARBONO GALERIA

memórias

O anjo da guarda

Ele me dizia alguma coisa que eu não entendia bem – e eu tentava falar com ele, mas não conseguia

Ricardo Aleixo | Edição 193, Outubro 2022

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SÓ SE FOR POR ISSO MESMO

Chamo, com certo exagero, de Noite do Terror aquele 28 de outubro de 2018, já perto das 21 horas, em que, diante de um copo de cerveja que esquentava sem que me reaparecesse a vontade de levá-lo de novo à boca, eu ouvia uma massa sonora formada por buzinaço, foguetório e gritos. Eu não distinguia as palavras que eram gritadas com ódio, a poucos metros da minha casa. Pensei que, se quisessem, meus excitados vizinhos poderiam saltar o muro e me tomar como exemplo do que fariam os adeptos do novo governo com os que pensam e vivem de maneira diferente da deles e da do seu ídolo.

Nossa casa parecia/um buraco de tatu./Ainda por cima era de esquina:/rua C com rua U. Me distraí por uns breves segundos com a quadrinha que inventei há tempos para fazer frente ao destino, tão irônico, que lançou minha família neste fim de mundo – onde as ruas não tinham nomes, eram somente diferenciadas por letras –, num dia chuvoso de dezembro de 1969. O foguetório e o buzinaço continuavam, vindos também da Vila Cloris, situada na parte mais alta da depressão em que se localiza o Campo Alegre, o que faz da região uma câmara de ecos potentíssima. Os gritos tornavam-se, aos poucos, mais espaçados. Seriam mesmo de ódio? Ódio a quem, carajo? Às próprias vidas sem perspectivas? Só se for por isso mesmo. Dissipada a tensão inicial, resolvi gravar aquela estranha, violenta, dissonante paisagem sonora. Liguei o gravador do celular justo no momento em que uma criança esgoelava o nome do presidente eleito com uma força que me impedia de adivinhar a sua idade. Sete anos? Oito? Quase nove? Não sei.

 

Nove anos era a idade que eu tinha quando um caminhão do Ministério da Agricultura, onde meu pai, Américo, era baixo funcionário, nos despejou no segundo conjunto habitacional construído pela ditadura civil-militar, com outras 555 famílias, entre pobres e miseráveis, vindas de diversos pontos de Belo Horizonte e do interior do estado. Não éramos miseráveis. Éramos pobres, muito pobres, “mas não da graça de Deus”, como dizia o nosso pai. Comida não nos faltava, sempre tivemos em casa o suficiente para nós quatro e para quem mais chegasse. Uma prima e um primo moraram conosco em épocas diferentes, sem que isso afetasse nossa rotina alimentar. Esse era o nosso parâmetro, traçado por Íris, minha mãe: miserável é quem não tem nem o que comer.

Nos mudamos para o Campo Alegre no dia 19 de dezembro. Com a morte do presidente da República, o marechal Costa e Silva, o caminhão da repartição em que Américo servia só foi liberado para fazer a nossa mudança dois dias depois do que estava previsto. Nossa mãe e nosso pai já não continham a ansiedade. Ele, porque fazia planos, contava com a melhora no orçamento, agora que estariam dispensados do aluguel; ela, porque sempre foi ansiosa, e porque a nova casa não chegava a entusiasmá-la, inclusive porque localizada num bairro de nome tão enganador quanto a sempre adiada promessa contida no nome da capital mineira (Belo Horizonte? Onde? Para quem? Quando? – pergunto, escrevi no final do longo poema Antiode: Belorizonte, do livro Máquina Zero, de 2004). “Campo Alegre? Olha que feiura isso aqui”, dizia minha mãe, apontando as casas quase encostadas umas nas outras, as ruas estreitas, o calçamento feito com pedras irregulares, a água escassa nas torneiras, as velas substituindo a luz elétrica, as incontáveis goteiras. “Está mais para Campo Triste.”

Minha mãe, nos primeiros dias da nossa vida no Campo Alegre, me passava a impressão de que se encontrava em contínuo estado de alerta. Os tons de voz com que se dirigia a mim, a Fatima ou ao nosso pai, o jeito de olhar em torno, como se soubesse que algo de muito pior do que a triste vida que éramos obrigados a viver poderia nos acontecer a qualquer momento, me lembravam um bicho acuado – associação que só fiz quando, já no segundo grau, hoje ensino médio, comecei a ler um romance atrás do outro e a tentar criar narrativas breves, poemas e novas letras para as canções dos compositores que eu mais ouvia à época. Acho que Íris se sentia acuada, sim. Porque o tempo passava e nada de a situação mudar.

 

Já íamos pela metade de 1970, a Copa do México perto de começar, e a ditadura, com o seu famigerado “milagre econômico”, teimava em não olhar para o Campo Alegre, o lugar decididamente muito feio. A palavra “precariedade” não é suficiente para explicar a indecente proximidade entre as casas, os ônibus sempre lotados, a água que faltava um dia sim e outro também, os picos de luz no meio da noite, as ruas muito estreitas, devido à certeza dos sacripantas responsáveis pela nova fase da ditadura de que jamais alguém daquele conjunto habitacional onde fomos jogados teria dinheiro bastante para comprar um carro.

A cada noite, na hora da janta, o silêncio dos quatro infelizes membros do clã Aleixo de Brito era quase uma presença viva. Ninguém dizia palavra. Não tínhamos televisão, e Américo só ligava o rádio depois da Hora do Brasil. Bem baixinho. Pela primeira vez na vida, Fatima tinha um quarto só para ela, e eu, um só para mim. Deitávamos e conversávamos através da parede que separava um quarto do outro – ou por cima da parede –, enquanto o sono não vinha.

Ao contrário do pai e da mãe da casa, minha irmã e eu íamos, aos poucos, nos acostumando com o lugar, conhecendo e fazendo amizade com as meninas e os meninos da vizinhança. No lote localizado nos fundos do nosso morava a família do senhor J, com a mulher, dona N, um menino, G, e duas meninas, N e C. Ainda me lembro da cena: o senhor J pegou, primeiro, a mão do G, depois a minha, e disse, como quem ordena: “Cumprimentem-se, porque de hoje em diante vocês serão amigos.” Nossa amizade durou até o fatídico dia em que o G, numa daquelas sórdidas peladas que, de acordo com Nelson Rodrigues, podem ser “de uma complexidade shakespeariana”, acertou (sem querer – ele só era um sujeito meio parvo e desprovido de talento para o futebol) um tirombaço no meu olho direito e seguiu a vida como se nada tivesse acontecido.

 

 

SONHEI COM O ANJO DA
GUARDA O RESTO DA NOITE

A pelada não parou depois que eu levei a bolada. O tirombaço pegou em cheio o lado direito do meu rosto. Acertou em cheio o olho. Eu não via nada. Sentia uma dor terrível. E o jogo continuava sem mim. Foi a toupeira do G. Soltou aquele pombo sem asas, como dizíamos, em vez de tentar me dibrar e empurrar a bola para o gol. Não precisava ter chutado com tanta força. Se aquele quadrúpede tivesse um mínimo de talento ele me dibrava ou tocava a bola para o lado. Eu não era o goleiro, o goleiro era o P, que saiu do gol para tentar tomar a bola dos pés do Z, sem conseguir, porque o Z tocou rápido para o G. Burro como era, o G só podia mesmo ter feito o que fez.

Acho que ninguém sequer notou que eu caí uivando de dor. Voltei para casa todo sujo de barro. A poeira do campinho misturada ao suor. Como acontecia sempre que eu voltava da pelada, entrei no tanque de lavar roupa e deixei a água cair para varrer o grosso da sujeira, antes de tomar banho direito. Depois do banho fui rápido para o quarto. Minha mãe me disse, ainda da porta, que a janta já estava quase pronta e eu então respondi que precisava dormir um pouco.

Era feriado, um 15 de Novembro. Eu tinha completado 18 anos em setembro, no dia 14. A dor não passava. Rezei para o anjo da guarda não deixar nada de mal me acontecer. Acabei pegando no sono. Será que eu fiquei cego? Sonhei isso, com essa exata pergunta. No meio da madrugada, fui ao banheiro para mijar. Olho direito fechado. Eu queria, precisava acreditar que era só a dor, que eu abriria o olho quando acordasse de vez, de manhã, e tudo estaria como estava antes da bolada.

Sonhei com o anjo da guarda o resto da noite. Ele me dizia alguma coisa que eu não entendia bem o que era. Eu também tentava me comunicar com ele e não conseguia. Acordei, não sei quanto tempo mais tarde, com a voz da prima Tê dando bom-dia à minha mãe. Passei pelas duas sem falar com elas e entrei no banheiro. Me olhei no espelho e vi a bola de sangue que se formara no meu olho direito. A dor havia cedido um pouco, mas aquela bola de sangue falava por si.

No hospital, o médico falou com a minha mãe sem rodeios. A situação era gravíssima, eu teria que ser operado já naquele dia. “Dificilmente ele vai voltar a enxergar, senhora. A bolada destruiu totalmente o cristalino e afetou a retina e a córnea. Prometo fazer o que estiver ao meu alcance para não ter que extrair o globo ocular”, o médico falou, com uma voz impessoal, distante, quase seca. Minha mãe me abraçou com força, contendo o choro e repetindo que para Deus nada é impossível, mas eu já desconfiava que a verdade não era bem essa. Não é.

A cirurgia deu errado. Tive que ficar lá mais uns dias. Uma nova cirurgia. Voltei para casa de óculos escuros, magro de fazer dó e tomado por uma infinita tristeza. Quase não comia. A dor no olho, que só diminuía à custa de um coquetel de antibióticos, me impedia de ler e escrever, as coisas que eu mais gostava de fazer além de jogar bola. Nenhum dos caras foi me visitar. Minhas mãos e meus pés se encheram de verrugas por causa dos antibióticos. O médico explicou que meu olho havia preservado o que ele chamava de “visão de vultos”. Compreendi. Eu estava cego.

Me olhar no espelho era um tormento. Porque o olho cego transformara-se num objeto estranho, com uma paleta de cores – do esbranquiçado ao azul-acinzentado – que não deixava dúvidas quanto à sua inutilidade, e com movimento independente. Eu odiava a vida que era obrigado a levar, sem amigos e sem um amor, sem poder ler e escrever e, pior que tudo, sem poder sonhar com algum futuro, como faziam os caras da minha idade. Eu me via como um monstro, condenado a passar todo o tempo na cama, acossado por um tipo de dor que, por vezes, nem os malditos antibióticos aplacavam.

Íris sofria com a situação. Várias vezes, ao passar pela porta do quarto dos meus pais, noite alta, a caminho do banheiro, eu percebia que choravam, e que o motivo do choro era eu. Aquilo me incomodava. Tornava tudo ainda pior. Aos poucos, comecei a testar posições na cama que me permitiriam ler e escrever sem sentir tanta dor. E ainda havia um ridículo lacrimejamento. E o inchaço do olho, que só fazia aumentar a percepção do monstro em mim. Mas eu falava das leituras. E dos poemas, que passei a escrever compulsivamente. Também são dessa época as primeiras tentativas de compor canções. Antes de ter completado 21 anos, já terei passado por cinco cirurgias, todas inúteis, salvo pelo fato de que confirmarão a melhor das hipóteses: ter um olho que incha é menos ruim que ter um buraco escavado no rosto.

Minha irmã adquiriu, para nós, a coleção Os Pensadores. Fiz de Friedrich Nietzsche um interlocutor diário. Lia e relia as passagens sobre o valor da convalescença. Eu queria ser mais que apenas um poeta que escreve poemas. Trabalhei duro para tentar fazer daqueles meus dias de enfermo um meio de experimentar a possibilidade de viver a conhecida afirmação do pensador alemão acerca do nosso desejo de “ser os poetas de nossa própria vida e, primeiro, nas menores coisas”. Tanto melhor se, além de uma vida digna da beleza da palavra “vida”, eu ainda conseguisse, de quebra, compor poemas.

 

O MUNDO PELA METADE

O inchaço no olho, como é? O olho vai se tornando uma bola, devido à obstrução do canal de Schlemm. O lacrimejamento vinha daí. Vem, ainda, de quando em quando, daí. A prima Tê ainda se lembra de como eu tinha que fazer uma operação muitíssimo complexa para abrir um pouco as pálpebras, com um lenço de papel e a delicadeza gestual de um dançarino de butô, pressionar um pouco o olho, desde a parte mais próxima do nariz, até sair uma lágrima, outra lágrima, duas lágrimas, três, quatro.

Falei do artifício que inventei para ler e escrever, lembra? Eu tinha que optar entre me deitar com o lado esquerdo do rosto sobre o travesseiro e fixar o livro, com a mão direita, contra a parede, em posição tão inclinada quanto estava o meu rosto, e o contrário, pousar o lado direito da cabeça sobre o travesseiro e segurar o livro com a mão esquerda. Aqui, assim, vai doer menos ou mais do que se eu optar pelo outro lado? Em geral, eu não conseguia ficar de frente, assim, ó, sentado na cama com o livro sobre as pernas, como fazia desde a infância. Não dava porque, além da baita dor que eu sentia, eu ainda me encontrava na fase de tentar entender como era ver e ler pela metade, só com um olho.

Hoje eu já não tenho a menor ideia de como era enxergar com os dois olhos, não tenho mais qualquer registro de como era isso. Esse ver pela metade, hoje, é tudo de que disponho para enxergar o que quer que seja. Existe tanta coisa para ver, tanta coisa em movimento, que às vezes me vem a sensação de que não é de todo ruim ter esse campo visual tão reduzido, ainda mais reduzido com a progressão do glaucoma no que era, até alguns anos atrás, o meu olho que os oftalmologistas definiam como “bom”. Posso mesmo dizer que está bem ter uma visão tão precária. Vou me adaptando, você sabe, às velocidades, às espacialidades, aos acasos. Mas naquele tempo, 18, 19, 20 e poucos anos, a leitura frontal era uma tarefa quase impossível. Porque um olho não tinha função e o outro estava sobrecarregado, digamos assim, sem saber direito, ainda, como transitar sozinho pela página. O livro está aberto na minha frente: como treinar o meu único olho que presta para fazer esse movimento de passear de um canto da página ao outro, de uma linha à outra? Foi toda uma técnica que tive que desenvolver. Quem é vidente nem imagina o que é ver o mundo pela metade. Tem lá seu quê de engraçado, sabia?

Outro artifício que inventei naqueles anos em que sentir dor era a única certeza ao longo dos dias: inspirado por uma declaração do cartunista Henfil, em que ele contava que, para superar as dores provocadas pela hemofilia, costumava pisar com força nos próprios pés, alternadamente, criei uma espécie de dança que me dava a sensação, bastante prazerosa, de que eu podia transferir as dores do olho para o pé esquerdo e o direito. Eu pisava em cada um deles com cada vez maior força, e isso me levou a uma percepção maior de todo o meu corpo. Fui, aos poucos, aprendendo a criar jogos gestuais muito delicados, ao mesmo tempo que ganhava confiança para sustentar a cabeça erguida, quase tão erguida quanto eu a mantinha na época em que tentava imitar o estilo do meu grande ídolo no futebol, Ademir da Guia. Percebe que tem uma ironia aí? Uma ironia do destino, diria Íris. O futebol me deu um corpo, um jeito de lidar com o meu corpo, e depois tomou de volta o que tinha me dado. Quando tento reaprender não só a enxergar, como a viver sem atribuir tanta importância às dores e mesmo a redefinir uma postura corporal, o futebol reaparece. Mestre Didi tem um conto, não sei se você conhece, intitulado O Filho de Oxalá que Se Chamava Dinheiro. Esse rapaz era arrogante e presunçoso, se gabava de poder andar com Ikú, a Morte, arrastando-a com ele para onde quisesse. Tenho muita vontade de escrever um conto, talvez um poema, sobre um orixá por nome Futebol, o que acha?


Trechos extraídos do livro Sonhei com o Anjo da Guarda o Resto da Noite, a ser lançado pela Editora Todavia em novembro.

Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Poeta, artista e pesquisador, publicou, entre outros livros, Sonhei com o anjo da guarda o resto da noite (Todavia)

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