CAIO BORGES_2026 (ILUSTRAÇÃO BASEADA NO DESENHO FIGURA ANATÔMICA NEPALESA, CA. 1800, DE AUTOR DESCONHECIDO. A IMAGEM ORIGINAL FAZ PARTE DA WELLCOME COLLECTION)
A contaminação
O Banco Master e a desmoralização da República
Consuelo Dieguez | Edição 233, Fevereiro 2026
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estava envolvido em atividades frenéticas na segunda-feira, 17 de novembro. Depois de reunir-se com seus advogados pela manhã, marcou uma videoconferência urgente com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, e dois superintendentes da instituição. Na conversa, que começou às 13h30 e durou quarenta minutos, Vorcaro fez uma comunicação surpreendente: o seu quebrado Master, que o BC proibira de ser vendido ao BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, havia encontrado um novo comprador. O interessado era a Fictor, uma holding de investimentos de pouca tradição no mercado que, segundo o banqueiro, se juntara a um fundo de investidores árabes dispostos a participar do negócio. Era a salvação de seu banco.
Havia apenas um senão. Para que a transação se realizasse, Vorcaro disse que precisava viajar ainda naquela noite para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para assinar o contrato. Era uma notável coincidência. No dia anterior, véspera da videoconferência, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, tomara uma decisão sigilosa no âmbito das investigações que vinham revelando uma montanha de irregularidades no Master: autorizara prender Vorcaro e três diretores do banco, confiscar seus passaportes e fazer uma operação de busca e apreensão em seus endereços. Com a decisão do juiz, a Polícia Federal começou a montar a logística da operação, que seria deflagrada na manhã de terça-feira, dia 18, tão logo fossem expedidos os mandados de prisão preventiva dos investigados.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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