Petro, no palácio presidencial: ele é ex-guerrilheiro, sofreu ameaças de morte, viveu três anos na Europa e, em 2006, foi escolhido pelos leitores do jornal El Tiempo, o maior do país, como “personagem do ano”, à frente da cantora Shakira CRÉDITO: NATHALIA ANGARITA_2026
O último Aureliano
O nacionalismo mágico de Gustavo Petro, o presidente colombiano que desafia Trump
Roberto Andrés, de Bogotá | Edição 233, Fevereiro 2026
Logo depois de invadir a Venezuela e sequestrar seu presidente, e antes de ameaçar tomar para si a Groenlândia, Donald Trump começou a fustigar a Colômbia. Afirmou que o país era governado por um “homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos – e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Disse também que uma intervenção militar no país “soava bem”. Desafiando Trump, o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que estava disposto a “pegar em armas” e convocou o povo colombiano para ir às ruas em defesa do seu país.
A disputa, que ganhou os holofotes com a grave intervenção dos Estados Unidos no continente, começara um ano antes. Na verdade, Petro foi o primeiro líder da região a polarizar com Trump em seu segundo mandato. Em janeiro de 2025, quando iniciou sua caça a imigrantes, Trump despachou dois aviões com destino à Colômbia. Neles, estavam algumas centenas de imigrantes ilegais, que o presidente americano chamou de criminosos. Mas os aviões não pousaram em Bogotá. A entrada foi barrada pelo presidente colombiano. Petro alegou que os cidadãos de seu país estavam sendo tratados como delinquentes e que os Estados Unidos não respeitavam protocolos internacionais. Depois, autorizou a entrada dos aviões, mas o recuo não impediu que se iniciasse o embate entre os dois presidentes. Um embate cuja arena, claro, foi a terra de lacração das redes sociais.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
ASSINE