CRÉDITO: LOREDANO_2026
A utopia levada a sério
O passado e o futuro do socialismo no novo livro de Fernando Haddad
Celso Rocha de Barros | Edição 233, Fevereiro 2026
Em Capitalismo superindustrial, livro que lança neste mês pela editora Zahar, Fernando Haddad tenta fazer três coisas: a) demonstrar que há vários caminhos possíveis para a modernidade capitalista, e que a trajetória de entrada de cada país no capitalismo tem consequências para seu desenvolvimento posterior; b) com base nessa ideia, oferecer uma caracterização do que foram as experiências socialistas do século XX na União Soviética e nos países que nela se inspiraram; c) oferecer uma explicação do capitalismo contemporâneo (o “superindustrial”) que revisa pontos da teoria marxista tradicional e ajuda a explicar os novos conflitos que hoje nos desafiam.
É importante sair da leitura da introdução tendo clareza sobre esses objetivos. Haddad aprofunda muitas discussões em passos intermediários de seu argumento central. Sem alguma clareza sobre o plano geral da obra, é fácil se pegar pensando: “O.k., mas o que isso tem a ver com o que eu vinha lendo até agora?” Não é sempre um problema estilístico, mas um traço comum em estudos acadêmicos, em que cada ponto do argumento precisa ser exaustivamente embasado. E boa parte do livro foi extraída de trabalhos acadêmicos: suas teses de mestrado, em que discutiu a natureza das sociedades de tipo soviético, e seu doutorado, em que propôs um debate entre as teorias de Karl Marx e Jürgen Habermas (dando mais razão para o alemão mais velho). Há também capítulos que o ministro da Fazenda escreveu especialmente para o livro, que ajudam a atualizar a discussão e amarrar melhor os argumentos.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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