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    A dança dos magistrados: a desmoralização das instituições, a começar pela mais alta corte do país, é o caminho mais eficaz para pavimentar a volta da extrema direita ao poder CRÉDITO: ALLAN SIEBER_2026

questões vultosas

Togados do Tayayá

Uma aula prática do patrimonialismo brasileiro

Fernando de Barros e Silva | Edição 233, Fevereiro 2026

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Em Terra Brasilis, o fato político mais relevante (e mais preocupante) deste início de 2026 é a decomposição da imagem do Supremo Tribunal Federal. Não se trata de um simples “desgaste”, mais um, entre tantos na história do tribunal, nem de uma crise passageira, como outras que já vimos. Não se trata tampouco, não mais, de encontrar uma “saída honrosa” para o rolo monumental que envolve o ministro José Antonio Dias Toffoli e o escândalo do Banco Master.

Sorteado para cuidar do caso, ele tomou uma série de decisões injustificáveis, ou só explicáveis à luz dos interesses dos investigados (os já conhecidos e os que continuam surgindo dos bueiros da República). Para piorar, fora das quatro linhas da Corte, o comportamento do ministro não o ajudou. Primeiro, ele foi flagrado no jatinho que o levou a Lima para ver a final da Libertadores. A aeronave, do empresário Luiz Osvaldo Pastore (guardemos este nome), também levava a bordo o advogado Augusto de Arruda Botelho, àquela altura já contratado por um diretor graúdo do banco.

Descobriu-se depois que a família Toffoli e um dos principais personagens do escândalo Master haviam feito negócios milionários. Cunhado de Daniel Vorcaro, o dublê de empresário e pastor Fabiano Zettel comprou em 2021 uma parte da fatia que os dois irmãos de Tof­foli possuíam do Tayayá Aqua Resort. O empreendimento, agora em evidência, fica em Ribeirão Claro, no Paraná, às margens da Represa Chavantes. A região é conhecida como Angra Do­ce, uma espécie de genérico de Angra dos Reis, onde gente mais rica que os Toffoli costuma se refugiar do Brasil.

 

Zettel, que chegou a ser preso pela Polícia Federal quando embarcava no Aeroporto de Guarulhos para Dubai, nos Emirados Árabes (ah, os clichês), pagou aos irmãos Toffoli 6,6 milhões de reais usando fundos da gestora Reag, recentemente liquidada pelo Banco Central (ah, as coincidências).

Quando o negócio foi feito, um dos proprietários do Tayayá era José Eugênio, engenheiro eletricista, morador de Marília, terra natal da família Toffoli, no interior paulista. O outro proprietário era José Carlos, conhecido na cidade como padre Carlão. Por que diabos padre Carlão e seu irmão engenheiro foram se aventurar no ramo hoteleiro é algo difícil de entender. Eis o mistério da fé no empreendedorismo.

O que se sabe é que o mais renomado dos irmãos, José Antonio, gostava muito de frequentar o Tayayá. Os gastos com seguranças de Toffoli  deslocados para a região do resort indicam isso. Entre janeiro de 2022 e novembro do ano passado, chegaram perto de meio milhão de reais.

 

Pode-se perguntar o que faz um segurança do STF no Tayayá, além de proteger o ministro dos demais hóspedes. Seja como for, uma mulher não identificada, provavelmente hospedada no resort, furou a blindagem e flagrou uma cena inusitada com seu celular. O registro, segundo o portal de notícias Metrópoles, é do dia 25 de janeiro de 2023. Era uma quarta-feira. O Supremo estava em recesso (e em obras, já que duas semanas e meia antes, em 8 de janeiro, suas instalações haviam sido destruídas por uma horda de golpistas).

No Tayayá o dia estava ensolarado. De costas para a câmera, Toffoli está em pé, com as mãos para trás, numa área entre a piscina e o gramado que se estende até o heliponto. Fazendo as vezes de anfitrião, de camiseta azul-marinho, bermuda creme e óculos escuros, o ministro observa o pouso de um helicóptero, com a visão da represa ao fundo.

Descem da aeronave dois homens e duas mulheres. Um deles é Luiz Pastore, o mesmo empresário que levaria Toffoli até Lima no seu jatinho, quase três anos depois. O outro é o banqueiro André Esteves, sócio do BTG Pactual e dono do helicóptero flagrado pela gravação. O ministro os cumprimenta efusivamente, chega a dar um beijo no rosto de Pastore. Minutos depois, aparece conversando na área da piscina com Esteves, ambos com drinques na mão.

 

Ninguém espera que Dias Toffoli se comporte como Pepe Mujica. Mas vê-lo com ares de proprietário em dia de lazer, recepcionando naquelas condições a turma do dinheiro grosso, gente que por definição tem grandes interesses transitando pelos gabinetes do STF, equivale a uma aula prática do funcionamento ordinário do patrimonialismo brasileiro.

A sequência me levou, por associação livre, à cena de abertura de um dos grandes romances de Machado de Assis, Quincas Borba, de 1891. Cito o primeiro parágrafo, uma obra-prima:

Rubião fitava a enseada – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

 

Por reunir em torno de si esses ingredientes mundanos, Dias Toffoli atraiu a maior parte das críticas dirigidas ao Supremo. Sim, ele merece. Mas os fatos escandalosos envolvendo o Master e o tribunal extrapolam a figura do relator. Há outros personagens implicados na vorcarização do STF. O ex-ministro Ricardo Lewandowski é um deles. O ministro Alexandre de Moraes é outro. E Gilmar Mendes – bem, Gilmar Mendes é o decano da cavalaria. Seria ousado propor uma definição deste ministro que pudesse rivalizar com as palavras definitivas que Luís Roberto Barroso lhe dirigiu no plenário da Corte, ainda em 2018: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia.”

Mas cuidemos de Lewandowski, personagem mediano demais para inspirar elogios superlativos, como este que Barroso dedicou ao antigo colega. Sabíamos que ele havia feito um pit stop no banco de Daniel Vorcaro entre a sua saída do STF, em abril de 2023, e sua chegada no Ministério da Justiça de Lula, em janeiro de 2024. Lewandowski faria parte de um tal “comitê estratégico” do Master, na condição de conselheiro. Humm… (O leitor ou a leitora pode imaginar aqui aquele emoji com a mãozinha no queixo e expressão de dúvida.)

Mas quase tudo na vida tem explicação. E soubemos recentemente, também por meio do Metrópoles, que o Lewandowski Advogados firmou em agosto de 2023, quando o ex-ministro do Supremo passou a integrar o “comitê estratégico”, um contrato com o banco, pelo qual passou a receber mensalmente 250 mil reais. O serviço? “Consultoria institucional.”

Quando convocado por Lula para comandar a pasta da Justiça, Lewandowski pai transferiu a Lewandowski filho (o nome dele é Enrique) a tarefa de continuar colaborando com a obra de Daniel Vorcaro. O escritório da família passou então a prestar consultoria ao banco sobre “assuntos fiscais e tributários”, a especialidade do garoto, pelos mesmos 250 mil mensais. O dinheiro só parou de pingar em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Master pelo Banco Central. Ao todo, Vorcaro pagou 6,5 milhões de reais pelos serviços advocatícios da família Lewandowski.

Sim, um escárnio, mas coisa pouca, se comparada ao que o mesmo Vorcaro se propôs a pagar ao escritório de Viviane Barci de Moraes – 129 milhões de reais ao longo de três anos. O negócio, chamemos assim, foi fechado em janeiro de 2024. E interrompido em outubro de 2025, o mês anterior à liquidação do Master. Depois de ter revelado os termos do contrato, o jornal O Globo também revelou que Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do Master. Os dois admitiram ter conversado, mas disseram que a prosa se deu em torno da Lei Magnitsky, que Trump havia aplicado contra o ministro. Ah, que alívio.

Se Vorcaro cumpriu com seus compromissos perante a banca da doutora Barci de Moraes, onde também trabalham os filhos do casal, ele terá desembolsado 79 milhões – 3,6 milhões de reais a cada mês. Lewandowski tem razões para se sentir diminuído.

Apesar de todas as evidências (entre elas o próprio contrato), vozes na esquerda, sobretudo ligadas ao mundo jurídico e ao jornalismo governista, saíram ruidosamente em defesa de Moraes. Muitos se levantaram contra a imprensa evocando a memória da Operação Lava Jato, como se estivéssemos diante de um repeteco para desestabilizar a democracia. Trata-se de uma falácia. Se há algo em curso neste momento, não é a gestação de uma nova Lava Jato, mas o risco de vorcarização do país, com Supremo, com tudo.

Nunca será demais reconhecer a importância histórica da condenação do ex-presidente e de um punhado de generais por tentativa de golpe de Estado. A despeito disso, a percepção de que ministros transitam para lá e para cá com a elite financeira do país e se valem do STF para extrair vantagens eventualmente escusas serve para reanimar as viúvas e mobilizar os herdeiros de Bolsonaro. A desmoralização das instituições, a começar pela Corte Constitucional do país, é o caminho mais eficaz para pavimentar a volta da extrema direita ao poder.

Que se pense, por exemplo, naquele 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro escalou em sua cruzada golpista, ofendendo e desafiando o ministro: “Sai, Alexandre de Moraes, deixe de ser canalha!” Goste-se ou não – e a gente não gosta –, é inegável que a frase ganhou uma nova camada de sentido e rejuvenesceu à luz dos fatos recentes.

Não será escondendo a sujeira da Corte sob o tapete que o país defenderá a democracia de seus inimigos. Se isso prosperar, que respaldo político terá uma figura respeitável como Flávio Dino para seguir atuando na elucidação e no desmonte da roubalheira do orçamento secreto? Quem são, neste momento, os aliados da República dentro do tribunal?

Gilmar Mendes? Só se for a República do Tayayá. No final de janeiro, ele foi às redes sociais para defender o colega: “O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições.” Acrescentou ao blá-blá-blá que a Procuradoria-Geral da República havia reconhecido “a regularidade de sua permanência no caso”, referindo-se à decisão de Paulo Gonet, que mandou arquivar um pedido para afastar Toffoli da relatoria. O mesmo Gonet já havia arquivado, no final de 2025, um pedido para investigar Moraes e Viviane Barci no caso do Master. A operação abafa é organizada.

O presidente da Corte, Edson Fachin, não parece ter força nem disposição para enfrentá-la. Criou-se grande expectativa sobre o posicionamento do ministro a respeito do caso. Quando, enfim, ele publicou sua nota oficial, em 22 de janeiro, muita gente saiu atrás de identificar os recados que ela continha nas entrelinhas. Era uma forma, ainda que involuntária, de admitir que não havia muita coisa nas linhas. E o que havia não era bom.

Entre platitudes e omissões, Fachin respaldou Toffoli e disse que “quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia”, como se o problema, desta vez, viesse de fora, e não tivesse sido criado dentro de casa, pelo comportamento reiterado de certos marmanjos de toga.

Depois de frustrar quem esperava dele um gesto claro contra a esbórnia no tribunal, Fachin concedeu uma entrevista ao Estadão. Voltou à necessidade de criação de um código de conduta para os magistrados, mas ressalvou que o assunto deve ser enfrentado “sem filhofobia”, lembrando que ele próprio é pai de uma advogada.

Ninguém de boa-fé pode ser contra um manual de normas e procedimentos para que as pessoas que zelam pela Constituição ajam de modo decente, segundo critérios republicanos. Mas Fachin dá a impressão de que está empenhadíssimo em mudar a decoração da sala de uma casa que está pegando fogo. A ideia do código soa, além disso, algo infantilizante, como se fosse preciso dizer aos meninos que não pode passear de aviãozinho particular em má companhia, não pode brincar de ministro da Justiça de dia e de consultor de banco à noite etc. etc. etc.

Para que não se diga que a imprensa só quer saber de propagar o caos, fica aqui uma pequena sugestão para o novo manual de conduta do STF: daqui em diante, o Gilmarpalooza se realizará em solo pátrio e passará a ser chamado de Fórum Jurídico de Tayayá. Em nome da austeridade, os jatinhos estão banidos e os convidados devem se dirigir ao local apenas de helicóptero. E vinho, só nacional. Tim-tim.

Fernando de Barros e Silva
Fernando de Barros e Silva

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