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Grita IHUU ou refaz o L?

Um país entre a direita que uiva e a esquerda cansada

Fernando de Barros e Silva | Edição 226, Julho 2025

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A cena se deu em Presidente Prudente, cidade do extremo Oeste paulista, durante a Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne). No palanque, ao lado de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas grita Brasil, e aponta o microfone na direção da plateia, que complementa – acima de tudo. Deus, prossegue o governador, repetindo o gesto, e o público emenda – acima de todos. A coreografia parecia completa, mas não para Bolsonaro. Como gesto final, o ex-presidente pede a Tarcísio que arremate com um ihuuu. “Eu, fazer ihuuu? Tem direito autoral, presidente’’, reage o governador, sorrindo sem jeito. Bolsonaro então toma o microfone nas mãos, grita ihuuu e coloca o instrumento na boca de Tarcísio, que repete: ihuuu! Agora, sim, a coreografia estava completa. Um manda e o outro obedece.

O ihuu é um bordão comum em rodeios. O peão sobre o cavalo grita ihuu como forma de extravasar sua euforia. Ou de afirmar sua virilidade. Ou algo assim, tanto faz. O fato é que Bolsonaro incorporou o “agrouivo” a seu repertório rudimentar de gestos, palavras e grunhidos. Temos a arminha com os dedos, o taoquei, o selva!, o e daí? – e o ihuu.

Em Prudente, num evento dedicado à carne, estavam todos em casa. Em 2022, Bolsonaro teve 68% dos votos na cidade, contra 32% de Lula. O que seria um compromisso oficial de Tarcísio se converteu num ato de desagravo ao ex-chefe. Em seu discurso, o governador disse que a missão de Bolsonaro ainda não terminou: “O senhor ainda vai contribuir muito para o Brasil, o senhor vai fazer a diferença.”

 

Nas palavras do governador, Jair mostrou ao país “como a seriedade, como o zelo, são importantes”. Disse também que ele entregou ao sucessor “o Brasil que nos permitiu sonhar”. Ao registrar essas passagens, a reportagem da Folha de S.Paulo lembrou de uma live que Bolsonaro fez em março de 2021, acompanhado pelo mesmo Tarcísio, então ministro da Infraestrutura, na qual os dois dão risada ao comentar uma notícia que registrava o aumento do número de suicídios no país. Bolsonaro se gabava na ocasião de ter dito um ano antes, em março de 2020, em sua cruzada contra o isolamento social, que muitas pessoas confinadas em casa entrariam em  depressão e iriam se matar.

A comparação entre as duas cenas é didática. Em 2021, Bolsonaro era o chefe de Tarcísio, mandava e desmandava na República. Agora, Tarcísio governa o estado mais poderoso do país e é o nome preferido do PIB para a Presidência, enquanto Bolsonaro, inelegível, caminha para ser condenado e preso. As coisas mudaram, mas a devoção subalterna de Tarcísio, estampada no sorriso vassalo diante de seu líder, permaneceu intacta. No primeiro caso, o ministro endossava sorrindo o presidente negacionista. No segundo caso, o governador se curva sorrindo ao ex-presidente golpista.

Tarcísio já vestiu o boné do Maga em homenagem a Trump, já se enrolou na bandeira de Israel em apoio ao facinoroso Netanyahu, já subiu em palanque e discursou pela anistia dos imperdoáveis, já se submeteu ao ihuu. Bolsonaro, no entanto, deixa cada vez mais claro que seu apoio à pretensão presidencial do ex-ministro vai custar mais caro. A entrevista de Flávio Bolsonaro à Folha, na qual ele – um senador da República – diz que a adesão de seu pai a qualquer candidato dependerá do compromisso que este venha a assumir com a libertação de Bolsonaro, usando inclusive a força contra o stf, se necessário – uma espécie de bula do golpista aprendiz –,  foi entendida como um recado direto do clã a Tarcísio.

 

Parece, portanto, bastante claro que o futuro da democracia brasileira estará no centro da disputa de 2026. Sim e não. Sim, porque nenhum dos possíveis adversários de Lula tem chances reais de chegar ao segundo turno sem o apoio de Bolsonaro – e todos sabem o que isso significa. Não, porque a defesa de democracia é um tema que perdeu relevância na lista de preocupações da população. Ou porque as pessoas acham que sem o nome de Jair Bolsonaro na urna este é um assunto superado, ou porque as pessoas consideram que essa coisa – a democracia – é muito abstrata e está distante de suas aflições reais, ou porque as pessoas (no caso, os bolsonaristas) consideram que a verdadeira democracia é aquela defendida por Jair, o único capaz de enfrentar o sistema etc. etc. etc.

 

Os ventos da história estão soprando para a direita, sabemos. Em sua visita à França, no início do mês passado, durante um discurso para a comunidade brasileira que vive em Paris, Lula disse: “Às vezes, parece que eu estou andando numa escada rolante contrária ao lugar que eu quero ir. Eu nunca chego no lugar que eu quero ir.” Em seguida, usou outra metáfora, dizendo que se sente como se estivesse “enxugando gelo”. São imagens eloquentes para o sentimento de impotência e de frustração que o petista experimenta em seu terceiro mandato.

Esse sentimento reapareceu na longa entrevista do presidente ao podcast Mano a Mano, apresentado por Mano Brown e a jornalista Semayat Oliveira, que entrou no ar em 19 de junho. Durante mais de duas horas, Lula falou com franqueza bastante incomum e parecia estar à vontade, mas em nenhum momento se mostrou satisfeito ou confortável. Pelo contrário, a tônica da conversa, se tivermos que elegê-la, ficou com o inconformismo do entrevistado diante do fato de que o mundo mudou – e para pior.

 

Lula começou dizendo que a extrema direita é uma ameaça planetária. Criticou as redes sociais, onde a mentira prospera livremente, lamentou que parte expressiva do Orçamento da União esteja nas mãos de um Congresso amplamente dominado pela direita e disse que o governo consome muito de seus esforços para reconstruir políticas públicas ou estruturas de Estado que foram desmontadas por Bolsonaro. Fez questão de dizer que as condições políticas atuais são muito distintas daquelas de 2010, quando “a gente vivia um momento de euforia neste país”. Naquele ano, Lula deixou o governo aclamado, com mais de 80% de aprovação.

No mês passado, a popularidade do presidente atingiu seus níveis mais baixos. A Quaest registrou que a desaprovação ao governo chegou a 57% (contra 40% que o aprovam) e o Ipec mostrou que 43% avaliam a gestão como ruim ou péssima, contra 25% que a consideram boa ou ótima. Em determinado momento da entrevista, Lula disse: “Quando você governa, você não faz só o que você quer, você faz o que pode fazer.” Mais adiante, disse o seguinte: “É tudo muito difícil. O que nós estamos fazendo neste país é um milagre, um milagre.” São duas maneiras – uma resignada e a outra heroica – de vocalizar sua frustração.

Mas Lula, apesar de tudo, permanece no jogo. À turma do ihuu, ele diz: “Eles podem procurar o candidato que eles quiserem. Se eu for candidato, é para ganhar as eleições.” O uso do condicional – “se eu for” – parece mais um efeito retórico do que uma dúvida sincera. Fica evidente, ao longo da entrevista, que Lula não tem plano alternativo. Não preparou ninguém, não deixou ninguém se sobressair entre os seus. Se as condições de saúde o impedirem de concorrer, o PT terá de improvisar. Por enquanto, mesmo com a popularidade em baixa, Lula segue sendo competitivo.

O horizonte de seu governo é o da redução de danos, e ele sabe disso. Preservar como dá os direitos sociais, o meio ambiente, a democracia. Lula acredita que pode comunicar melhor o que já fez e aposta sobretudo num conjunto de programas sociais à primeira vista pouco ambicioso. Além da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil, ele promete gás de cozinha de graça para os mais pobres, crédito para os entregadores comprarem sua moto e dinheiro barato para quem deseja reformar seu imóvel. Construir um banheiro, um quarto novo, essa talvez seja a melhor metáfora para o que é possível fazer em tempos tão adversos. Mas é preciso convencer as pessoas de que o projeto do outro lado é implodir a casa e decretar o cada um por si e Deus contra todos. Ihuuu!

Fernando de Barros e Silva
Fernando de Barros e Silva

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