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O lobista que construiu uma rede de influência no STJ

    CRÉDITO: REINALDO FIGUEIREDO_2025

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O lobista que construiu uma rede de influência no STJ

Como um advogado com registro irregular da OAB e uma empresa de fachada penetrou nos gabinetes da segunda corte mais importante do país

| 06 nov 2025_14h56
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Durante dois anos, Andreson de Oliveira Gonçalves circulou por Brasília e Cuiabá apresentando-se como advogado. Usava uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Pará, obtida de forma fraudulenta e, em 2020, anulada. Na prática, era um lobista, corretor de decisões judiciais. Nas palavras do ministro Cristiano Zanin, do STF, relator do caso, Gonçalves era o articulador de um “verdadeiro comércio de decisões judiciais” no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A partir da cidade de Primavera do Leste, no interior de Mato Grosso, até a segunda corte de justiça mais importante do país, Gonçalves montou um império informal de influência. Com a empresa Florais Transportes, movimentou uma fortuna em propinas. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ele e seus sócios realizaram centenas de transações suspeitas, envolvendo mais de 1,5 mil pessoas físicas e jurídicas e movimentando 2,8 bilhões de reais, informa Breno Pires na edição deste mês da piauí

Em mensagens interceptadas pela PF, o lobista se gabava de ter acesso antecipado a minutas de votos e decisões. Um dos seus principais contatos, Márcio José Toledo Pinto, trabalhou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti, do STJ. Uma empresa em nome da esposa de Toledo Pinto recebeu 4 milhões de reais da Florais Transportes. Havia um detalhe: tanto a empresa do servidor público quanto a de Gonçalves tinham o mesmo contador.

Os esquemas de Gonçalves misturavam influência real e influência fabricada. Parte das decisões era, de fato, manipulada por servidores corrompidos; outras eram falsificadas para extorquir clientes. Em conversas obtidas pela PF, Gonçalves e sua mulher, a advogada Mirian Ribeiro, celebravam vitórias antes da publicação das decisões ou se vangloriavam de “virar o jogo” em ações milionárias.

 Preso preventivamente desde novembro de 2024 e atualmente em prisão domiciliar por questões de saúde, Gonçalves iniciou em abril passado a negociação de um acordo de colaboração premiada, que, segundo a piauí apurou, foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin. Mas tudo foi por água abaixo.

A PF, porém, segue os rastros do seu celular. O conteúdo do aparelho – recuperado nos Estados Unidos com ajuda da Meta, a dona do WhatsApp – pode revelar a parte mais sensível do esquema: quem foram os beneficiários políticos e empresariais do comércio de decisões judiciais que vinha transformando gabinetes do STJ em balcões de negócios.

  Os indícios reunidos até agora pela PF colocam sob suspeita servidores que trabalham em onze gabinetes de ministros do STJ.

Assinantes da revista podem ler a íntegra da reportagem neste link

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