Os novos tentáculos do Master e os novos baianos de Lula
Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
“Alta tensão”, reportagem de Consuelo Dieguez para a piauí.
“A erosão da república”, artigo de Fernando de Barros e Silva para a piauí.
“Babado fortíssimo: ‘O primeiro trecho do Rodoanel Norte'”, reportagem de João Batista Jr para a piauí.
“Irmãos de Toffoli venderam fatia milionária em resort a fundo de gestora investigada no caso Master”, reportagem de Jenne Andrade, Luiz Vassallo e Pedro Augusto Figueiredo para o Estadão.
“Master: investigação apura empréstimo do banco, transações relâmpagos de fundos da Reag e rentabilidade de 10.502.205%”, reportagem de Fabio Graner e Thiago Bronzatto para O Globo.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO
Sonora: Rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.
Sonora: O caso inspira muito cuidado. Nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!
Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Sonora: O Banco Central disse que era muito importante que o TCU fizesse a inspeção. Nós tivemos do Banco Central as portas inteiramente abertas.
Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.
Sonora: O que importa é que eu vou continuar aqui defendendo as bandeiras que há poucos anos atrás o Brasil viu que são as bandeiras que vão levar o Brasil para o caminho da prosperidade.
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira. Vamos, sem mais delongas aos assuntos da semana. A gente abre o programa com os novos capítulos do escândalo do Banco Master, este que o ministro Fernando Haddad diz se tratar muito possivelmente da maior fraude bancária da história do país. A Polícia Federal realizou nesta semana a segunda fase da chamada Operação Compliance Zero. Foram 42 mandados de busca e apreensão. Bloqueio de mais de 5,7 bilhões de reais. Apreensão de 39 celulares, 31 computadores, 23 carros avaliados em 16 milhões de reais, 640 mil em espécie e mais 30 armas. A imagem lembrava até a das armas apreendidas no Complexo do Alemão, mas dessa vez ninguém morreu. A investigação avançou sobre o entorno familiar de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Um dos personagens centrais é o seu cunhado Fabiano Zettel, o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Zettel chegou a ser detido no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando ia embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes. Dublê de pastor e empresário, ele é considerado peça-chave para se entender o destino do dinheiro desviado no esquema bilionário do Master. O empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag, que acaba de ser liquidada pelo Banco Central, também estavam entre os alvos das buscas da PF. A Ana Clara vai explicar para gente porque eles são tão importantes. Paralelamente a isso, ou ao mesmo tempo, o ministro Dias Toffoli, responsável pelo caso Master no Supremo, aprontou ou continuou aprontando na última semana. Os movimentos de Toffoli, desde a carona no aviãozinho ao lado de um dos advogados do Master no ano passado, têm sido sistematicamente incompatíveis com o interesse público, os valores republicanos e até com decoro que se exige de um ministro da Suprema Corte. A gente está diante de uma baita enrascada político institucional e tem muita gente de rabo preso nessa história. Os dois primeiros blocos do programa vão ser destinados a isso. No terceiro bloco, a gente vai falar da corrida presidencial e das mudanças ministeriais neste último ano do governo Lula. A genial Quaest publicada nesta semana, mostra Lula na liderança da disputa, vencendo todos os virtuais adversários testado num eventual segundo turno, mas com a distância apertada. Tarcísio de Freitas segue figurando como o nome mais competitivo da direita, mas sua candidatura ainda é uma incógnita. Ele já apareceu mais presidenciável do que se mostra hoje, mas seria precipitado descartá-lo da disputa por enquanto. Flávio Bolsonaro, que se lançou há pouco mais de um mês com o aval do pai, vai se firmando como candidato entre um e outro soluço. E por falar nele, Bolsonaro foi transferido para a Papudinha por determinação de Alexandre de Moraes. Papudinha é o Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal e ganhou esse apelido carinhoso por ficar ao lado da Papuda. Agora, de casa nova, Bolsonaro vai poder jogar dominó com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. No governo, Ricardo Lewandowski, deixou o Ministério da Justiça e foi substituído pelo advogado geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva. Wellington é ligado ao PT da Bahia e foi indicado procurador geral de Justiça no Estado pelo ex-governador Jaques Wagner. A Ana Clara vai explicar para gente o significado político disso, que tem a ver com o destino ainda incerto de Fernando Haddad, que deixa ainda este mês a Fazenda e já disse que não quer ser candidato a nada. Haddad gostaria de coordenar o programa de governo do quarto mandato de Lula. A gente vai ver se ele consegue isso ou se Lula tem outros planos para o seu pupilo. É isso. Vem com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, temos muito assunto. Vamos começar com você. Esse… Não é nem novela do caso Master. Esse novelo tem um monte de fio para puxar. Eu acho que a gente pode começar falando da operação da Polícia Federal, a segunda fase dessa operação, da busca e apreensão que foi feita essa semana e daí derivamos para as artes do ministro Dias Toffoli.
Ana Clara Costa: Bom, Fernando, é um novelo com cara de thriller, né? De certa forma, porque…
Fernando de Barros e Silva: Sim. Para desafiar os roteiristas.
Ana Clara Costa: Exato. Conforme as coisas vão avançando, o negócio vai ficando mais perigoso. Bom, essa talvez seja a grande história política que a gente teve no Brasil depois do golpe. Se a gente for falar em relevância, né, porque ela envolve vários setores do poder. Conforme a investigação vai avançando, a gente vai vendo que tem mais setores do poder envolvidos a cada momento, e isso está resultando em ataques a órgãos que investigam os órgãos que fazem a contenção desse…
Fernando de Barros e Silva: A saber, o Banco Central e a Polícia Federal, basicamente.
Ana Clara Costa: Bom, nessa operação que houve essa semana, houve a apreensão de dois telefones de personagens que são fundamentais para essa história o Fabiano Zettel, cunhado do Daniel, e o Nelson Tanure, que é um empresário conhecidíssimo entre o PIB e que tem uma fama muito ruim. Ele tem uma fama de comprar empresas em situação ruim e sugar até a última gota dessas empresas até que elas virem nada. E no final da história, ele sempre acaba passando a perna em alguém.
Fernando de Barros e Silva: É um bom resumo da biografia, sucinta biografia de Nelson Tanure: ele pega uma coisa podre, espreme o bagaço, sai por cima e deixa o lixo para trás. Vai tocando devagar.
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: É um bom resumo também da história do Brasil, da elite brasileira. Como ela vai se comportando ao longo dos anos.
Ana Clara Costa: E como que o Banco Master se alinhou aos interesses do Tanure, né? Porque essas empresas em situação ruim que ele comprava, o Banco Master acabava criando fundos para investir nessas empresas, esses fundos que davam rentabilidades muito acima da média. Então, assim, muita gente se questionava no mercado que estranho um fundo que investe na empresa X, Y, Z. Todas elas extremamente abatidas e dar esse retorno. Que estranho, né? Era isso que eles pensavam e só pensavam porque alguns anos se passaram e em que isso seguia acontecendo, né? Mas enfim, também assim… Tem uma suspeita de que o próprio Tanure seja um dos donos do Master, porque houve em determinado momento, uma exigência do Banco Central para que os donos do Master aumentassem o seu capital. E quem fez esse aumento de capital em nome dos sócios do Master, que era o Daniel Vorcaro, o Augusto Lima, enfim, os sócios conhecidos. Quem fez esse aumento de capital foi uma empresa cuja dona era uma empresa, uma outra empresa, que pertencia ao Tanure. Então, no fim das contas, especulava-se com base nessa informação capital, que o Tanure poderia ser um dos donos do Banco Master. E talvez a gente descubra isso por meio do que se encontrar no celular dele. Bom, esses dois telefones são muito importantes para investigação. O do Tanure, por razões que eu acabei de falar. E o Fabiano Zettel é o cara mais próximo que existe do Vorcaro. Ele é casado com a irmã dele, Natália, enfim, é um cara super ligado à Igreja Lagoinha, foi pastor, foi o maior doador de campanha do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022 e ele é visto como um dos principais operadores do Vorcaro. Então o Vorcaro pessoalmente não fez nenhuma doação, mas o cunhado dele fez doações vultosas, então possibilidade de ele ser a mão aparente de algumas atividades do Daniel é uma possibilidade grande.
Fernando de Barros e Silva: E ele tem um shape de leão de chácara de boate da Boca do Lixo com lutador de jiu jitsu, né? E é pastor. E ele.
Celso Rocha de Barros: Ele não podia ter ficado só no lutador de jiu jitsu. Ele teve que enfiar o leão de chácara.
Fernando de Barros e Silva: Vamos tratar só do que vai dentro da cabeça deste corpanzil. Vamos lá.
Ana Clara Costa: Agora, essa operação que aprendeu esses aparelhos sem querer também acabou revelando outras coisas importantes. Essas buscas e apreensões foram pedidas pela PF ao STF, que tais caso está tramitando no STF, como a gente sabe. E quem autorizou essa fase da operação foi o ministro relator Dias Toffoli, que é o mesmo que vem tomando atitudes contra a transparência desse caso. Ele é o mesmo que criou aquela acareação absurda entre o diretor do Banco Central e os caras do Master colocando o Banco Central no mesmo patamar de quem deve explicações, sendo que o Banco Central estava meramente liquidando um banco quebrado.
Fernando de Barros e Silva: Ele recuou no final. Na véspera do negócio, ele recuou, mas.
Ana Clara Costa: Ele recuou da acareação.
Fernando de Barros e Silva: Acareação.
Ana Clara Costa: Por que o que é que acontece? Você, para você fazer a acareação, você precisa ter as versões divergentes. E eles não tinham depoimento de ninguém para ter visões divergentes. Então o Toffoli pediu para que os depoimentos fossem feitos antes da acareação e depois a acareação. Ou seja, se ele pediu a acareação, ele pediu com base em quê? Se não havia depoimentos divergentes. E aí os depoimentos foram colhidos, mas aí ele acabou liberando o diretor do Banco Central da acareação, porque as perguntas que seriam feitas ao diretor do Banco Central eram perguntas inquisidoras, como se ele tivesse feito alguma coisa errada. O vazamento dessas perguntas acabou constrangendo ali o gabinete dele e ele acabou liberando o diretor. Na decisão que o Toffoli autoriza essas buscas, ele coloca o trabalho da Polícia Federal em xeque. Ele disse que ele autorizou essa operação na primeira semana do ano e a polícia só foi cumpri-la agora, no dia 14. Bom, o ministro relator tá no papel dele de questionar o cumprimento de prazos, né? E ele escolheu fazer esse questionamento nos autos, inevitavelmente criando um ruído ali com a Polícia Federal. E quando ele faz isso publicamente, ele está sugerindo, no mínimo, que a Polícia Federal foi relapsa ou negligente com o caso.
Fernando de Barros e Silva: Ou, pior, sugerindo pior que que a Polícia esperou para dar publicidade, para avisar os alvos.
Ana Clara Costa: Exato. Ele abre um flanco para vários questionamentos.
Fernando de Barros e Silva: É isso que está no horizonte da fala dele: que a polícia poderia estar mancomunada com os investigados.
Ana Clara Costa: Exato. E ele fala isso se colocando como alguém extremamente interessado com que a operação seja feita da melhor forma possível. E o histórico dele é um pouco incoerente se a gente confrontar as atitudes dele, desde a decretação de sigilo, a acareação e tal, né? O que ele vem construindo ao longo das semanas não é a percepção de que ele está interessado em investigar de verdade. E aí, ao fazer essa…
Fernando de Barros e Silva: Ao dar publicidade para isso, ele abriu o sigilo desse trecho da decisão dele. Ele tornou pública a crítica que ele fez à PF, que poderia ser uma crítica interna.
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Ao fazer isso, ele acaba se colocando como a parte que está interessada na boa condução da investigação. O que, enfim. Vocês têm que reparar que essa névoa de desconfiança que ele deposita sobre o trabalho da PF, por coincidência, é parecida com a desconfiança que foi depositada sobre o Banco Central. E até a questão temporal é parecida. O Banco Central demorou para agir. Essa era critica. Agora a PF demorou para agir, a PF demorou para fazer a operação, então isso está bem alinhado com a etapa anterior, que era a etapa de ataque ao Banco Central. E a gente já falou aqui no Foro que o descrédito é o cerne da estratégia de defesa do Vorcaro. Porque a estratégia não é dizer que o caro não fez nada, a estratégia é construir uma narrativa de que talvez os órgãos que investiguem não sejam tão sérios assim e isso contamina a investigação. Isso abre flanco para recurso, para ficar empurrando o processo por anos a fio. E aí você briga no órgão, você briga no outro órgão e no final tudo vira um processo administrativo na CVM, entendeu? E que a punição é ficar dois anos sem operar no mercado, né? E é isso que eles querem.
Fernando de Barros e Silva: Você cava ilegalidades e elas dão ocasião para nulidade do processo. Isso que acontece é um clássico na história da…
Ana Clara Costa: Clássico. A gente nunca viu, né?
Celso Rocha de Barros: Exato.
Fernando de Barros e Silva: A operação era Castelo de areia, não era isso?
Celso Rocha de Barros: Castelo de Areia.
Ana Clara Costa: Daniel Dantas.
Fernando de Barros e Silva: Castelo de Areia. Antes do petrolão, era operação que pegava todo mundo também.
Celso Rocha de Barros: A operação que pegaria o cartel das empreiteiras antes…
Fernando de Barros e Silva: Exato. E ela foi. Foi derrubada por nulidade, né?
Celso Rocha de Barros: E antes da questão até do castelo de areia, se vocês lerem o livro da Malu sobre a história da Odebrecht, o Bisol, que foi o vice do Lula em 89, como senador, ele trabalhava na CPI, pegou o cartel das empreiteiras, pegou o documento que provava a essência, o cartel das empreiteiras. Os caras do Congresso surtaram para cima dele. E aí a Odebrecht aproveitou que ele cometeu um erro na exposição dele e destruiu a imagem pública dele. Ele teve que abandonar tudo.
Ana Clara Costa: Era aquela CPI do João Alves.
Celso Rocha de Barros: Eu acho que era… Dos anões do orçamento.
Ana Clara Costa: Dos anões do orçamento – que eu não me lembro.
Fernando de Barros e Silva: Enfim, gente.
Sonora: A Ana Clara tava lá no jardim de infância.
Fernando de Barros e Silva: Daqui a pouco nós vamos estar falando quando o Pedro Álvares Cabral chegou, a nulidade do descobrimento.
Ana Clara Costa: Bom, mas gente, o fato é que assim é isso que eles querem. E o Vorcaro é jovem né? É um cara de 40 e poucos anos, então daqui a pouco ele volta, entendeu? Abrindo o banco Blaster, entendeu? Não, eu tô brincando. Mas é sério. É sério. Porque o Banco Máxima era de onde vem o Banco Master. Fazia as mesmas picaretagens, usava dinheiro de fundo de pensão para aplicar em ativo totalmente quebrado. Obviamente que num patamar muito menor, mas até com as mesmas pessoas envolvidas. A Reag, essa gestora que foi liquidada pelo Banco Central essa semana, esse João Carlos Mansur, que era o dono dessa Reag. Ele tava envolvido até no mesmo tipo de atuação do banco Máxima, que é o que deu origem ao Banco Master. Então assim, essa gente está junta faz tempo, fazendo coisas parecidas, só que hoje numa escala enfim, monstruosa, né? E tudo isso, inclusive, está na reportagem da Consuelo, na piauí de outubro de 2024. Tá tudo lá, Reag, Tanure, Zettel. Enfim.
Fernando de Barros e Silva: Foi a primeira reportagem antes do escândalo eclodir.
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Bem antes.
Ana Clara Costa: Agora, a Polícia Federal, ela explicou nos autos porque que aconteceu esse atraso. Basicamente, eles queriam pegar os alvos embarcando em aviões. A PF disse: “o embarque do investigado constitui oportunidade única”. Traduzindo isso do juridiquês ali, o que quer dizer? Você pegar um celular desses figurões no embarque de avião é melhor porque diminui as chances de ele se desfazerem do aparelho ou de arquivos ou de dados. Porque quando as operações são feitas na manhã na casa de cada um. Primeiro que todo mundo sabe que a operação da PF é de manhã e tal e aí o alvo pode esconder o aparelho principal, entregar um secundário. Ele pode tentar destruir prova, jogar na privada, como a gente já falou aqui inclusive, né? E quando você pega o cara na fila de embarque indo viajar, que era o caso tanto do Zettel, quanto do Tanure, as chances de ele estar com o celular bom, o celular prioritário são muito maiores e a possibilidade de eles esconderem o aparelho é menor, então são maiores as chances de ter a melhor informação, né? É óbvio que a PF não explicou isso nesses termos no processo, mas o que ela quer dizer é basicamente isso. E aí, não bastasse esse pito público que o Toffoli deu na PF, ele deu uma decisão falando que as provas do caso dessa operação dessa semana, ou seja, o celular do Tanure e o celular dos Zettel deveriam ficar lacradas e acauteladas no STF sem que ninguém tivesse acesso, nem a perícia da PF. Ou seja, tudo que viesse desses aparelhos, quem que ia analisar? O Toffoli?
Fernando de Barros e Silva: Isso é inacreditável. Depois recuou também.
Ana Clara Costa: Exato. Aí ele recuou. Mas. Mas olha só como que ele recuou: ele pegou e deu uma outra decisão, dizendo que a PGR poderia ter acesso, mas ele não falou da PF, ele não falou da perícia da PF. Quem tem perícia para analisar esse tipo de coisa é a Polícia Federal, não é a PGR. É a mesma coisa que você pegar o celular do Mauro Cid, do Braga Netto, e falar olha, a PF não vai poder olhar, entendeu? A PF que vai poder fazer as relações das informações que estão nesse celulares com o que já foi apurado nas operações anteriores na operação do PCC. Então é esse nível de coisa que o Toffoli fez. E aí um bastidor, quando ele faz isso na noite de quarta-feira, diz que a PGR pode acessar esses dados. Ele manda dizer, só que sem dar publicidade a isso, manda dizer só nos bastidores. Pede para ligarem para a PF para falar: “Olha, vocês vão poder ver também, tá? A perícia da PF vai poder ver”. Mas ele não colocou isso na decisão e ele não tornou isso público. Ele pediu para ligarem em off, no bastidor mesmo para avisar a PF. Ou seja.
Celso Rocha de Barros: Quem que ele não queria que soubesse que ele autorizou a PF, né?
Ana Clara Costa: É tudo muito estranho, entendeu? Oi, pessoal! Depois de todo o ruído que o ministro Dias Toffoli criou ao privar a Polícia Federal de analisar as informações apreendidas na última operação sobre o Banco Master, ele recuou. Na quinta-feira à tarde, depois que a gente já tinha gravado o programa, ele deu um novo despacho autorizando que os peritos da PF acessem esse material.
Fernando de Barros e Silva: Tô me lembrando aqui de um filme do Nanni Moretti, cineasta italiano. Primeira cena de um… Acho que se chama Crocodilo. Ele está vendo um debate na televisão, um debate presidencial entre o Berlusconi e o Massimo Dalema. O Dalema está falando. O Dalema é o candidato de esquerda, de oposição aoBerlusconi, e fica fazendo média. Ele fala: “Dalema, fala alguma coisa de esquerda, pelo amor de Deus”. Dá vontade de falar para o Toffoli: Faz alguma coisa republicana. Só uma, só uma republicana. O cara tá ticando, fazendo todas as impropriedades – vamos chamar, vou usar esse eufemismo aqui. É inacreditável. Celso, deixa eu te ouvir a respeito disso que a Ana falou.
Celso Rocha de Barros: Bom, a Ana já matou, aí desenhou direitinho aí para quem quiser entender a história. Eu só queria ressaltar duas coisas chamar a atenção para uma terceira. Primeiro, o acordo entre o Banco Central e o TCU parece ter sido uma tentativa mais ou menos de encerrar esse assunto. O TCU topou fazer um negócio bem mais limitado. Só um setor específico deles, que cuida de banco público, vai ter acesso ao negócio para analisar. Já disse que não vai anular liquidação, que não foi, enfim. Então, parece uma coisa meio para o TCU sair dessa história de uma maneira menos avacalhada do que entrou, né? Mas aí você vai dizer: “Bom, então tudo bem. Terminou tudo bem”. Não. Primeiro, tem a questão do precedente, né? O TCU vai começar a interferir em decisões de órgãos reguladores? Assim, mesmo quando não for questão de de gasto público, porque o TCU é feito para investigar gasto público, para saber se tem roubalheira no dinheiro que o governo gasta ou os congressistas. Não é para dar opinião sobre liquidação de banco ou sobre, sei lá, a decisão da Vigilância Sanitária, entendeu? Enfim, sobre inquérito da Polícia Federal, entendeu? Isso não é papel do TCU. Então será que vai começar a ser? Será que o TCU vai começar a interferir nessas coisas? Isso tem duas consequências potencialmente ruins. A primeira é intimidar os órgãos reguladores. Quer dizer, o funcionário lá do Banco Central da PF ou pode pensar “pô, quero insistir muito nisso aqui, sabendo que qualquer dia pode me botar numa acareação no STF. Eu já sabendo que o Toffoli tá com toda a carta do lado dos outros caras”?. Então, isso é uma coisa que não é feito, pode acontecer em vários órgãos. E o segundo, que talvez seja mais preocupante, visto que graças a Deus, tem estabilidade para o funcionário público no Brasil. O segundo é que já tem vários esforços para aparelhar o TCU da parte de políticos corruptos. Até a intervenção do ministro ligado ao centrão já foi muito esquisita nesse caso. Obviamente a gente não pode afirmar nada, mas já foi muito estranho. Agora, se o TCU, ainda por cima, adquirir o poder para anular a liquidação de banco, para soltar preso da federal, etc. Aí que tudo que é picareta do Brasil vai começar a brigar para enfiar gente do TCU,. Então assim.
Ana Clara Costa: Já brigam.
Celso Rocha de Barros: Já brigam.
Fernando de Barros e Silva: Eu acho que inclusive a natureza desse órgão parece muito complicado você nomear esses políticos para fazer esse tipo de tarefa. Você tem um quadro técnico que é estável, até onde eu sei.
Celso Rocha de Barros: É estável e é altamente qualificado.
Fernando de Barros e Silva: Qualificado. E daí tem esses sujeitos que avacalham por cima. Os caras fazem o trabalho certo embaixo, a parte técnica, e daí quando chega em cima, os caras esculhambam.
Celso Rocha de Barros: A segunda coisa é o seguinte: mesmo se nenhum desses procedimentos foi em si irregular, quanto mais procedimentos forem feitos, maior a chance de ocorrer um erro procedimental que, como a Ana falou, pode ser usado para anular o processo ou partes do processo, entendeu? Mesmo que você faça uma sindicância sobre o Banco Central aqui que não seja em si picareta, durante o processo, pode ter uma irregularidade administrativa aí que os advogados dos acusados podem tentar explorar na Justiça, entendeu? Até porque não é claro, até agora que o objetivo do caso seja anular a liquidação. Sempre teve a velha piada melhor do que ser banqueiro no Brasil, só ser ex-banqueiro, né cara? O cara que sai com dinheiro e não precisa mais fazer aquele trabalho todo de saber como, como administrar. Mesmo que esses procedimentos não sejam picaretas, que é algo que a gente ainda precisa ver, eles vão aumentando a margem para dar um problema, entendeu? Alguma coisa dar errado, entendeu? E os advogados, evidentemente, estão de olho nisso.
Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente vai encerrar o primeiro bloco do programa por aqui, fazendo um rápido intervalo. Na volta, a gente vai continuar falando deste infindável caso do Banco Master. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Ana Clara, vou retomar com você. No meio dessa confusão toda, Alexandre de Moraes tomou algumas providências voltadas para o próprio umbigo. O que ele fez? Conta pra gente.
Ana Clara Costa: Bom, o Alexandre de Moraes, que assumiu a presidência do Supremo durante o recesso, abriu inquérito para investigar se o Coaf ou a Receita Federal tinham acessado ilegalmente dados fiscais e financeiros de ministros do Supremo. Que ministros são esses? A gente não sabe, mas o que tem de dado financeiro circulando por aí recentemente é o faturamento do escritório da esposa do Alexandre e os negócios que os irmãos do Toffoli fizeram com a gestora de fundos Reag que é essa que foi liquidada esses dias. Então, assim, uma breve explicação sobre essa história dos irmãos do Toffoli: foi o Estadão que revelou que os irmãos venderam ativos para um fundo da Reag. E até onde se sabe, pelo menos do que dá para a gente ler dessas reportagens, são números que são acessíveis sem a necessidade de dados sigilosos de ninguém. Você pega isso em junta comercial, enfim, tem várias fontes de informação pública. Então essa investigação do STF pode ser inócua. Mas o fato de o Alexandre de Moraes pedir abertura só reforça a percepção de que o caso Master está, de certa forma, desestabilizando ali parte do STF. Porque as atitudes que estão sendo tomadas pelo ministro Toffoli e esse inquérito para investigar a receita tem sido inéditas em muitos aspectos. A Receita não pode acessar o dado de ninguém sem que isso fique marcado, que foi acessado. Então, assim, um servidor da receita que queira vazar qualquer coisa, se ele fizer isso, ele acessar ele vai ser pego. Então tudo isso que está acontecendo é muito complicado, entendeu? Agora eu queria falar um pouco da Reag, que é essa gestora que foi liquidada, né? Primeiro que ela está atuando desde lá atrás no Banco Máxima, ela começou a ser investigada na Operação Carbono Oculto e Operação Quasar, que foram as operações que descobriram o elo do PCC com a Faria Lima e há fundos da Reag que estavam lavando dinheiro para o PCC. Isso foi descoberto ali no ano passado. Aí eu queria só colocar para vocês como são as coisas, né? Esse João Carlos Mansur passou a ser investigado, né? E o mercado financeiro, ele é tão desregulado, ele é tão solto, tudo é tão solto que os outros sócios da Reag quando viram o negócio ficar ruim para eles com essa operação lá no ano passado ele simplesmente compraram a parte do Mansur na Reag. E a Reag continuou funcionando como se nada tivesse acontecido. Então assim, ela tinha fundos ali que operavam para o PCC…. “Ah, descobriram. Os fundos dos fundos estão sob investigação. Tira o cara que tá podre, né?”. E continua tudo igual, entendeu? E o resto dos fundos? 80 fundos que eles tem. Nem um sócio achou estranho que o patrimônio da Reag foi a 300 bilhões em três anos. Nenhum deles achou estranho que um fundo da AG, segundo Globo, teve uma rentabilidade de 10 milhões por cento em 2024? A maior rentabilidade do mundo, segundo reportagem do GLOBO. Um fundo render 10 milhões por cento? Eu não sei nem quantos zeros tem dez milhões.
Fernando de Barros e Silva: Não consigo nem falar 10 milhões por cento.
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Primeira vez que eu ouço essa expressão 10 milhões por cento.
Ana Clara Costa: Exato. Nunca ouvi também. Enfim, ninguém achou estranho, né? Os sócios não acharam estranho, compraram a parte do cara que tava ferrado ali e continuou funcionando normal com esses fundos do Banco Master que estavam também dentro desse pool de irregularidade acontecendo na Reag. E o Mansur estava na Europa quando aconteceu essa operação do PCC. Ele também não estava no Brasil agora, na operação dessa semana, ninguém sabe, na verdade, se ele chegou a voltar para o Brasil. A verdade é essa. Mas ele não é foragido, não é considerado foragido ainda, não há mandado de prisão contra ele. Não se sabe se ele sequer voltou ao Brasil ou se sequer voltará, né?
Celso Rocha de Barros: Tinha um amigo meu que dizia unegócio: “Quando você vê assim a notícia, ‘todo o mundo político está envolvido nesse escândalo’, é porque foi a direita. Já quando tem assim ‘a esquerda roubou um monte de dinheiro’, é porque é todo o mundo político. E quando tem ‘maior escândalo história da humanidade’, é porque foi a esquerda”. Então, assim, eu acho que assim, obviamente, o escândalo que envolve um monte de gente e a gente não sabe quem vai aparecer, pode aparecer um monte de gente importante de esquerda, mas por enquanto, a maioria dos envolvidos… Objetivamente falando, se você fizer uma tabela dos nomes que apareceram, e foi olhar a ideologia dos casos, a maior parte dos envolvidos são de partidos de direita. e eu acho que essa notícia. Eu acho que isso é digno de nota. Não estou querendo dizer que um lado seja mais ou menos honesto do que o outro, mas nesse escândalo específico, grande parte dos envolvidos são ligados a partidos de direita.
Fernando de Barros e Silva: Fato. Isso é fato.
Ana Clara Costa: Vocês se lembram que a gente falou quando houve toda a operação que o Vorcaro foi preso? Você tinha essa empresa, Fictor, que tinha oferecido 3 bilhões pelo Banco Master na véspera da prisão do Daniel Vorcaro. E a gente até comentou aqui que o investidor que comprava o produto de investimento dessa empresa, o que ele tava comprando na verdade era milho, soja, grãos. De uma forma geral, uma rentabilidade boa era oferecida a essas pessoas e havia uma carência de 60 dias para você reaver o seu investimento. Passaram-se 60 dias daquele momento e, que surpresa, a Fictor não está pagando os investidores que quiseram retirar os seus investimentos dela. Eu tenho conversado com investidores que colocaram dinheiro lá. Todo dia eles recebem uma mensagem dizendo que amanhã vamos pagar, amanhã vamos pagar, em fevereiro, vamos pagar. E esse dinheiro não está aparecendo se as pessoas não estão conseguindo.
Fernando de Barros e Silva: Que beleza!
Ana Clara Costa: Lembrando que a Fictor colocou 30 milhões no Palmeiras no ano passado. Para você ver que tudo termina em futebol. O Mansur também era conselheiro do Palmeiras. E além de tudo, um dos sócios da Fictor está tentando ser diretor da CVM. Enfim, já tem meses que ele está tentando se cacifar com o centrão para ser diretor da CVM. Então assim, o governo indicou um presidente da CVM, agora bem envolvido no caso Master, que foi um pedido do Davi Alcolumbre, porque está precisando do Davi para aprovar o Messias e outras cositas no Senado. Ele topou indicar esse cara para a CVM. E agora se tem um diretor da Fictor, empresa que está nesta situação que estamos falando, querendo ser diretor da CVM, do órgão regulador do mercado de capitais.
Fernando de Barros e Silva: Que beleza! É a mesa redonda do Fernando Haddad. No artigo que eu escrevi para piauí desse mês, fala do patrimonialismo que não existe dois lados do balcão. No lobby, você tem dois lados. No patrimonialismo brasileiro, a mesa redonda. É um exemplo típico de mesa redonda esse. Bom, a gente encerra o segundo bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, a gente vai falar de mudanças no ministério e disputa presidencial. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, vamos começar falando da pesquisa que saiu essa semana. Embora o segundo turno seja uma coisa muito remota a essa altura do campeonato, ainda faltam dez meses para a eleição… O Tarcísio aparece como o oponente do Lula mais competitivo no segundo turno. Mas hoje o quadro é improvável que o Tarcísio vai ser candidato. É mais provável que a gente tenha o Flávio e algumas outras candidaturas. Fala um pouco do que chama a atenção nessa pesquisa.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, você tem toda razão. Ainda é cedo para a gente cravar aí alguma coisa. Quer dizer, para cravar vai ser cedo mesmo até na véspera. Mas assim ainda é muito cedo para a gente fazer afirmações muito fortes sobre favorito, essas coisas. Tem algumas coisas grandes que precisam acontecer para a gente começar a analisar essas chances objetivamente. A primeira é a definição dos candidatos. Assim como eu vou falar agora, o Flávio parece estar virando meio fato consumado do lado da direita, mas eu acho que ainda pode ter uns movimentos importantes aí. Não sei se o Tarcísio ainda pode ser candidato, mas se o Flávio for candidato deve haver um outro candidato da centro-direita, pode ter uma divisão de candidatos de direita ou pode, enfim, pode acontecer um monte de coisa que eu acho que dificulta fazer um prognóstico nesse momento. E aí, dependendo do desempenho do Flávio ou de seja quem for os candidatos de direita, a gente vai ter as alianças regionais, que são muito importantes para determinar quem ganha a eleição presidencial. Então, por exemplo, se o central olhar para o Flávio e falar assim: “Ah, cara, acho que esse cara aí não vai muito longe não”, é capaz de eles liberarem os seus integrantes para falar “apoia quem você quiser. Se para você for mais negócio apoiar o Lula no seu estado, você apoia”. O que para o governo, evidentemente, vai ser muito bom. E terceiro, falta o efeito das políticas públicas que o Lula guardou para o ano da eleição. O principal é reforma do Imposto de Renda, que vai bater no contracheque daqui a alguns meses. Mas deve ter mais coisas. Então, assim o Lula vai entrar com a vantagem de ser o governo, né? Assim, até hoje só o Bolsonaro perdeu como incumbente. Mas como a gente já falou em várias vezes aqui, pelo mundo tem tido uma certa crise do incumbente. Então, assim, a gente não sabe se ela ainda vai se refletir no Brasil esse ano. Enfim, os resultados da Quaest. A primeira coisa que me chamou a atenção é que a aprovação do Lula está bem estável em nível nacional. Não variou grande coisa, mas nas regiões variou muito. Essa estabilidade é resultado de grandes variações regionais que se anularam. Então, por exemplo, a diferença entre positivo e negativo no Nordeste era 17 pontos positivos, virou 37 pontos positivos, 20 pontos de diferença. Por outro lado, no Sul o saldo negativo do Lula era -18 e virou -36. Subiu 18. Pessoal, só fazendo uma correção aqui o saldo negativo do Lula na região Sul foi para -32 e não para -36, como eu falei antes. Valeu. Abração. Então, assim é uma diferença grande, regional. Aconteceram uns movimentos regionais importantes aqui de polarização que o dado nacional não registra porque um deve ter cancelado o outro no agregado.
Fernando de Barros e Silva: Esquisito um movimento tão grande assim.
Celso Rocha de Barros: Mas é. Pois é. Me chamou a atenção. Eu não sei assim o que pode ter acontecido para uma mudança brusca assim, qual política pública ou qual notícia? Enfim, o negativo do Lula subiu bastante entre quem ganha mais de cinco salários mínimos também. A avaliação já é diferente da aprovação. A avaliação é aquele bom, regular, ruim, aquelas coisas. Nos eleitores que a Quaest considera independentes, piorou bastante para o Lula, -9 para -20. Mas também ocorreu uma polarização de vários aspectos que meio que no agregado não fica tanta coisa. Mas esses movimentos no desagregado eu achei meio notáveis. Assim, eu não tenho explicação para isso, não sei o que aconteceu. Agora a grande questão mesmo é sobre os adversários do Lula. No segundo turno, o Lula continua ganhando. A vitória não é tranquila, mas isso a gente sabe que é o mais provável, que a última eleição foi resolvida por menos de 2%. E o Tarcísio, de fato, é o candidato de direita mais competitivo. Isso aí já é bem consolidado. Agora o Flávio vai se tornando meio fato consumado, porque o Tarcísio pode ter perdido a janela dele ser candidato. À medida que o Flávio vai se apresentando como candidato da direita, o Tarcísio insiste em dizer “Eu vou aceitar a decisão do Bolsonaro”, etc. A direita vai cuidando da vida, né? Vai cada um ficar… “Bom, então é o Flávio. Vai o Flávio”.
Fernando de Barros e Silva: Parece claro que o que o Bolsonaro prefere perder com o Flávio do que ganhar com o Tarcísio.
Celso Rocha de Barros: Exato. Para mim, isso é óbvio. Ele prefere manter o controle da direita brasileira do que ganhar a presidência, entendeu? E aí ele vai fazer uma maioria de senadores. Os senadores passam uma anistia, fazem impeachment do Xandão, enfim, a estratégia golpista de sempre. Enfim, para ele tá legal. A pesquisa também foi muito atrás dessa questão do Flávio e um dado notável é que caiu bastante o número de pessoas que diz que o Bolsonaro errou quando indicou o Flávio Bolsonaro. Assim, a rejeição do Flávio ainda é bastante razoável. Ele não tá bem na pesquisa, mas assim ele subiu na pesquisa e o número de pessoas que acha que o Bolsonaro errou ao indicar o Flávio no lugar do Tarcísio, caiu. Os bolsonaristas clássicos, o núcleo mais duro do bolsonarismo, claramente já se conformou com o Flávio e tá feliz. Vai Flávio mesmo. Mesmo se eles achassem que o Tarcísio era mais viável, eles não têm objeções ao Flávio. E no pessoal que seria, enfim, a direita não necessariamente bolsonarista, né? O Flávio começa a entrar.
Fernando de Barros e Silva: Acho que na direita bolsonarista o Flávio tem 78, ou seja, praticamente quatro de cinco. E na direita não bolsonarista, ele tem metade das preferências.
Celso Rocha de Barros: Isso. E assim, você tem 44 no setor da direita. Para um candidato de direita, é meio ruim. Assim, isso não é um bom resultado para o Flávio, porque, enfim, em tese, o candidato de direita teria que fechar a direita. Como o Lula fecha a esquerda. O Lula tem uma intenção de voto altíssima, tanto na esquerda lulista como na esquerda não lulista. O Flávio precisaria subir na direita não bolsonarista. Mas ele já começou a entrar nesse segmento. Assim, a gente não sabe qual é o teto dele, mas ele já tá com um pouco mais do que o número de pessoas que dizem que votaria em qualquer coisa que o Bolsonaro indicasse, porque antes ele só tinha isso. Ele só tinha esses 20 e poucos por cento de pessoas que votam em qualquer coisa que o Bolsonaro mande. E agora ele já tem um pouco mais, tem menos do que o Tarcísio teve ali, bem menos do que o Tarcísio teve no seu melhor momento. Mas enfim, está se tornando fato consumado. Tá virando assim. Bom, aquilo que a gente falou num dos últimos programas do ano, a situação entre Flávio e Tarcísio continua a mesma e a notícia é essa porque o tempo está passando. O tempo passou mais ainda, os atores vão se acomodando à nova realidade, né? Os caras que gostariam mesmo do Tarcísio candidato estão meio decepcionados com ele porque falaram “cara, você tinha que ir lá brigar, você tinha que ir para o pau contra o Flávio, tinha que fazer”. E aí a gente sabe que… Eu imagino… Eu não acredito que o Tarcísio tenha desistido não.
Ana Clara Costa: Não desistiu.
Celso Rocha de Barros: Eu também acho. Essa história da Michelle Bolsonaro dar um like na postagem da primeira dama de São Paulo, a mulher de Tarcísio…
Ana Clara Costa: Tem uma história aí.
Celso Rocha de Barros: É. O que levou lá uma briga grande dos bolsonaristas contra ela, não sei o que lá. E aí ela chamou o Allan dos Santos de Alan, dos Demônios. Gostei dessa. Fazer uma autocrítica que a gente já devia ter pensado nessa, entendeu?
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Celso Rocha de Barros: Então, ela deve partir pra cima do Allan dos Santos. Quer dizer que ela pode estar costurando uma coisa para ser vice do Tarcísio, alguma coisa assim, né? Então, assim, eu acho que essa articulação ainda não morreu não. O Tarcísio, eu não acho que ele tá conformado de não ser candidato. Então, assim, tá tudo muito longe de ser definido. Agora é aquilo quanto mais tempo leva para o Tarcísio resolver entrar na briga, mais a direita vai seguindo sua vida. Quer dizer, eles também não vão ficar sem candidato. Eles também não vão ficar assim “não sei se vou votar no candidato do Bolsonaro”. Então assim, o tempo tá passando, né?
Fernando de Barros e Silva: Essa chapa, eventual chapa Tarcísio Michelle, há um ano acho que eu falei isso, que seria, no meu entender, a chapa mais competitiva da direita. Ana Clara, você tem informações sobre a nova configuração do governo, mudança no Ministério da Justiça. Mas você tem também informações sobre esse campo da direita, sobre o Tarcísio e Michelle. Conte-nos.
Ana Clara Costa: Bom, Fernando, não é novidade para ninguém que a Michelle e os filhos não se dão. Então, a Michelle não está nem um pouco contente com essa candidatura do Flávio. Ela ainda gostaria de ser considerada. Tudo o que aconteceu nesses últimos dias, essa curtida na postagem da mulher do Tarcísio, etc. Tudo está dentro de um mesmo balaio, que é o seguinte: a Michelle vê o Tarcísio como uma possibilidade dela continuar no jogo. E aí ela foi conversar com o Gilmar Mendes essa semana, para pedir para o Gilmar Mendes ajudar a fazer com que o Bolsonaro vá para a prisão domiciliar. Imagina a Michelle pedir ajuda para o Gilmar. Que a Michelle quer essa domiciliar para ficar no ouvido do Bolsonaro contra o Flávio. Ela está determinada a tentar desbancar o Flávio ali de alguma forma e enaltecer o Tarcísio para ela junto ser parte dessa articulação também, né? Oi, pessoal! Eu tô voltando aqui porque depois que a gente já tinha terminado de gravar o programa, o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, determinou a transferência imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro, da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, para a Sala de Estado-Maior, no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que fica localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, também em Brasília. Esse local específico da Papuda é conhecido como Papudinha e o presidente Bolsonaro já está lá. E o Tarcísio, já falamos aqui 15 milhões de vezes, ele não quer brigar com o Bolsonaro por esse cargo. Ele quer ser alçado ao título de presidenciável. Ele não quer fazer nada à revelia do Bolsonaro. Então, ele continua atuando muito nos bastidores por essa razão. E dentro dessa atuação dele nos bastidores, está o uso da comunicação. Até tem uma reportagem na piauí essa semana do João Batista sobre ele estar usando perfis de fofoca nas redes sociais. Tá pagando perfis de fofoca para mostrarem os feitos dele por São Paulo. Ou seja, perfil de fofoca, perfil com muito seguidor que viraliza muito fácil as coisas e outra perfil de fofoca não é jornalismo, então eles aceitam pagamento por postagem. Então, você contrata um perfil de fofoca e coloca lá o material que você quer divulgar, entendeu? As pessoas recebem isso meio que aleatoriamente, então ele está fazendo isso. Ele está fazendo muito um trabalho de submundo ali. E aí, o que que ele está fazendo especificamente agora? Essa postagem da mulher dele que fala dele como CEO do Brasil e que ele curtiu e que a Michelle curtiu e tudo mais, isso vem de uma agência de publicidade que é contratada por ele, que criou esse slogan de CEO do Brasil, porque acha que isso é o que o Brasil precisa. Então, assim, CEO do Brasil não está falando CEO de São Paulo. CEO do Brasil é uma expressão ridícula, porém nacional, que tem uma ambição nacional. “Do Brasil”. Porque ele acha que isso é aspiracional para o brasileiro. Ele acha que a população empreendedora, microempreendedora olha para o CEO e pensa em aspiração e que isso é a chave para tentar cacifá-lo e tal, para tentar colar nele essa imagem. Então ele está trabalhando. Só que esse movimento mais direto de confronto com a família Bolsonaro, ele não vai fazer. Ele está tentando pelas beiradas. E a Michelle hoje é parte importante da estratégia.
Ana Clara Costa: Esses posts eram muito bizarros, porque você vê o perfil lá, os caras estão dizendo “Fulano vai para o Big Brother”. E aí o post seguinte era: “Governo Tarcísio prioriza o ajuste das contas públicas de maneira responsável”. Não tinha nada a ver com nada.
Fernando de Barros e Silva: Agora, a Michelle pedir para o Gilmar Mendes ajudar isso… Só falta o Gilmar… Ele já tá na CBF, já faz isso. Só falta ele abrir uma um escritório de aconselhamento matrimonial agora. O cara é ministro do Supremo. Ana, vamos falar um pouco do Ministério do Lula, da mudança no Ministério da Justiça. Parece que o governo Lula, o último ano do mandato, tem um nome já, é isso?
Ana Clara Costa: IÉ. A República dos Novos Baianos.
Fernando de Barros e Silva: Opa! Quem são os Novos Baianos?
Ana Clara Costa: Bom, é a turma que hoje tá mandando no governo, que eu acho importante a gente falar disso agora. Eu acho que essa saída do Lewandowski e essa tomada de poder, na verdade, esse crescimento do poder do Rui Costa e tudo do Sidônio e tudo mais é relevante porque é esse pessoal que vai trabalhar, esse governo que quer se reeleger.
Fernando de Barros e Silva: Jaques Wagner.
Ana Clara Costa: Jaques Wagner, agora esse novo ministro da Justiça, que na verdade, enfim, ele foi indicado pelo Jaques Wagner, né?
Fernando de Barros e Silva: Novos Baianos nem tão novos assim, né?
Ana Clara Costa: Eu não vou falar porque você é acusada de etaria, então.
Fernando de Barros e Silva: Eu como sou velhinho, eu posso falar. Tudo bem. Eu tenho lugar de fala.
Ana Clara Costa: Mas eles estão sendo chamados assim dentro do governo. Não tinha Republica de Alagoas?
Celso Rocha de Barros: Tinha.
Ana Clara Costa: Bom, enfim, eu acho que essa situação do Lewandowski é emblemática de expor quem é o grupo que vai conduzir o Lula à reeleição, se é que a reeleição se confirma. E é importante a gente conhecer esse grupo, porque a gente falou ao longo desse governo muito dos embates do Rui Costa com o Haddad e tal. E dá pra gente dizer agora, entrando no quarto ano de governo, que o grupo do Rui Costa é preponderante ali. Os tentáculos dele estão em todos os lugares e o Lula não tem a menor intenção de desfazer isso, pelo contrário, entendeu? Ele deixa o Rui Costa agir porque provavelmente deve ter a avaliação de que isso está agradando, né? Quem a gente não sabe muito, mas ao menos ao Lula isso está agradando. Então como é que foi essa saída do Lewandowski, né? Bom, tem essa PEC da segurança pública que o Ministério da Justiça redigiu, né? Houve um debate com especialistas. Um dos especialistas consultados para elaborar esse plano dessa PEC foi o promotor Lincoln, especializado em PCC, que foi que prendeu os grandes chefes do PCC. O fato é que o Ministério da Justiça estava trabalhando nessa PEC. Essa PEC tá aí meio encalacrada nesse momento. A equipe do Rui Costa, a Casa Civil, o Sidônio, enfim, a República dos Novos Baianos. Eles discordam dessa PEC e a gente não deve se surpreender com isso, porque a situação da Bahia em relação à Segurança Pública não denota uma visão mais humanista sobre o mundo carcerário, nem o trabalho da Polícia Militar. A polícia da Bahia é uma das mais violentas do país. A Bahia é nos estados mais violentos do país. A Bahia é um Estado que em que a Segurança Pública é tocada ao molde Bolsonaro. A verdade é essa. E é essa visão um pouco a visão do Rui Costa de força bruta, mesmo para a Segurança Pública. Quando houve a COP, foi fim logo depois do que aconteceu no Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, o Lula mandou chamar o Lewandowski para Belém para uma reunião urgente. E aí o Lewandowski foi, se reuniu lá no barco que o Lula estava hospedado, estava o Sidônio, estava o Rui, tava todo mundo ali, Boulos e tal. E aí o Lewandowski foi apresentado a um projeto pelo Sidônio, que é, na verdade você criar uma secretaria de Segurança Pública na Casa Civil, submetida à Casa Civil, ou seja, tirar a Segurança Pública do Ministério da Justiça. Por um lado, dá para entender a visão do Palácio. A Segurança Pública vai ser o assunto dessas eleições, né? A questão da violência a gente não vai errar se a gente disser que pode até superar a economia em relação à preocupação do eleitor. Então, assim, se é um assunto eleitoral importante, se é um assunto importante para a vida das pessoas, é normal que o governo queira ver isso com lupa. Tudo bem que você fazer isso no último ano de governo, né? Complicado, né? Mas enfim, eu entendo a visão de quem quer fazer essa secretaria. Obviamente, o Lewandowski se sentiu desprestigiado com aquela ideia, mas enfim, as coisas ficaram como elas ficaram. Depois disso, a situação só se agravou. Então o Lewandowski foi a reuniões em que vários ministros, ex-governadores de estados desacaram a política de segurança pública do país e tal, sendo que eles eram governadores de estados e provavelmente não fizeram seu trabalho porque a Segurança Pública é atribuição do governador. Então, assim, o Lewandowsky foi levado a reuniões para apanhar diante de outros ministros e ficou sangrando ali. A verdade é essa. Assim, a gota d’água foi na reunião do Mercosul, no final de dezembro, em que eles fizeram uma reunião sobre Segurança Pública no Mercosul e o Lewandowski foi despachado para voltar para Brasília dizendo que ele não precisava participar. Então, assim, o Lula permitiu que se fizesse ali com o Lewandowski uma coisa que é comum do Lula, que é essa coisa… Ele não gosta de entrar em enfrentamento com o subordinado, né?
Fernando de Barros e Silva: Lewandowski, que é uma nulidade em várias frentes. Ana, você mesma lembrou a mim num dia que eu, antes de ir para a Justiça, o Lewandowski teve uma passagem edificante pelo Banco Master. Ele foi o quê? Do Comitê de Estratégia?
Ana Clara Costa: É, ele foi membro do Comitê Consultivo Estratégico.
Fernando de Barros e Silva: Sai do Supremo, passa pelo Banco Master e vai para o Ministério da Justiça. Isso é um bom resumo do que é o Brasil.
Ana Clara Costa: Sem dúvida. E aí ele sangrou em praça pública ali. Chegou a marcar uma reunião com o Lula para tentar falar: “Olha, você quer que eu saia?”. E o Lula nem quis receber ele. Aí o Lula até chegou a ligar para ele depois. E ele falou isso para o Lula e o Lula falou: “não, imagina…”e etc. E continuou deixando o cara sangrando. Até que ele conseguiu falar com o Lula, falou: “eu vou sair”. O Lula pediu para ele esperar até o dia 8 de janeiro para ele ver outra pessoa e ele esperou e enfim, a outra pessoa, o agora ministro Wellington Lima e Silva, que é um promotor da Bahia é uma indicação do Jaques Wagner. Ele já foi ministro da Justiça da Dilma por 14 dias, então conhecido como o Wellington, o Breve. E ele, enfim, é muito próximo. Ele é muito próximo dessa turma ali do Jaques, do Rui. E aí sem querer entrar na minúcia da política da Bahia, não que o Jaques e o Rui sejam a mesma turma, porque eles também se engalfinham bastante dentro do governo. Mas assim você tem claramente um alinhamento de interesses. Jaques, Sidônio, Rui, um crescimento do poder com esse novo ministro, que é, de certa forma subordinado, não no papel subordinado ao Rui ou ao Jaques, mas tem um histórico subordinado a essas figuras. Atuou muito junto com essas figuras. Então dá para a gente concluir que vai ser um ministério meio que anexado pela Casa Civil, né? Então é só importante a gente detalhar essa história, porque o que vai acontecer daqui para frente, no contexto da eleição, na preparação para essa eleição, é o que sair da Casa Civil e o que sair dessa turma Sidônio, Rui, Jaques.
Fernando de Barros e Silva: Tudo isso que você está falando, eu vou por várias carroças na frente do boi. Estou pensando na sucessão do Lula em 2030. O que significa isso? Eu sei que muita água vai rolar, etc. Mas essa hegemonia, digamos, desse grupo político, nesse momento, que parece que é uma coisa para organizar a sucessão, não é uma coisa circunstancial. Se o Lula ganha, isso vai. Vai se refletir na correlação de forças interna do próximo governo. A situação do Haddad, me parece, me parece muito solta ainda, né?
Celso Rocha de Barros: Eu acho que parte desse aparentemente desinteresse do Haddad em ser candidato a uma outra coisa agora. Eu acho que o Haddad sentiu um pouco essa derrota que ele sofreu para o pessoal do Rui Costa ano retrasado, no final do ano retrasado. Mas eu acho que o PT vai acabar convencendo ele a ser candidato a alguma coisa esse ano que ele não quer, aparentemente.
Ana Clara Costa: Inclusive, numa dessas reuniões que o Lewandowski apanhou ali em relação à segurança pública, o Haddad foi o único que defendeu a permanência da Segurança Pública no Ministério da Justiça, porque significaria uma desidratação, assim também se opondo ao Rui Costa.
Celso Rocha de Barros: Pois é.
Ana Clara Costa: Agora o Haddad, ele quer a coordenação do programa de governo, né? Mas é possível que o PT não queira, né? E que queira que ele concorra em São Paulo, porque São Paulo é uma praça ali que o PT está com problemas sérios. No Senado…
Fernando de Barros e Silva: Ele deu entrevista para a Miriam Leitão esses dias. Ela falou exatamente isso “Se o PT pedir para você ser candidato, você não quer? Você quer ser apresentador de campanha e articulação política?”. Ele falou: “Articulação tem que começar pelo próprio candidato. Ele tem que querer”, ele fez essa blague, mas talvez ele seja obrigado a querer. Então é isso. A gente encerra o terceiro bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo na volta Kinder Ovo.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. O Kinder Ovo da Maria Júlia. Vamos ver o que você preparou pra gente. Solta aí.
Sonora: Eu sou uma pessoa que, é… Desde antes de entrar na política. Defendo a questão do controle de armas. Sou contra esse negócio de liberar a arma pra todo mundo. Sempre me posicionei dessa forma. Inclusive a gente fez várias caminhadas pela paz. Coberto, né? Pela arte, né? Eu sou uma pessoa que venho do teatro. Do cinema. Produzi filmes, produzi teatro, como o Teatro Transcendental, que até hoje já tá aí, na 22.ª edição.
Fernando de Barros e Silva: Juca Ferreira.
Ana Clara Costa: Sidônio.
Fernando de Barros e Silva: Glauber Rocha. Cinema. Arte Transcendental. Caraca! Quem é da arte transcendental?
Ana Clara Costa: Provavelmente é alguém zero arte.
Fernando de Barros e Silva: Ah, não acredito! Celso, você não vai perdoar a Maria Júlia nessa. Quem fala é o senador Eduardo Girão.
Celso Rocha de Barros: Meu velho amigo.
Fernando de Barros e Silva: Em entrevista ao jornal O Povo.
Celso Rocha de Barros: Qualquer dia ele vai dizer que aquela reunião golpista lá no Congresso era uma performance… Ah, Zé Celso…
Fernando de Barros e Silva: Caraca, essa foi boa. Maria Júlia, parabéns!
Celso Rocha de Barros: Essa foi foda.
Fernando de Barros e Silva: A gente encerra esse glorioso, essa gloriosa derrota. Senador Girão, nosso autor, criador do Teatro Transcendental no Brasil. Vamos lá. Vamos agora para o Correio Elegante. O momento de vocês, omomento das cartinhas, O melhor momento do programa. Eu vou começar aqui com uma mensagem da Aline da Costa Luz. Falou o seguinte: “Fico a semana toda ansiosa pelo Foro. Acontece alguma coisa e eu fico ‘Mal posso esperar para ouvir a análise do trio do Foro de Teresina’. Gosto tanto de ouvir que me levou a assinar a revista piauí. Mal vejo a hora da minha primeira edição impressa chegar! Vida longa e, principalmente, saúde mental para vocês”. Ah, isso aí de saúde mental, a gente já entregou faz tempo.
Celso Rocha de Barros: Né?
Fernando de Barros e Silva: Vamos ver. Estamos tentando só cuidar do corpinho.
Ana Clara Costa: A direção me mandou o tweet da @waldania que começou o ano saudável e que era a companhia dos ouvintes. “Seria muito bizarro eu falar que queria muito um grupo no Gym Rats só de ouvintes do Foro de Teresina?”
Celso Rocha de Barros: Muito boa, gente!
Ana Clara Costa: Olha, Waldania, talvez eu me interesse em fazer parte.
Celso Rocha de Barros: Aí, viu? Eu não tenho como não, gente. Desculpa aí, eu sou o Sofá Rats. O nilodanilodan, também faz parte da turma de atletas que ouve o Foro. “Tenho que malhar quase todo dia com um membro do submundo brasileiro que chegou longe. O general Hamilton Mourão”.
Fernando de Barros e Silva: Tá brincando!
Celso Rocha de Barros: “Todo sábado ouvindo o forno fone e do lado o querido fazendo barra”.
Ana Clara Costa: Caraca!
Celso Rocha de Barros: “Vontade de colocar o fone do ouvido do senhor kkkkk. Obrigado por serem nossas companhias semanais para tentar entender a loucura da política brasileira”. Ô nilodanilodan, muito boa!
Ana Clara Costa: Que insólito! O Mourão ein cara.
Celso Rocha de Barros: Caramba!
Fernando de Barros e Silva: Caraca! Se eu morasse do lado do Mourão, ia querer sempre ganhar dele, fazer carregar mais peso.
Ana Clara Costa: E olha que em Brasília eu já malhei do lado de muita gente na academia também, que eu não posso nem falar.
Fernando de Barros e Silva: Bom, nesse clima de halteres, a gente termina o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars para a gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, segue na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Carolina Moraes. Nas merecidas férias da Mari, a direção é da Maria Júlia Vieira, que também é responsável pela produção e distribuição dos episódios. A checagem é do Gilberto Porcidônio. A edição é da Carolina Moraes e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana.
Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.
Sonora: Tchau, Fernando. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: É isso gente! Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.
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